Governo brasileiro negocia investimento da Petrobrás em leilão em Israel

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, se encontrou neste domingo, 31, com o seu homólogo israelense, Yuval Steinitz. Durante o encontro, trataram de uma possível participação da Petrobrás no segundo leilão de gás natural e exploração de óleo em duas áreas licitadas pelo país, informou o MME, em nota oficial. Segundo o ministério brasileiro, esse é o segundo encontro dos dois. O primeiro aconteceu nos Estados Unidos, neste mês, durante o evento Cera Week 2019.

“Ficou acordado que a Petrobrás, que está entre as maiores companhias de energia do mundo … tomará parte no processo de exploração de petróleo e gás em Israel”, disse Steinitz à Army Radio.

Um número de grandes descobertas de gás offshore em águas de Israel e do Mediterrâneo oriental na última década colocou Israel no mapa para grandes empresas de energia.

Israel está leiloando 19 novos blocos offshore a empresas de petróleo e gás. Um leilão anterior gerou propostas de apenas dois grupos de companhias, e o ministro de Energia afirmou esperar maior competição desta vez, uma vez que as condições melhoraram. A Exxon Mobil Corp, em uma grande mudança de sua política, também está considerando participar do leilão.

Além da concorrência, os ministros discutiram hoje a assinatura de três protocolos de cooperação: um na área de exploração de óleo e gás em águas profundas; outro relativo à regulação, envolvendo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP); e outro relativo à cibersegurança, voltada para o setor de energia.

Procurada, a Petrobrás informou que não irá comentar a informação do MME de que pode participar de leilão em Israel. Nos últimos anos, a Petrobrás encolheu sua presença no exterior para concentrar no mercado interno, principalmente no pré-sal, que é o foco do seu plano estratégico. Para ter recursos para investir na região, a empresa tem se desfeito de ativos em outras áreas no Brasil.

Corinthians vence Santos e fica em vantagem nas semifinais do Paulista

Em um clássico com três falhas do setor defensivo, venceu quem errou menos. O Corinthians aproveitou melhor as oportunidades e derrotou o Santos por 2 a 1 neste domingo, em Itaquera, no jogo de ida das semifinais do Campeonato Paulista.

O zagueiro Manoel apareceu entre os zagueiros adversários e abriu o placar para o time da casa. Mas Cássio falhou e permitiu o Santos empatar com Derliz González com sete minutos de partida. Ainda na etapa inicial, Luiz Felipe afastou mal e a bola sobrou para Clayson garantir a vitória.

O resultado deixa a equipe de Fábio Carille com a vantagem do empate no duelo de volta, marcado para segunda-feira, às 20h, no Pacaembu. Se o Santos ganhar por um gol de diferença a decisão da vaga vai para os pênaltis. Na outra semifinal, Palmeiras e São Paulo empataram o primeiro jogo sem gols no Morumbi e jogam novamente no domingo, no Allianz Parque.

O Corinthians volta a campo na quarta-feira, quando receberá o Ceará na partida de volta da terceira fase da Copa do Brasil. O time paulista venceu a ida, fora de casa, por 3 a 1. Pela mesma competição, o Santos visitará o Atlético-GO na quinta-feira no primeiro confronto entre as equipes.

Em Itaquera, quem esperava o Santos tocando de um lado ao outro e o Corinthians com suas duas linhas de quatro esperando a falha do adversário teve de esperar os surpreendentes dez minutos iniciais. Sornoza cruzou da esquerda logo aos três, Manoel apareceu livre entre os zagueiros adversários e mandou de cabeça para as redes.

A resposta do Santos veio em seguida também na bola parada. Jean Mota cobrou escanteio da direita, Cássio saiu mal e deixou a bola escapar. Derliz González aproveitou e fez: 1 a 1. Só a partir daí as coisas voltaram ao normal. O Corinthians adotou o mesmo padrão dos jogos com a Ferroviária, postura diferente do duelo com o Santos pela primeira fase. Em vez de marcar sob pressão, esperava o adversário em seu campo de defesa.

