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Política

Fim do Governo Fátima é “deprimente”, diz Tomba

Deputado do PL afirmou que governo chega ao fim com rejeição elevada e avaliação negativa
Por O Correio de Hoje
29/04/2026 | 16:36

O deputado estadual Tomba Farias (PL) afirmou, durante sessão da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, que a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) se aproxima do fim com alta rejeição e avaliação negativa, ao mesmo tempo em que fez críticas à condução administrativa do Estado, com foco nas áreas de saúde, educação, segurança pública e comunicação institucional.

Ao iniciar o pronunciamento, o parlamentar fez questão de registrar que sua posição não se baseia em oposição automática ao governo. “Não sou daqueles que torcem contra o Rio Grande do Norte. Nem adoto a política do quanto pior, melhor”, disse, acrescentando em seguida que preferia um cenário diferente para o Estado. “Gostaria até que a governadora Fátima Bezerra tivesse feito um bom e grande governo. Pois é bom para o nosso povo, é bom também para mim e é bom também para o nosso Estado do Rio Grande do Norte”.

Tomba Farias foto João Gilberto
Deputado estadual Tomba Farias (PL) - Foto: Eduardo Maia / ALRN

A partir desse ponto, Tomba passou a sustentar que o desempenho da gestão não corresponde às expectativas e à realidade percebida pela população. “O que se vê é a governadora Fátima chegar ao fim do seu governo de forma deprimente e melancólica, rejeitada e com administração mal avaliada”, afirmou, destacando que, na sua avaliação, há um descompasso entre o discurso oficial e a percepção popular. “Somente a própria governadora e seus aliados próximos acreditam que o seu governo não foi um fracasso”, disse.

Na área da educação, Tomba citou avaliações feitas por especialistas e utilizou dados para reforçar sua crítica ao desempenho do Estado. “Até mesmo um político de esquerda, como o professor Robério Paulino, admite o caos em áreas como a educação”, afirmou, acrescentando que o Rio Grande do Norte apresenta taxa de analfabetismo próxima de 14%, o que classificou como elevado.

“Ou seja, em cada sete ou oito potiguares, ainda não sabe ler nem escrever”, disse, destacando que o dado contrasta com o contexto atual de expansão tecnológica e acesso à informação. O deputado também mencionou atraso na implementação da educação em tempo integral, afirmando que o Estado apresenta índices aquém das referências regionais, o que, segundo ele, reforça o quadro de estagnação na área.

O principal foco das críticas foi a saúde pública, que o deputado classificou como um dos setores mais afetados pela gestão estadual. Tomba afirmou que a população enfrenta dificuldades diárias no acesso a serviços e que a situação se agravou com a paralisação de médicos que atuam na média e alta complexidade.

“Médicos iniciaram uma paralisação devido ao atraso de pagamentos por serviços prestados desde setembro de 2025”, disse, apontando que a falta de regularidade nos repasses compromete o funcionamento da rede. Ele também citou o volume de pacientes à espera de procedimentos. “Mais de 47 mil pessoas esperam por uma cirurgia do Sistema Único de Saúde”, afirmou, com base em dados do sistema Regula Cirurgia, acrescentando que o Conselho Regional de Medicina classificou o cenário como “crítico e inaceitável”.

Segundo o parlamentar, a falta de estrutura e de atendimento tem levado a população a buscar apoio direto junto aos deputados. “Os deputados têm virado plano de saúde do Estado do Rio Grande do Norte”, declarou, ao relatar a procura por intermediação de vagas em UTI, cirurgias e outros procedimentos.

Na área da segurança pública, o deputado afirmou que a situação também apresenta discrepância entre o discurso institucional e a realidade vivida pela população. “Somente na propaganda do governo vai tudo bem”, disse, ao citar episódio envolvendo a Brisanet, que denunciou ameaças a funcionários e danos a equipamentos em bairros como Felipe Camarão, Planalto e Leningrado, deixando moradores sem serviço de internet. “Facções são quem estão ditando a regra do jogo”, afirmou, ao associar o episódio a um cenário mais amplo de fragilidade na segurança.