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Marrocos

Técnico de Marrocos encara primeiro grande desafio

Campeão mundial sub-20, Mohamed Ouahbi estreia em Copas com apenas três meses no comando da seleção principal e aposta na continuidade do projeto marroquino
Por O Correio de Hoje
12/06/2026 | 14:46

A estreia de Marrocos na Copa do Mundo de 2026 diante do Brasil, neste sábado (13), marcará também um dos primeiros grandes testes da trajetória de Mohamed Ouahbi à frente da seleção africana. Contratado em março e com vínculo até 2030, o treinador de 49 anos chega ao Mundial após apenas cinco partidas no comando da equipe principal, com um retrospecto de três vitórias e dois empates.

A curta experiência no cargo contrasta com a dimensão das expectativas em torno da seleção marroquina. Se Carlo Ancelotti terá pouco mais de um ano de trabalho à frente do Brasil durante o torneio, Ouahbi desembarca na competição com apenas três meses de atuação. Ainda assim, a federação marroquina vê sua escolha como uma continuidade natural de um projeto que ganhou relevância internacional nos últimos anos.

Técnico do Marrocos
Técnico do Marrocos está confiante - Foto: Reprodução / Internet

Nascido na Bélgica e filho de imigrantes marroquinos, Ouahbi assumiu o posto após a saída de Walid Regragui, treinador responsável pela histórica campanha que levou Marrocos ao quarto lugar na Copa do Mundo de 2022.

Regragui deixou o cargo depois do vice-campeonato da Copa Africana das Nações, competição cujo resultado ainda é objeto de disputa judicial. No momento, a seleção marroquina é considerada a campeã do torneio.

A principal credencial do novo treinador veio das categorias de base. Em 2025, Ouahbi comandou a conquista inédita da Copa do Mundo Sub-20, resultado que fortaleceu sua posição dentro da estrutura da federação.

Na campanha do título, Marrocos superou seleções tradicionais como Brasil, Espanha e França antes de derrotar a Argentina na decisão.

A promoção do técnico ao time principal ocorreu dentro de uma política voltada à preservação de identidade e continuidade. Apesar do sucesso recente das categorias de base, apenas um atleta da geração campeã mundial sub-20 foi convocado para a Copa de 2026: o atacante Gessime Yassine, de 20 anos, que atua pelo Strasbourg.

A opção reforça a aposta em um elenco mais experiente, cuja média de idade é de 26 anos.

Formado profissionalmente no Anderlecht, uma das principais instituições do futebol da Bélgica, Ouahbi construiu sua carreira em trabalhos ligados ao desenvolvimento de jovens atletas. Entre 2003 e 2021, passou por diferentes funções nas categorias de base do clube, período em que estabeleceu as relações profissionais que formam hoje sua comissão técnica.

O treinador costuma definir sua metodologia como uma combinação entre conceitos táticos europeus e características históricas do futebol marroquino.

Em campo, a expectativa é de que a equipe preserve a consistência defensiva que se tornou marca registrada da campanha de 2022. Naquele Mundial, Marrocos eliminou seleções como Bélgica, Espanha e Portugal sustentando uma estrutura defensiva sólida e eficiente.

Ao mesmo tempo, o novo comandante tenta ampliar o repertório ofensivo da equipe, incentivando maior controle da posse de bola sem abrir mão das transições rápidas que caracterizaram o time nos últimos ciclos.

Depois de surpreender o mundo em 2022, a seleção deixou de ocupar a posição de azarão e passou a conviver com expectativas mais elevadas. A pressão por resultados e por um desempenho compatível com o crescimento do projeto tornou-se parte do ambiente da equipe.

Consciente desse cenário, o treinador tem adotado um discurso que combina ambição e cautela.

“O Marrocos está aqui, importa e pretende mostrar isso em campo por muitos anos. Espero um jogo difícil. Estamos focados e muito confiantes, mas também muito humildes, porque vamos enfrentar um gigante. Mas também temos que acreditar em nós mesmos”, afirmou em entrevista à Fifa.

Diante do Brasil, Mohamed Ouahbi terá a primeira oportunidade de demonstrar, em um palco de alcance global, se a aposta da federação marroquina na continuidade do projeto iniciado nas categorias de base pode sustentar o protagonismo conquistado pela seleção nos últimos anos.