O Santos era o mesmo, girava a bola com passes curtos até chegar aos pés do goleiro Vanderlei, deixando seu torcedor sem ar. Faltava um finalizador no ataque. As equipes tinham dificuldade para criar até que veio mais uma falha. O zagueiro Luiz Felipe afastou de cabeça nos pés de Clayson, que cortou Victor Ferraz na esquerda e bateu cruzado no canto oposto de Vanderlei para marcar.

Nos minutos finais da primeira etapa, o zagueiro Felipe Aguilar se chocou com Danilo Avelar e desmaio na pequena área. O jogador deixou o campo de ambulância e deu lugar a Lucas Veríssimo. De acordo com a assessoria de imprensa do Corinthians ele recebeu atendimento no posto médico do estádio e depois foi encaminhado “consciente e responsivo” ao Hospital Sírio Libanês.

No segundo tempo, Sampaoli colocou Rodrygo na vaga de Cueva para tentar dar mais mobilidade ao ataque. O Santos até tentou esboçar uma pressão. Mas o Corinthians era mais eficiente. Clayson mandou de bicicleta e Vanderlei quase soltou nos pés de Vagner Love.

O Corinthians não deixava o Santos criar. Apesar de ter menos posse de bola, a equipe de Carille segurava o adversário na intermediária. O time visitante passou a tentar mais as laterais do campo, mas não tinha um centroavante para finalizar. Luiz Felipe teve a chance de se redimir nos minutos finais, mas cabeceou por cima garantindo a vitória aos anfitriões.

Arrascaeta faz no fim, Fla bate Vasco nos pênaltis e fatura a Taça Rio

O Campeonato Carioca pode carecer, em alguns momentos, de qualidade técnica e organização. A emoção, no entanto, quase sempre está presente. Neste domingo, os reservas do Flamengo venceram o Vasco nos pênaltis depois de buscarem o empate em 1 a 1 com um gol no último lance da partida e conquistaram a Taça Rio, o segundo turno do Estadual.

Como no clássico da Taça Rio, o jogo terminou empatado e com gol nos acréscimos, desta vez flamenguista. Depois de abrir o placar com o jovem Tiago Reis, o Vasco perdeu chances preciosas no contra-ataque, abriu mão de jogar em boa parte do segundo tempo e chamou o Flamengo para seu campo. No final dos acréscimos, quase no último lance do jogo, Arrascaeta marcou de cabeça e forçou as penalidades.

Nos pênaltis, só Rodinei errou para o Flamengo, enquanto que Rossi, Tiago Reis e Werley desperdiçaram do lado vascaíno, dando o título ao time rubro-negro.

O desfecho da Taça Rio, muito positivo para o Fluminense, que seria eliminado do torneio caso o Vasco vencesse, opõe nas semifinais do Campeonato Carioca o Flamengo e Fluminense e o Vasco terá como adversário o Bangu. Os dois jogos serão no próximo final de semana. Antes disso, na quarta-feira, o time rubro-negro enfrenta o Peñarol, do Uruguai, no Maracanã, em duelo da terceira rodada da primeira fase da Copa Libertadores.

O JOGO

O duelo opôs dois times com propostas distintas. Mesmo sem um titular em campo, o Flamengo buscou mais o jogo no primeiro tempo e apostou, sobretudo, em Vitinho e Arrascaeta, além do jovem Lucas Silva. O Vasco teve até mais posse de bola, mas não incomodou o rival. Vitinho foi o destaque da primeira etapa. O atacante rubro-negro finalizou quatro vezes e, na mais perigosa deles, acertou chute forte muito perto do gols de Fernando Miguel. De cabeça, Thuler também assustou.

Na etapa final, os ataques, enfim, funcionaram. O Vasco, extremamente aguerrido e disciplinado em campo, contou com a estrela de sua joia mais valiosa para marcar: Tiago Reis. Aos nove minutos, depois de escanteio da esquerda, o atacante subiu mais alto na primeira trave e cabeceou no canto oposto em que estava. A bola ainda bateu na trave antes de entrar no gol de César.

