O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), classificou como “conversa fiada” os questionamentos sobre possíveis ameaças à soberania nacional após o governo dos Estados Unidos anunciar a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras.
A declaração foi feita nesta sexta-feira (29), durante coletiva de imprensa após um evento na capital paulista. Para Nunes, a prioridade deve ser o combate às facções criminosas, e não o debate sobre interferência externa.
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“Essa história de soberania é conversa fiada. A verdadeira soberania é garantir que o trabalhador brasileiro possa viver com tranquilidade, livre dessas organizações criminosas, que agora também passam a ser tratadas como terroristas”, afirmou.
O prefeito defendeu que integrantes do PCC e do Comando Vermelho sejam tratados como terroristas e disse que qualquer iniciativa internacional voltada ao enfrentamento dessas organizações deve ser bem-vinda.
“Se for para interferir e levar integrantes do PCC e do Comando Vermelho para a cadeia, fique muito à vontade. Temos que contar com todos os poderes da República, dos estados e até de outros países para garantir segurança às pessoas de bem”, declarou.
Nunes também criticou a nota divulgada pelo governo federal, que condenou a decisão norte-americana. Segundo ele, o Palácio do Planalto deveria adotar uma postura mais firme contra o crime organizado.
“Lamento que o governo federal tente minimizar um tema tão grave. Estamos falando de organizações criminosas que atuam internacionalmente e que o próprio Estado brasileiro tem dificuldade de combater. O importante é que PCC e Comando Vermelho agora estão na mira da Justiça e das autoridades americanas”, disse.
A decisão dos Estados Unidos foi anunciada pelo Departamento de Estado e prevê que as duas facções brasileiras sejam oficialmente incluídas, a partir de 5 de junho, nas listas de Organizações Terroristas Estrangeiras e de Terroristas Globais Especialmente Designados.
O anúncio ocorreu um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) revelar que pediu pessoalmente ao presidente Donald Trump a classificação das facções como grupos terroristas durante encontro realizado na Casa Branca.
Em nota, o governo brasileiro afirmou que medidas unilaterais adotadas por países estrangeiros podem representar riscos à soberania nacional e prejudicar mecanismos de cooperação internacional no combate ao crime organizado. O Planalto também destacou que o Brasil não aceita interferências externas em assuntos internos do país.