A indústria da construção civil movimentou R$ 5,92 bilhões em incorporações, obras e serviços no Rio Grande do Norte em 2024, segundo dados da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (Paic), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira,10. O desempenho representou 7,1% de toda a atividade do setor no Nordeste e reforçou o peso da construção na economia potiguar, mas também evidenciou uma característica que preocupa o setor produtivo: a baixa participação das obras de infraestrutura em comparação com a média nacional.
Na avaliação do presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Norte (Sinduscon-RN), Sérgio Azevedo, esses números do IBGE mostram um retrato da relevância econômica da atividade, mas também um indicativo da necessidade de ampliar investimentos públicos e privados em obras estruturantes.

“Os dados divulgados pelo IBGE reforçam a importância da construção civil para a economia do Rio Grande do Norte”, afirma. Segundo ele, é importante observar que a Paic não mede o desempenho conjuntural do mercado, mas sim a estrutura da atividade econômica em determinado período. “É importante destacar que a Pesquisa Anual da Indústria da Construção (Paic) não mede o momento atual do mercado. Trata-se de uma pesquisa estrutural, que retrata a dimensão e a composição do setor em determinado período e serve de referência para análises econômicas e formulação de políticas públicas”, ressalta.
O levantamento mostra que o setor mantinha 976 empresas em atividade no Estado, responsáveis pela ocupação de 32.551 trabalhadores. Juntas, elas desembolsaram mais de R$ 1,01 bilhão em salários, retiradas e outras remunerações ao longo do ano. A remuneração média foi equivalente a 1,7 salário mínimo.
Para Azevedo, os dados confirmam a relevância da construção civil na geração de emprego e renda. “Em 2024, a construção civil gerou cerca de R$ 5,9 bilhões em obras, incorporações e serviços no Estado e manteve mais de 32 mil empregos formais, confirmando seu papel como um dos principais motores da geração de renda e desenvolvimento no RN”, afirma.
Entre os resultados da pesquisa, um dos aspectos que mais chamaram a atenção do Sinduscon-RN foi a predominância da construção de edifícios no Estado. O segmento respondeu por 45,8% de todo o valor gerado pela construção civil potiguar em 2024, à frente das obras de infraestrutura, que representaram 39,9%, e dos serviços especializados, com 14,3%.
No Brasil, o cenário é diferente. As obras de infraestrutura lideraram a atividade da construção civil nacional, respondendo por 38,4% do valor total gerado pelo setor. Para o presidente do Sinduscon-RN, essa diferença revela tanto a força do mercado imobiliário local quanto uma deficiência histórica em investimentos públicos estruturantes.
“Um aspecto que chama atenção é que, diferentemente do cenário nacional, onde as obras de infraestrutura lideram a atividade da construção, no Rio Grande do Norte a maior participação está na construção de edifícios. Isso demonstra a força do mercado imobiliário potiguar, mas também evidencia uma carência histórica de investimentos em infraestrutura”, afirma.

Segundo o dirigente empresarial, a ampliação dos investimentos em infraestrutura é uma condição necessária para elevar a competitividade do Estado e criar condições para o crescimento de diferentes setores da economia.
“Precisamos ampliar os investimentos em obras estruturantes, como rodovias, saneamento, logística, mobilidade e energia”, defende. Segundo ele, essas áreas exercem papel central no desenvolvimento econômico. “A infraestrutura é fundamental para aumentar a competitividade do Estado, atrair novos investimentos privados e criar as condições para o crescimento de setores como turismo, indústria, comércio e mercado imobiliário”, acrescenta.
Os dados da Paic mostram ainda que 864 das 976 empresas do setor possuem sede no próprio Rio Grande do Norte. Essas companhias foram responsáveis por empregar 29.027 trabalhadores e desembolsar aproximadamente R$ 940 milhões em salários e remunerações, evidenciando o peso das empresas locais na atividade econômica estadual.
Em termos regionais, o Rio Grande do Norte ocupou a quarta posição entre os Estados nordestinos com menor contingente de trabalhadores na construção civil, à frente apenas de Sergipe, Piauí e Alagoas. Os empregados potiguares representaram 7,6% da mão de obra do setor na região. A Bahia liderou o ranking, concentrando 29,9% dos trabalhadores da construção nordestina.
Para Sérgio Azevedo, o diagnóstico apresentado pelo IBGE deve servir como instrumento para orientar políticas de desenvolvimento de longo prazo. “Os números do IBGE mostram a relevância da construção civil para o Rio Grande do Norte, mas também reforçam que existe espaço para avançarmos ainda mais por meio de uma agenda consistente de infraestrutura e desenvolvimento”, afirma.
A edição de 2024 da Paic inaugura uma nova série estatística do IBGE, após mudanças metodológicas decorrentes da substituição da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) pelo eSocial na atualização do Cadastro Central de Empresas. Por esse motivo, os resultados atuais não podem ser comparados diretamente com os levantamentos anteriores.
Mesmo sem a possibilidade de comparação histórica, os dados revelam uma indústria da construção que continua desempenhando papel relevante na economia potiguar, sustentada principalmente pelo mercado imobiliário. Para representantes do setor, o próximo passo é transformar esse dinamismo em uma plataforma de crescimento mais ampla, apoiada por investimentos em infraestrutura capazes de ampliar a produtividade e a capacidade de atração de novos negócios para o Estado.