Depois de abrir o placar, o Vasco praticamente abriu mão de jogar. Limitou-se a se defender e a postura, mesmo que muito aguerrida por parte dos jogadores, custou caro. Na pressão final, o Flamengo, depois de uma blitz meio desordenada, empatou a partida com Arrascaeta. O uruguaio, contratação mais cara da história do clube, testou firme cruzamento de Bill da direita e deixou tudo igual aos 48 minutos.

Nos pênaltis, Rodinei parou em Fernando Miguel e está foi a única notícia boa para os vascaínos já que Rossi mandou para fora, Tiago Reis teve seu pênalti defendido por César e Werley mandou para a lua a chance de o Vasco ser campeão.

Remédios podem ficar até 4,33% mais caros a partir de segunda-feira

O preço dos remédios vendidos no país pode aumentar até 4,33% a partir desta segunda-feira (01). O valor, definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, ficou acima da inflação de 2018, que fechou o ano em 3,75%.

De acordo com o Ministério da Saúde, o percentual é o teto permitido de reajuste. Cada empresa pode decidir se vai aplicar o índice total ou menor. Os valores valem para os medicamentos vendidos com receita.

Ainda segundo a pasta, o cálculo é feito com base em fatores como a inflação dos últimos 12 meses – o IPCA, a produtividade das indústrias de remédios, o câmbio e a tarifa de energia elétrica e a concorrência de mercado.

A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos publica, todo mês, no site da Anvisa, a lista com os preços de medicamentos já com os valores do ICMS – o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços, que é definido pelos estados.

As empresas que descumprirem os preços máximos permitidos ou aplicarem um reajuste maior do que o estabelecido podem pagar multa que varia de R$ 649 a R$ 9,7 milhões.

Palácio do Planalto divulga vídeo em defesa do golpe militar de 1964

O Palácio do Planalto distribuiu neste domingo um vídeo em defesa do golpe de 1964. A narrativa do material usa a mesma definição adotada pelo presidente Jair Bolsonaro e alguns de seus ministros militares para classificar o fato histórico.

Para eles, a derrubada de João Goulart do poder, que marcou o início do período de 21 anos de ditadura militar no Brasil, foi apenas um movimento para conter o avanço do comunismo no País. “O Exército nos salvou. O Exército nos salvou. Não há como negar. E tudo isso aconteceu num dia comum de hoje, um 31 de março. Não dá para mudar a história”, diz o apresentador do vídeo. Hoje, o golpe completa 55 anos. Segundo a Comissão Nacional da Verdade, 434 pessoas foram mortas pela repressão militar ou desapareceram durante a ditadura (1964-1985).

A peça tem aproximadamente dois minutos, não traz a indicação de quem seria seu autor e foi distribuída por um número oficial de WhatsApp do Planalto, usado pela Secretaria de Comunicação da Presidência para o envio de mensagens de utilidade pública, notícias e serviços do governo federal. Para receber os conteúdos, os jornalistas precisam ser cadastrados no sistema.

A assessoria de imprensa do Planalto foi procurada e, como resposta, disse que o Planalto não irá se pronunciar. A equipe também confirmou que o canal usado para disparar o vídeo é mesmo oficial. “Sobre o vídeo a respeito do dia 31 de março, ele foi divulgado por meio de nosso canal oficial do governo federal no WhatsApp. O Palácio do Planalto não irá se pronunciar”.

O mesmo vídeo foi compartilhado hoje mais cedo no Twitter pelo deputado federal e filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). “Num dia como o de hoje o Brasil foi liberto. Obrigado militares de 64! Duvida? Pergunte aos seus pais ou avós que viveram aquela época como foi?”, diz Eduardo no post que anuncia o vídeo.

Um dos trechos do material afirma que “era, sim, um tempo de medo e ameaças, ameaças daquilo que os comunistas faziam onde era imposto sem exceção, prendiam e matavam seus próprios compatriotas” e “que havia, sim, muito medo no ar, greve nas fábricas, insegurança em todos os lugares”.

