A confiança das famílias de Natal apresentou recuperação no primeiro semestre de 2026, embora ainda permaneça em nível considerado pessimista. O Índice de Confiança das Famílias (ICF), divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), alcançou 92,8 pontos em junho, resultado 15,1 pontos superior ao registrado no mesmo mês do ano passado. Apesar da melhora, o indicador segue abaixo da marca de 100 pontos, patamar que separa o pessimismo do otimismo.
Segundo análise do Instituto Fecomércio RN (IFC), o avanço da confiança está associado principalmente ao fortalecimento do mercado de trabalho e ao crescimento da renda das famílias. Até maio, Natal registrou saldo positivo de aproximadamente 2,3 mil empregos formais, resultado que contribuiu para melhorar a percepção dos consumidores sobre sua situação financeira e sua capacidade de consumo.

Para o IFC, a evolução do indicador mostra que a economia da capital potiguar vem apresentando sinais graduais de recuperação, ainda que o ambiente permaneça marcado por cautela.
“Quando analisado o índice em perspectiva, percebemos que a confiança das famílias de Natal vem se recuperando. Ainda há cautela, especialmente em relação ao consumo de bens duráveis, mas a melhora da renda e a geração de empregos criam uma base mais favorável para o comércio e os serviços. Esse movimento precisa ser acompanhado com atenção, porque a confiança das famílias é um dos principais termômetros da atividade econômica”, avalia o instituto.
Na comparação regional, o comportamento de Natal acompanha a tendência observada em boa parte do Nordeste. Das nove capitais analisadas pela CNC, seis permaneceram abaixo dos 100 pontos em junho, indicando que o pessimismo ainda predomina entre os consumidores da região. A capital potiguar apresentou desempenho superior ao de Teresina, João Pessoa e São Luís, aproximando-se dos índices registrados em Fortaleza e Maceió.
O levantamento mostra que a intenção de consumo continua limitada, sobretudo na aquisição de bens duráveis, como eletrodomésticos, móveis e automóveis. A percepção sobre as condições atuais e futuras da economia ainda influencia as decisões das famílias, refletindo um comportamento mais conservador diante das despesas de maior valor.
Mesmo assim, o avanço do indicador reforça a expectativa de recuperação gradual da demanda interna. A melhora no mercado de trabalho e o aumento da renda disponível tendem a estimular o consumo, especialmente nos segmentos de comércio e serviços, desde que o cenário macroeconômico permaneça favorável.
O Índice de Confiança das Famílias é um dos principais indicadores utilizados para medir as expectativas dos consumidores sobre emprego, renda, consumo e situação financeira. Por antecipar mudanças no comportamento das famílias, o ICF é acompanhado por empresários e analistas como um importante sinalizador da atividade econômica.
Para o comércio potiguar, a recuperação observada em junho representa um ambiente mais favorável do que o registrado há um ano, embora o consumo ainda deva evoluir de forma gradual. A avaliação do IFC é que a continuidade da geração de empregos, a manutenção da renda e a estabilidade econômica serão fatores determinantes para consolidar a retomada da confiança e sustentar o crescimento da atividade nos próximos meses.