O ex-presidente Jair Bolsonaro não aderiu ao programa de remição de pena por leitura, mesmo após autorização concedida pelo ministro Alexandre de Moraes para utilizar o benefício durante o cumprimento da sentença em prisão domiciliar.
De acordo com relatórios semanais encaminhados pela Polícia Militar do Distrito Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro não registrou nenhuma atividade de leitura desde a autorização, dada em 15 de janeiro. Em todos os 12 documentos enviados ao tribunal, o campo destinado às leituras aparece preenchido com a expressão “não houve”.

A possibilidade de reduzir dias da pena por meio da leitura é prevista no sistema prisional brasileiro, desde que o condenado cumpra critérios formais e comprove a atividade realizada.
O caso chamou atenção porque o ex-presidente já declarou publicamente, em diferentes ocasiões, que não tem o hábito de ler livros. Segundo os registros enviados ao STF, essa postura permaneceu mesmo diante da possibilidade de abatimento da pena.
Enquanto Bolsonaro não utilizou o recurso, outros condenados investigados na trama golpista aderiram ao programa. O ex-ministro da Justiça Anderson Torres leu “A Metamorfose”, de Franz Kafka.
Já o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira escolheu obras como “Vidas Secas” e “São Bernardo”, de Graciliano Ramos, além de “Reminiscências da Campanha do Paraguai”, de Dionísio Cerqueira.
O ex-comandante da Marinha Almir Garnier também aparece entre os condenados que aderiram à leitura, com títulos de temática militar e religiosa registrados nos relatórios encaminhados ao STF.