Diante disso, conta o apresentador, o Exército foi “conclamado” pelo povo e precisou agir. “Foi aí que, conclamado por jornais, rádios, TVs e, principalmente, pelo povo na rua, povo de verdade, pais, mães, igreja que o Brasil lembrou que possuía um Exército Nacional e apelou a ele. Foi só aí que a escuridão, graças a Deus, foi passando, passando, e fez-se a luz”.

O apresentador convida as pessoas a conhecer essa verdade buscando mais detalhes e depoimentos nos jornais, revistas e filmes da época. Na parte final, o vídeo é concluído sob o Hino Nacional, e um outro narrador, agora apenas com voz e sem imagem, diz: “O Exército não quer palmas nem homenagens. O Exército apenas cumpriu o seu papel”.

Celebrações

No último sábado, a Justiça Federal cassou liminar que proibia o governo de promover os eventos alusivos ao golpe de 1964. A decisão foi da desembargadora de plantão no Tribunal Regional Federal da 1ª região, Maria do Carmo Cardoso. Apesar de “reconhecer a sensibilidade do tema em análise”, ela decidiu que a recomendação do presidente Bolsonaro para comemorar a data se insere no âmbito do poder administrador.

“Não visualizo, de outra parte, violação ao princípio da legalidade, tampouco violação a direitos humanos, mormente se considerado o fato de que houve manifestações similares nas unidades militares nos anos anteriores, sem nenhum reflexo negativo na coletividade”, escreveu a magistrada.

A liminar havia sido concedida na noite de sexta-feira, 29, pela juíza Ivani Silva da Luz, da 6ª Vara da Justiça Federal em Brasília, atendendo a um pedido da Defensoria Pública da União. A Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu ainda na sexta e, na manhã de sábado, saiu a sentença da desembargadora.

Antecipando-se à data, o Exército realizou na semana passada no Comando Militar do Planalto, em Brasília, cerimônia para relembrar o 31 de março. Na solenidade, em que esteve presente o comandante da Força, general Edson Leal Pujol, o episódio foi tratado como “movimento cívico-militar”. Os oito comandos do Exército também já realizaram semana passada cerimônias alusivas ao 31 de março.

Conforme revelou o jornal o Estado, Bolsonaro orientou os quartéis a celebrarem a data histórica, que havia sido retirada do calendário de comemorações das Forças Armadas desde 2011, no governo de Dilma Rousseff. A determinação de Bolsonaro foi para que na data as unidades militares fizessem “as comemorações devidas”.

Comissão do Fundeb na Câmara depende de Maia para ser instalada

A comissão especial do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) na Câmara dos Deputados tem número suficiente de deputados para ser instalada. O início dos trabalhos depende agora de decisão do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Pela legislação vigente, o Fundeb, uma das principais fontes de financiamento dos municípios e estados do país, continua existindo até o final de 2020. Para evitar que estados e municípios fiquem sem a garantia de recursos, é preciso que o Congresso Nacional aprove uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) mantendo o fundo. 

Propostas com conteúdos semelhantes tramitam tanto no Senado Federal, PEC 33/2019 quanto na Câmara dos Deputados, PEC 15/2015.

Na Câmara, a discussão está mais avançada. Em 27 de fevereiro, Maia criou a comissão especial para continuar a discussão da proposta. Na mesma data, foi enviado um ofício aos líderes dos partidos, para que indicassem nomes para compor a comissão, que pode ter até 35 membros. 

De acordo com a Secretaria-Geral da Mesa da Câmara, foram indicados 23 membros, quantidade suficiente para que a comissão seja instalada – o mínimo são 18 parlamentares. Não há prazo regimental para que o presidente da Câmara instale a comissão especial do Fundeb.

Reserva

O Fundeb é uma espécie de reserva de recursos financeiros para a educação. Ele é composto por parte do que arrecadam estados e municípios. A União complementa o bolo, com 10% do total do Fundeb a cada ano. 

A maior parte desses recursos (no mínimo 60%) deve ser usada na remuneração dos professores, diretores e demais profissionais do magistério das escolas públicas. O restante, em outras despesas de manutenção e desenvolvimento da educação, ou seja, em reformas, aquisição e manutenção de equipamentos e aquisição de materiais didáticos. 

