O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), informou a aliados que pretende renunciar ao cargo na próxima segunda-feira 23, um dia antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode resultar na cassação do seu mandato.
A decisão ocorre em meio ao processo que já registra placar de 2 a 0 pela cassação e inelegibilidade do governador. A renúncia é avaliada como forma de alterar o cenário da sucessão e tentar viabilizar a realização de uma eleição indireta para o mandato-tampão até o fim deste ano.

Caso a cassação seja confirmada pelo TSE, há a possibilidade de realização de eleição direta, o que reduziria a influência do governador na escolha do sucessor imediato.
Segundo relatos, a renúncia também busca esvaziar o julgamento e alongar a discussão sobre a inelegibilidade, com o objetivo de manter aberta a possibilidade de candidatura ao Senado.
A decisão foi tomada após reuniões realizadas nesta quinta-feira 19 no Palácio Laranjeiras, com a presença de aliados, entre eles Antônio Rueda, presidente do União Brasil, Altineu Côrtes (PL), vice-presidente da Câmara, e o deputado federal Doutor Luizinho (PP).
Durante os encontros, o grupo discutiu cenários para a eleição indireta após decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que alterou regras do processo ao analisar pedido do Partido Social Democrático (PSD).
A liminar determinou a adoção de voto secreto e o cumprimento do prazo de seis meses de desincompatibilização para ocupantes de cargos executivos.
Com isso, ficam impedidos de disputar o mandato-tampão nomes que vinham sendo articulados junto a deputados, como Nicola Miccione, secretário da Casa Civil, Douglas Ruas, ex-secretário das Cidades, e André Ceciliano (PT), secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal.
A decisão de Luiz Fux ainda será analisada pelo plenário do STF, em data a ser definida.
A possibilidade de eleição indireta ganhou força após movimentação feita no ano passado por Cláudio Castro, que articulou a nomeação do então vice-governador Thiago Pampolha para o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE).
A medida abriria espaço para que o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), assumisse o governo e concorresse à reeleição no cargo.
Esse cenário foi alterado após o afastamento de Bacellar da presidência da Alerj, em meio a acusações de vazamento de informações relacionadas a uma operação policial contra o ex-deputado TH Joias, apontado como ligado ao Comando Vermelho.
Aliados do governador também discutiram a sucessão na Alerj, diante da possibilidade de condenação de Bacellar, o que poderia levar à eleição de um novo presidente definitivo da Casa.