O deputado estadual Coronel Azevedo (PL) saiu em defesa de Styvenson Valentim (PSDB) e minimizou as declarações do senador de que coronéis ganham “dinheiro fácil” e “não fazem nada”. Ao comentar o caso durante sessão na Assembleia Legislativa, Azevedo afirmou que a fala de Styvenson foi retirada de contexto e que houve exploração política do episódio.
“Talvez ele tenha colocado fora de contexto. Como diz o ditado, quem não errou, que atire a primeira pedra. Mas o PT tem festejado isso como nunca em cima do senador Styvenson, por esse descontexto (sic)”, afirmou.

Em seu discurso, Azevedo elogiou a atuação parlamentar de Styvenson e voltou a relativizar as declarações. “Um dos melhores senadores do Senado da República. Alguém se aproveitou da característica do senador, que fala um pouco de maneira descontraída, fala tentando fazer comparativos”, destacou.
Segundo Azevedo, a declaração não reflete o posicionamento do senador sobre a corporação. “Não é a essência, não é o âmago do que ele quis transmitir”, enfatizou o deputado estadual.
A fala de Styvenson aconteceu em um evento no município de Parelhas no último domingo 29. Durante a inauguração de uma escola, o senador afirmou que coronéis da Polícia Militar “não fazem nada” e ganham “dinheiro fácil”. Ele deu a declaração enquanto comentava sua decisão de deixar a Polícia Militar para ingressar na política. Antes de ser eleito em 2018, Styvenson era tenente da PM e ganhou notoriedade como operador da Lei Seca. Hoje, é capitão da reserva.
“Não me arrependo nem um dia de estar aqui representando vocês. Não me arrependo. Podia estar coronel hoje na PM sem fazer nada, porque tu sabe que coronel não faz nada. Podia estar na PM ganhando dinheiro fácil, já beirando me aposentar. Mas não, fui lá fazer o que eu não sabia fazer”, declarou.
O deputado estadual Francisco do PT criticou duramente a declaração e classificou o episódio como ofensivo à instituição. “Uma fala infeliz, injusta, desqualificada e agressiva de um senador da República do Rio Grande do Norte”, disse, acrescentando que, no passado, Styvenson “usou a Polícia Militar como trampolim para se eleger senador”.
“Agora cospe no prato onde comeu”, registrou Francisco. “Poderia ter utilizado o seu pronunciamento para exaltar a ação que ele proporcionou, mas ele preferiu agredir a instituição de onde ele tem origem”, enfatizou o deputado do PT.
Ele afirmou que a declaração atingiu diretamente os profissionais da segurança pública. “Essa é uma atitude extremamente desrespeitosa de um ex-oficial da Polícia Militar”, declarou. “Eu sei que a maioria do povo potiguar não concorda com essa fala desrespeitosa”, declarou.
Francisco do PT ressaltou ainda que a posição do senador desrespeita a trajetória dos policiais militares. “Deixo aqui minha solidariedade aos oficiais da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, que foram agredidos”, disse.
Sobre a fala de Azevedo, o deputado do PT ironizou a posição do colega. “Vivi para ver um coronel desrespeitado defender quem o desrespeitou”, afirmou.
Reação
A declaração de Styvenson Valentim repercutiu na corporação. Em nota, a Polícia Militar do Rio Grande do Norte manifestou “seu profundo lamento e discordância” em relação às falas. O texto é assinado pelo comandante-geral da PM, coronel Alarico Azevedo.
“Causa estranheza e indignação que tais palavras, que tentam desqualificar o trabalho de oficiais de alta patente, partam de um membro da reserva da nossa própria corporação”, destacou a PMRN.
“Ao afirmar que ‘coronéis não fazem nada’ e sugerir que o serviço na PM seria um meio de auferir ‘dinheiro fácil’, o parlamentar ignora a realidade de dedicação extrema, o risco de vida inerente à profissão e a alta complexidade técnica que envolve a segurança pública contemporânea”, destacou a corporação.
A PM diz, ainda, que “do soldado ao coronel, cada integrante desta força tem uma missão específica e um papel fundamental no universo da segurança”. “O oficialato superior não ocupa cargos de inércia, mas sim funções de alta responsabilidade logística, jurídica e operacional, servindo como o alicerce indispensável para que a ponta da linha funcione com precisão e segurança”, acrescenta a Polícia.
“É preciso ressaltar que nossa atuação vai muito além do policiamento ostensivo, abrangendo a gestão de hospitais e centros clínicos na capital e no interior, garantindo atendimento de saúde essencial não apenas à família militar, mas a toda a sociedade”, emenda a instituição.