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Economia

“O futuro do RN também navega pelo mar”, afirma Roberto Serquiz durante workshop

Especialistas e representantes do poder público discutiram projetos e estratégias para a economia no mar
Redação
11/07/2026 | 05:40

“O futuro do RN também navega pelo mar.” Foi o que destacou Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), na abertura do workshop “Desafios e oportunidades para o desenvolvimento da economia do mar do Rio Grande do Norte”. O evento, realizado pelo Cluster Tecnológico naval do RN, aconteceu na tarde desta quinta-feira (9), na Casa da Indústria, com participação de empresários, autoridades públicas, profissionais e especialistas do setor.

Serquiz mencionou projetos em diferentes fases de execução, no estado, que totalizam R$ 28,1 bilhões e engradecem o cenário da economia do mar, como a boia Bravo e o sítio de testes de energia eólica offshore do SENAI-RN, complexo minero-químico em Mossoró, o porto-indústria verde e o projeto Morro Pintado, que pretende instalar a primeira fábrica de Hidrogênio e Amônia Verdes do RN.

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Evento reuniu representantes do setor produtivo e gestores públicos para discutir potencial da economia do mar no RN - Foto: Divulgação/Fiern

“Cada trecho da nossa costa revela um potencial próprio e importante para o desenvolvimento. São iniciativas que já começaram a transformar a realidade do setor produtivo do estado e precisamos integrar esses trabalhos”, frisou o presidente da FIERN.

Ele apontou que esse desenvolvimento acontece em harmonia com o meio ambiente. “O verdadeiro desenvolvimento não acontece às custas do meio ambiente, mas harmonizado ao ambiente onde acontece”, disse. “Temos um potencial à disposição e um propósito. O que precisamos fazer é transformar essa convergência em resultados concretos e o papel do Cluster é justamente estimular a Economia do Mar, otimizando o uso sustentável das vocações”, completou o presidente da FIERN.

Djalma Júnior, presidente do Cluster Tecnológico Naval do RN, destacou que o Rio Grande do Norte vive um momento muito importante, por ter muitas oportunidades, mas também desafios. “O RN tem 410km de costa, com 70% do PIB em atividades relacionadas à Economia do Mar e precisamos, além de debater, colocar em prática tudo aquilo que temos como potencial.”

O presidente do Cluster entregou ao Governo do Estado uma minuta de regulamentação para a Política Estadual de Incentivo à Economia do Mar, estabelecida pela Lei Nº 11.714, de 10 de abril de 2024. O objetivo da minuta é estabelecer métricas e diretrizes para consolidar a valorização da Economia do Mar prevista na Lei.

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Presidente da FIERN, Roberto Serquiz, defendeu a integração local de projetos – Foto: Divulgação/Fiern

O documento foi entregue ao secretário de Desenvolvimento Econômico do RN, Lahyre Rosado Neto, que representou a governadora Fátima Bezerra e enalteceu o diálogo entre o Poder Público e o setor produtivo para encontrar os caminhos do desenvolvimento do estado.

“Vivemos um momento muito importante em que a Economia do Mar é fundamental para o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Norte. O diálogo entre o poder público e os setores econômicos é essencial para avançarmos no aproveitamento desses potenciais”, afirmou o secretário.

Já o superintendente do Sebrae-RN, Zeca Melo, ressaltou a importância de envolver as micro e pequenas empresas no debate sobre a economia do mar. “Temos um trabalho importante do Sebrae voltado à Economia do Mar. Esse tema é uma das prioridades da instituição porque abrange diversos setores relevantes para nosso estado, como o turismo, a pesca, a energia eólica e o sal.”

Promovido pela FIERN, Sebrae-RN, SENAI-RN, Emgepron, Brava Energia e Intermarítima, com apoio da Universidade de Coimbra, o workshop lançou os olhares para o potencial econômico das atividades ligadas ao mar, como a indústria naval, a logística portuária, a pesca, as energias renováveis offshore, a inovação tecnológica e o desenvolvimento sustentável, além de fortalecer o laço entre instituições, empresas e centros de pesquisa.

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Especialistas apresentaram experiências atuais sobre transição energética – Foto: Divulgação/Fiern

Perspectiva interdisciplinar

Com uma proposta de integrar pontos de vista variados sobre a economia do mar, desde experiências acadêmicas até oportunidades de negócios, o evento contou com uma programação de apresentações e debates sobre os desafios e as oportunidades para o desenvolvimento desse setor no Rio Grande do Norte.

O destaque ficou para Paulo Alvarenga, CEO da Thyssen Krupp na América do Sul, que apresentou o papel da Economia do Mar no processo de descarbonização e a atuação da empresa na área de sistemas marinhos. “Temos a oportunidade de o Brasil se reposicionar no cenário da transição energética global, inclusive no ambiente geopolítico.”

“O Brasil conta com uma oportunidade estratégica de integrar energias renováveis, hidrogênio verde e a indústria naval como vetor de desenvolvimento sustentável”, acrescentou Alvarenga.

José Élcio Batista, coordenador do Programa Cidade +2ºC no Insper, falou sobre o desafio normativo para a economia do mar, com interferências e conflitos normativos relativos ao setor. Já o professor Nuno Mendonça, que é vice-reitor para Inovação, Relações de Negócio e Empregabilidade da Universidade de Coimbra, de Portugal, tratou sobre propriedade intelectual na inovação costeira, apresentando o caso de impacto socioeconômico gerado pelo Laboratório Oceânico da universidade o campus da cidade de Figueira da Foz, na Grande Lisboa.

A programação contou ainda com uma mesa de debate, que reforçou as oportunidades de desenvolvimento da Economia do Mar do RN, bem como a necessidade de integração e atuação de empresas, instituições e poder público para acelerar o aproveitamento das vocações. Participaram do debate o presidente da FIERN, Roberto Serquiz; o presidente do Cluster, Djalma Júnior; o Contra-almirante Marcelo Gurgel, diretor Técnico Comercial da Emgepron; o Coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento do ISI-ER, do SENAI-RN, Antônio Medeiros; o diretor executivo da Intersal, Wellington Guanabara; e a gestora da Unidade de Políticas Públicas do Sebrae-RN, Cátia Lopes.

Também participaram do evento, os diretores da FIERN Heyder Dantas, Etelvino Patrício, Airton Torres, Ednaldo Barreto, os presidentes do SINDPESCA-RN, Arimar França Filho, do SINDIPAN-RN, Ivanaldo Maia, e do SINDLEITE, Túlio Veras.

O Cluster

O Cluster Tecnológico Naval do Rio Grande do Norte (CTN-RN) é uma associação civil sem fins lucrativos que visa impulsionar a geração de negócios relacionados à economia do mar potiguar. A associação foi fundada por seis instituições de interesses complementares: a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), a Intermarítima Portos e Logística S.A., o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do RN (Senai-RN), a Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron), a Cooperativa de Produção e Serviços da Cadeia Produtiva da Pesca e da Aquicultura do Brasil (Coopesbra) e a Brava Energia.

A formação do Cluster tem por objetivo atrair a iniciativa privada para a geração de negócios e a criação de um ecossistema de prosperidade, atuando em tríplice hélice frente a indústrias, fornecedores de produtos e serviços, armadores, investidores e demais partes interessadas em seus principais segmentos de atuação.