As forças armadas do Irã anunciaram a retomada de restrições à passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, após acusarem os Estados Unidos de “repetidas violações de confiança” relacionadas ao cessar-fogo entre os dois países.
A decisão ocorre poucas horas depois de o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmar, na sexta-feira 17 que o estreito permanecia aberto ao tráfego marítimo. Em seguida, a mídia estatal iraniana informou que a passagem de embarcações passaria a estar sob “supervisão total das forças armadas iranianas”, indicando que o trânsito seria considerado inválido caso o bloqueio naval americano continuasse.

Do lado norte-americano, o presidente Donald Trump reiterou que o bloqueio naval aos portos iranianos seguirá em vigor até que seja firmado um acordo completo com o governo de Teerã.
Segundo um porta-voz militar iraniano, o país tem permitido a passagem de “um número limitado de petroleiros e navios comerciais” pelo estreito. Ainda assim, o representante criticou a atuação dos Estados Unidos.
“Mas, infelizmente, os americanos, com suas repetidas violações de confiança que fazem parte do seu histórico, continuam a se envolver em pirataria e roubo marítimo sob o chamado título de bloqueio”, disse o porta-voz, segundo a agência de notícias semioficial Fars.
O porta-voz afirmou ainda que o controle da região voltou a ficar “sob a gestão e controle rigorosos das forças armadas”, condição que será mantida enquanto os Estados Unidos não encerrarem o bloqueio de navios com origem ou destino em portos iranianos.
As negociações entre os dois países permanecem indefinidas após o fracasso de uma primeira rodada de diálogo realizada em Islamabad, no último fim de semana. Não há confirmação sobre quando ou onde um novo encontro poderá ocorrer.