O período chuvoso no litoral e no Agreste do Rio Grande do Norte deve se estender até meados de julho e início de agosto. A previsão é do chefe da unidade de Meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), Gilmar Bristot, que também alertou para os efeitos do fenômeno El Niño no segundo semestre, com aumento das temperaturas e da sensação térmica em diversas regiões do Estado.
Em entrevista à rádio Mix FM Natal, Bristot afirmou que as chuvas registradas em 2026 surpreenderam os meteorologistas, uma vez que os indicadores oceânicos apontavam para um cenário menos favorável. “Nós tivemos uma grata surpresa este ano. Não estava tão favorável para chuvas, nem o Atlântico Sul, e nós tivemos chuvas de normal acima do normal em algumas regiões”, afirmou.

Segundo ele, o período chuvoso já chegou ao fim no semiárido potiguar, abrangendo as regiões Oeste e Central, onde o principal sistema meteorológico atuante é a Zona de Convergência Intertropical entre fevereiro e maio. “No interior do Estado, as chuvas já estão começando a diminuir. Ainda tem algumas pancadas de chuva acontecendo no interior, mas a tendência é diminuir”, explicou.
De acordo com o meteorologista, os maiores volumes foram registrados em áreas do Alto Oeste, Vale do Açu, região de Mossoró e Chapada do Apodi. Já no Seridó Oriental, onde estão municípios como Currais Novos e Parelhas, as precipitações ficaram ligeiramente abaixo da média histórica.
“O Seridó Oriental teve chuvas um pouco abaixo do normal. Mas, nas demais áreas do Seridó, as chuvas ficaram dentro do normal”, disse. Ele destacou ainda a recuperação dos reservatórios da região. “Tivemos boa recarga dos açudes na região do Seridó. Na região Oeste também tivemos boas recargas.”
Litoral
Enquanto o interior entra na fase de redução das precipitações, o litoral e o Agreste seguem em plena estação chuvosa, influenciados pelas condições do Oceano Atlântico Sul. “Pelo menos até meados de julho e início de agosto”, respondeu Bristot ao ser questionado sobre a duração das chuvas na faixa leste do Estado.
Segundo ele, junho é historicamente o mês mais chuvoso em Natal. O meteorologista ressaltou que o desempenho das chuvas foi melhor do que o inicialmente previsto. “A tendência inicial era que tivéssemos chuvas abaixo do normal. E essa condição foi superada, principalmente pela atuação das ondas de convergência. Ela se posicionou bem sobre o Nordeste e fez chuvas um pouquinho acima do normal.”
El Niño deve aumentar calor no RN
Apesar do comportamento favorável das chuvas neste ano, Bristot afirmou que a formação de um novo episódio de El Niño preocupa meteorologistas por causa dos impactos esperados nos próximos meses.
“O El Niño é o aquecimento das águas tropicais equatoriais ao longo do Oceano Pacífico”, explicou. Segundo ele, o fenômeno deve atingir seu pico entre setembro e novembro. “A previsão para o auge, que deverá acontecer entre setembro, outubro e novembro, deverá ficar entre 2,5 e 3 graus.”
O especialista destacou que o fenômeno favorece chuvas acima da média na Região Sul e dificulta a formação de sistemas produtores de chuva no Nordeste. “O El Niño, com a mudança na circulação atmosférica, bloqueia aqui no Nordeste e facilita o trânsito das frentes frias e dos sistemas frontais no Sul do país, fazendo com que haja mais chuva.”
Por isso, acrescentou, estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina já acompanham o cenário com atenção. No Rio Grande do Norte, os efeitos mais perceptíveis devem ser o enfraquecimento dos ventos e o aumento das temperaturas.
“O que a gente vai sentir desse impacto do El Niño é uma diminuição do vento e uma maior sensação térmica. Nós teremos um aumento de temperatura, principalmente aqui no setor leste do Estado.” Gilmar Bristot lembrou que episódios semelhantes já provocaram temperaturas extremas no interior potiguar. “Em setembro de 2024, nós tivemos Caicó com 40 graus durante o mês de setembro.”
A preocupação dos meteorologistas também se estende ao próximo ano. Segundo Bristot, os modelos indicam que o El Niño poderá permanecer ativo até os primeiros meses de 2027. “Há uma tendência de que nós tenhamos o prolongamento desse El Niño, pelo menos até os primeiros três meses de 2027, prejudicando a condição de chuvas no inverno de 2027 aqui no Nordeste.”
Ele explicou que o fenômeno pode favorecer os sistemas que atuam na pré-estação chuvosa, entre dezembro e fevereiro, mas prejudicar o principal período de chuvas do semiárido caso permaneça ativo durante o primeiro semestre. “Se ele entrar para o período chuvoso, vai prejudicar as chuvas e aí nós teremos condição de pouca chuva.”
Durante a entrevista, o chefe da Meteorologia da Emparn destacou investimentos realizados para modernizar o sistema de monitoramento climático do Estado. Segundo ele, foram instaladas 125 estações meteorológicas automáticas com monitoramento remoto, além da implantação de sistemas de previsão para todos os municípios potiguares.
“Nós reestruturamos todo o monitoramento do Estado, instalamos 125 estações automáticas com monitoramento remoto.” De acordo com Bristot, a população pode acompanhar previsões detalhadas por município por meio do portal da instituição.