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Diplomacia

Lula diz que relação com Trump pode evitar novas tarifas ao Brasil

Presidente afirmou que divergências políticas não interferem na relação institucional com o chefe da Casa Branca
Redação
17/05/2026 | 16:06

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista ao jornal americano The Washington Post, publicada neste domingo 17, que uma boa relação pessoal com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode evitar a imposição de novas tarifas ao Brasil.

Segundo a publicação, Lula afirmou que divergências políticas com Trump não impedem o relacionamento institucional entre os dois governos.

Lula e Trump foto Ricardo Stuckert PR
Lula afirmou que relação institucional com Trump pode ajudar a evitar novas tarifas ao Brasil - Foto: Ricardo Stuckert / PR

“Trump sabe que me oponho à guerra com o Irã, discordo de sua intervenção na Venezuela e condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina”, disse.

“Mas, minhas divergências políticas com Trump não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado. O que eu quero é que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que sou o presidente democraticamente eleito aqui”, prosseguiu.

A entrevista foi a primeira concedida por Lula a um jornal desde a reunião com Trump na Casa Branca, em 7 de maio. O encontro ocorreu em meio às discussões entre os dois países sobre tarifas comerciais e relações diplomáticas.

Segundo o Washington Post, Lula afirmou acreditar que uma relação cordial com Trump pode contribuir para atrair investimentos americanos ao Brasil e garantir respeito à democracia brasileira. Ao mesmo tempo, o presidente disse que não pretende aceitar imposições dos Estados Unidos.

A publicação classificou a postura de Lula como diferente da mantida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que tinha alinhamento político com Trump.

“Eu jamais pediria a Trump para não gostar de Bolsonaro. Isso é problema dele”, afirmou Lula.

“Não preciso fazer nenhum esforço para que ele saiba que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso”.

Na entrevista, Lula também defendeu que os Estados Unidos tratem a América Latina como parceira.

“A China descobriu e entrou na América Latina”, disse.

“Hoje, meu comércio com a China é o dobro do meu comércio com os Estados Unidos. E essa não é a preferência do Brasil.”

“Se os Estados Unidos quiserem passar para a frente da fila”, declarou, “ótimo. Mas eles precisam querer isso.”

A Secretaria de Comunicação da Presidência não divulgou o material original da entrevista em português.