“O Fundeb é vinculação. Caso se desvincule, vão ter gestores que dão importância e vão investir em educação, mas vai ter quem não dê tanta importância e que vai investir menos. Não haverá equidade para todos os estudantes do Brasil. O Fundeb proporcionou isso”, disse a presidente do  Conselho Estadual de Secretários de Educação (Consed), Cecília da Motta, que é secretária de Educação de Mato Grosso do Sul. 

Estudo técnico da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara mostra, em valores de 2015, que o menor valor gasto por aluno por ano poderia chegar a R$ 415 sem o Fundeb. Com o fundo, o mínimo gasto era R$ 2,9 mil por estudante. 

Municípios 

De acordo com estudo do movimento Todos pela Educação, citado na justificativa da proposta que tramita no Senado Federal, em pelo menos 4.810 municípios brasileiros, o Fundeb corresponde a 50% de tudo o que se gasta por aluno a cada ano. Em 1.102 desses municípios, a participação do Fundeb no total de gastos chega a 80%.

“Somos totalmente dependentes dos recursos do Fundeb. Se dissessem que acabou o Fundeb, nossa educação iria entrar em colapso financeiro. Todo o recurso que entra no Fundeb não dá para pagar a folha de pagamento. Vai tudo para pagar os professores e ainda falta”, diz a secretária de Educação de Limoeiro do Norte (CE), Maria de Fátima Holanda. 

O município tem cerca de 56,3 mil habitantes e está localizado a 200 quilômetros (km) de Fortaleza. Segundo a secretária, o município cumpre o piso nacional dos professores, que é R$ 2.557,74, mas não sobra dinheiro para investir na escola: “Se tivesse recursos, eu investiria em bibliotecas, em laboratórios, em atividades no contraturno para os estudantes”. 

O mesmo ocorre em Groaíras (CE), município com 11 mil habitantes, localizado a 253 km da capital. “É bastante apertado, 95,1% vai para a folha de pagamento e apenas 4,9% para demais despesas. Não consigo manter uma boa infraestrutura nas escolas, não consigo adequar as escolas para tempo integral. Preciso ainda ampliar box, banheiro, cantina”, diz a secretária de Educação do município, Francisca Hianice Vasconcelos. 

Fundo permanente 

Tanto a proposta que tramita na Câmara dos Deputados quanto a proposta do Senado Federal tornam permanente o Fundeb. As propostas também ampliam a complementação da União dos atuais 10% para 30%. A PEC 24/2017, que até o ano passado tramitava no Senado, aguarda desarquivamento. A proposta amplia a complementação da União para 50%, em seis anos.  

O presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Alessio Costa Lima, disse que a União é o ente federado que mais arrecada, mas que tem menor participação na manutenção do ensino.

“De fato quem mantém a educação básica pública do nosso país são municípios e estados. Nesse sentido, ao sinalizar que a União deve entrar com maior participação, acredito que haja maior descentralização de recursos. Seria garantir que estados e municípios, que executam políticas educacionais, de fato tivessem acesso aos recursos disponíveis”, argumentou.

Audiência

O Fundeb foi um dos temas tratados na audiência pública com o ministro da Educação, Ricardo Vélez, na última quarta-feira (27), na Câmara. Segundo a deputada Professora Dorinha (DEM-TO), que foi relatora da PEC do Fundeb na comissão especial até o ano passado, a proposta “está praticamente pronta para ser votada”. 

A deputada defendeu uma maior participação da União: “Compreendo o momento de crise, mas estamos querendo uma outra lógica de financiamento. Partimos da premissa que a União precisa colocar mais recursos, mas também [queremos] redesenhar o formato de distribuição dos recursos, corrigindo distorções e desigualdades para garantir que municípios e estados que mais precisam de ajuda possam recebê-la”.

