O deputado estadual Francisco do PT, líder do governo na Assembleia Legislativa, afirmou que a gestão do ex-prefeito Álvaro Dias deixou 46 obras inacabadas em Natal e uma dívida superior a R$ 800 milhões, segundo dados divulgados à época da transição municipal. A declaração foi feita durante entrevista à rádio FM Universitária, ao comentar o ambiente político e rebater críticas dirigidas por Álvaro ao governo estadual.
Segundo o parlamentar, os números não são novos nem contestados. “A mídia toda divulgou que o atual prefeito Paulinho Freire herdou uma dívida de mais de R$ 800 milhões da gestão anterior, que era do ex-prefeito Álvaro Dias, e 46 obras inacabadas. Não sou eu que estou dizendo, a imprensa toda divulgou, e nunca houve um desmentido sobre isso”, afirmou. Na sequência, ele utilizou o caso para relativizar críticas à gestão estadual: “Se a gente partisse para essa lógica que querem colocar, provavelmente Paulinho não teria tido coragem de ser prefeito de Natal”.

A fala se insere em um contexto mais amplo de disputa política no Rio Grande do Norte, que envolve a reorganização de forças e a antecipação do cenário eleitoral de 2026. Ao comentar a movimentação recente do Republicanos, o deputado destacou a velocidade das mudanças nos bastidores. O partido saiu das mãos de Álvaro Dias e foi transferido para o grupo do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União). Os dois são adversários na corrida rumo ao Governo do Estado.
“Tomei conhecimento pela mídia, não era isso que se cogitava nos bastidores. Na Assembleia, todo mundo dava como certo que o partido ficaria com o presidente desta Casa, Ezequiel Ferreira, mas é a vida, é a política. Ela vai mudando a cada hora, a cada minuto”, disse.
No campo governista, Francisco reforçou a confiança na pré-candidatura ao governo do secretário da Fazenda, Cadu Xavier (PT), e projetou um cenário competitivo. Ele pediu cautela nas análises antecipadas e citou a força política do grupo. “Não subestimem a liderança e a capacidade política da governadora Fátima Bezerra, nem o nosso pré-candidato Cadu Xavier, nem a força de Lula, que teve mais de 60% dos votos na eleição passada”, afirmou, acrescentando: “Podem ter certeza, chegará ao segundo turno”.
Para sustentar a avaliação, o deputado recorreu ao histórico recente das eleições estaduais. “Em 2021, um ano antes da eleição, a governadora tinha índices de desaprovação em torno de 60%. Se dizia que o governo acabou, que ela não ganharia. E ela foi reeleita em primeiro turno”, lembrou. Em seguida, ponderou: “Não estou afirmando que isso vai se repetir”.
Ao tratar da organização partidária, indicou que o cenário ainda está em construção e depende do calendário eleitoral. A expectativa, segundo ele, é de que a federação formada por PT, PV e PCdoB mantenha competitividade e possa ampliar a representação conquistada em 2022, quando elegeu 6 deputados estaduais e 2 federais.
Francisco também criticou o ambiente de debate público e apontou distorções na forma como informações são difundidas. Segundo ele, há interferência direta na percepção da população. “Há um segmento da comunicação que vive dia e noite de desinformar”, afirmou. Em outro momento, relatou experiências pessoais: “Já fui para entrevistas em que o entrevistador era um inquisidor, não estava entrevistando, estava debatendo”. Para o deputado, a repetição dessas narrativas produz efeitos concretos: “Uma mentira dita muitas vezes pode virar uma verdade”.
No campo administrativo, o parlamentar defendeu a condução do governo estadual e reconheceu dificuldades fiscais, que classificou como históricas. “No mundo ideal, o Estado não estaria há 20 anos acima do limite da lei de responsabilidade fiscal, mas essa é a realidade que foi herdada”, disse.