BUSCAR
BUSCAR
Política

Lula escolhe José Guimarães para comandar articulação política no Planalto

Gleisi Hoffmann deixou a pasta para concorrer às eleições; posse do sucessor deve ocorrer na terça-feira
Por O Correio de Hoje
13/04/2026 | 15:40

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) definiu o líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), como o novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), pasta responsável pela articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso Nacional.

A decisão foi tomada após consulta do governo ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A nomeação deverá ser publicada nesta segunda-feira 13, com cerimônia de posse prevista para a terça-feira 14.

Lula e Jose Guimara~es
Presidente Lula e o novo ministro José Guimarães, que substitui Gleisi Hoffmann - Foto: Reprodução

O cargo estava vago desde a saída de Gleisi Hoffmann, que deixou a função para disputar o Senado pelo Paraná. Um dos fatores que pesaram na escolha de Guimarães foi sua atuação como líder do governo desde o início do atual mandato, período em que acumulou conhecimento sobre as negociações entre o Executivo e o Legislativo. Segundo aliados do Planalto, essa experiência permitirá a continuidade do trabalho desenvolvido por sua antecessora.

Antes da definição, outros nomes chegaram a ser cogitados. O presidente Lula desistiu de nomear o secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão, Olavo Noleto, após ressalvas manifestadas por líderes do Congresso. Apesar de sua trajetória em gestões petistas, Noleto nunca exerceu mandato eletivo, o que pesou contra sua indicação.

De acordo com interlocutores do governo, Lula avaliou que a função exigia um articulador com vivência parlamentar e conhecimento das dinâmicas e do equilíbrio de forças no Congresso. A partir dessa análise, passaram a ser considerados os nomes do senador Otto Alencar (PSD-BA) e do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias.

Otto Alencar, no entanto, informou a aliados que não poderia assumir o cargo, citando, entre outros motivos, questões de saúde e o projeto de disputar a reeleição ao Senado pela Bahia. Já Wellington Dias, responsável por programas como o Bolsa Família, demonstrou disposição para colaborar com o governo, mas optou por permanecer em sua atual função.

Responsável por intermediar as relações entre o Executivo e o Legislativo, a Secretaria de Relações Institucionais atua na negociação de acordos com deputados e senadores e na gestão da liberação de emendas parlamentares. Nesse contexto, o Palácio do Planalto considerou Guimarães o nome mais adequado para o posto.

Com a ida do parlamentar para o ministério, Lula escolheu o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) para assumir a liderança do governo na Câmara. Pimenta foi ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República nos primeiros anos do atual mandato.

Em seu quinto mandato como deputado federal, José Guimarães mantém bom relacionamento com lideranças do Congresso. Ele é próximo do presidente da Câmara, Hugo Motta, e também construiu interlocução com o ex-presidente da Casa Arthur Lira (PP-AL) e com representantes do centrão.

Segundo relatos de bastidores, Motta elogiou a escolha após ser consultado pelo governo. Líderes do centrão também avaliam positivamente a indicação, destacando a previsibilidade e a capacidade de diálogo do deputado. Um integrante da cúpula do Legislativo afirmou que Guimarães “não dá cavalo de pau”, em referência ao seu estilo político.

Outro fator considerado favorável foi a boa relação do parlamentar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Esse aspecto ganha relevância em meio ao desgaste na interlocução entre Alcolumbre e o líder do governo na Casa, senador Jaques Wagner (PT-BA).

A escolha de Guimarães foi negociada ao longo de várias semanas. O deputado planejava disputar o Senado pelo Ceará e chegou a apresentar pesquisas ao Planalto para demonstrar a viabilidade de sua candidatura. No entanto, Lula insistiu na indicação e formalizou o convite na última quinta-feira 9.

Após o acerto, Guimarães esteve no Ceará para concluir tratativas com o governador Elmano de Freitas (PT) e com o ministro da Educação, Camilo Santana, que aconselhou o presidente a nomear o líder do governo para a função.

Figura influente dentro do Partido dos Trabalhadores, Guimarães chegou a ser cogitado para presidir a legenda. Em 2005, quando era deputado estadual, ganhou notoriedade nacional após a prisão de um assessor no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com US$ 100 mil escondidos na cueca e R$ 209 mil em uma mala de mão. O processo foi encerrado pela Justiça Federal em 2021.