Na audiência pública, Vélez disse que a pasta está comprometida com a continuidade do Fundeb. “Esse é o nosso compromisso explícito, de mantermos o Fundeb. Estamos vendo qual a melhor forma. A minha proposta é acompanhar de perto o evoluir dessa proposta no Congresso e, se for necessário que a União aumente a sua participação, estudaremos a melhor forma de fazê-lo”, afirmou.

“Não comparem coisas heterogêneas”, diz ministro sobre Bolsonaro e Lula

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, ficou irritado quando jornalistas o questionaram sobre o motivo de a comitiva do governo brasileiro ter visitado Israel sem considerar uma passagem pelo lado palestino, como fez o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando esteve na região. “Não vamos comparar, não. Pelo amor de Deus, tchau. Não comparem coisas heterogêneas”, disse, saindo do hotel onde está hospedado.

Sobre o fato de a visita ao lado palestino não constar da agenda, ele disse que “nem se pensou nisso”. Para ele, não se trata de um desequilíbrio e comparou dizendo que, também houve uma viagem presidencial ao Chile, mas que não esteve presente na Argentina, por exemplo. “Tem uma outra época para ir”, disse. “Querem fazer ilações que não são corretas”, continuou, acrescentando que há também a questão de tempo, pois não se pode ficar por um período muito extenso fora do Brasil.

Antes disso, o general havia dito que a visita da comitiva presidencial era mais do que uma cortesia, quando foi perguntado sobre se a viagem tinha esse caráter, até porque Israel passará por eleições gerais no início do próximo mês, ou se havia algum anúncio a ser feito localmente entre as partes. “Fator cortesia tem um componente desse tipo, mas aqui temos outros assuntos a tratar. Nos interessa essa aproximação com Israel, sem que isso signifique um afastamento da comunidade árabe. Isso tem que ficar muito claro”, pontuou.

O ministro não quis falar sobre uma possível retaliação de países árabes a produtos brasileiros, como o da carne de frango, por exemplo, com a aproximação com Israel. “Isso não é assunto meu, é do ministro (das Relações Exteriores) Ernesto Araújo e do presidente (Jair Bolsonaro)”, desconversou.

Bolsonaro e Netanyahu anunciam escritório do Brasil em Jerusalém

O Brasil abrirá um escritório diplomático em Jerusalém como extensão da embaixada em Tel-Aviv, anunciou neste domingo, 31, o ministro das Relações Exteriores israelense, Israel Katz, durante a visita oficial que o presidente Jair Bolsonaro realiza em Israel.

De acordo com o Itamaraty, parte da declaração lida em conjunto com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, estabelece um escritório brasileiro para a promoção do comércio, investimento, tecnologia e inovação.

“Obrigado por abrir um escritório diplomático em Jerusalém! Israel e Brasil são verdadeiros amigos, com valores comuns, e fortaleceremos a cooperação entre os nossos países”, escreveu Katz nas redes sociais, horas antes de Bolsonaro participar da entrevista coletiva com Netanyahu.

Incialmente, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil havia informado à imprensa que o escritório seria instalado como “parte da embaixada” do Brasil em Israel, que fica em Tel-Aviv. Minutos depois, o comunicado foi alterado sem esse trecho.

O escritório foi anunciado após o presidente Jair Bolsonaro ter afirmado, durante a campanha eleitoral, que pretendia transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém, atendendo a uma demanda da bancada evangélica. Mais cedo, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, que acompanha Bolsonaro na viagem, havia dito que não havia plano de anunciar o escritório de negócios no momento.

ONG alerta que 10% do lixo plástico nos oceanos vêm de pesca fantasma

Quando um filé de peixe chega na mesa de um cliente no restaurante ou quando alguém compra uma lata de atum no mercado, não é difícil de imaginar que antes daquele momento toda uma cadeia de produção entrou em cena, desde o pescador artesanal ou um navio pesqueiro, até o preparo final para o consumo. O que poucos sabem é que existem muitos equipamentos de pesca abandonados no oceano ameaçando várias espécies da vida marinha. A isso se dá o nome de pesca fantasma.

“Dez por cento do lixo plástico marinho que entra nos oceanos todos os anos é equipamento de pesca perdido ou abandonado nos mares. E esses materiais, por terem sido desenhados para fazer captura, eles têm uma capacidade de capturar e gerar um sofrimento nos animais, com impacto em conservação”, explica o gerente de vida silvestre da organização não governamental (ONG) Proteção Animal Mundial, João Almeida.

A ONG lançou este mês a segunda edição do relatório Fantasma sob as Ondas. O estudo mostra que a cada ano 800 mil toneladas de equipamentos ou fragmentos de equipamentos de pesca, chamados de petrechos, são perdidos ou descartados nos oceanos de todo o planeta. Essa quantidade representa 10% de todo o plástico que entra no oceano. No Brasil, estima-se que 580 quilos desse tipo de material seja perdido ou descartado no mar todos os dias.

Dentre os petrechos mais comuns estão as redes de arrasto, linhas, anzóis, linhéis, potes e gaiolas. Esses petrechos podem matar de várias formas. Os animais podem ficar feridos ou mutilados na tentativa de escaparem, presos e vulneráveis a predadores ou não conseguem se alimentar e morrem de fome.

O estudo avalia a atuação das grandes empresas pescado e as providências que tomam – ou não tomam – para evitar a morte desnecessária de peixes. A versão internacional do relatório elencou 25 empresas de pescado em cinco níveis, sendo o nível 1 representando a aplicação das melhores práticas e o nível 5 com empresas não engajadas com a solução do problema.

Brasil

Nenhuma das 25 empresas atingiu o nível 1, embora três grandes empresas do mercado mundial (Thai Union, TriMarine, Bolton Group) tenham entrado no nível 2 pela primeira vez. O estudo inclui duas empresas com atuação no Brasil, o Grupo Calvo, produtor da marca Gomes da Costa, e Camil, produtora das marcas O Pescador e Coqueiro.

O Grupo Calvo foi classificado no nível 4. Significa que, apesar do tema estar previsto nas ações da empresa, as evidências de implementação são limitadas. Já a Camil foi colocada no nível 5. Segundo relatório, a empresa “não prevê soluções para o problema em sua agenda de negócios”.

Procurado, o Grupo Calvo, cuja matriz é espanhola, afirmou que os produtos Gomes da Costa são fabricados a partir de material comprado de pescadores locais, que utilizam métodos de pesca artesanal. A empresa também informou que reconhece o problema de abandono de objetos e tem tomado providências a respeito.

“[A empresa] conta, entre outras medidas, com observadores científicos independentes a bordo de todos os seus atuneiros, além de observadores eletrônicos em embarcações de apoio, controle constante por satélite, técnicas para reduzir capturas acessórias, proibição de transbordos no alto-mar e de devoluções”.

Procurada, a Camil informou que não iria se manifestar a respeito dos resultados da pesquisa e sobre pesca fantasma.

De acordo com o gerente da Proteção Animal Mundial, uma das principais metas do estudo é fazer os governos enxergarem cada vez mais a pesca fantasma como um problema relevante e carente de políticas públicas eficientes.

“Como uma das principais recomendações, a gente identificou a necessidade dos governos absorverem para a sua agenda a questão da pesca fantasma para, então, criar as estruturas necessárias, criar um diagnóstico e a gente começar a entender o problema. E, em um segundo momento, criar condições para combatê-lo efetivamente”.

Moçambique registra 493 mortos por causa de Ciclone Idai

Em Moçambique, o coordenador de Gestão de Calamidades (INGC), Rui Costa, divulgou que estão confirmados 493 mortos em decorrência da passagem do ciclone Idai no país. Segundo ele, as operações de busca e resgate continuam. De acordo com Costa, 140 mil pessoas estão abrigadas em centros de reassentamento.

Moçambique vive o drama do risco de cólera, tifo e malária no país. Pelos dados oficiais, 168.940 famílias foram afetadas. Na prática são 839.740 pessoas atingidas e mais de 1.500 feridos.

De acordo com Costa, 53 unidades sanitárias e mais de 3.500 salas de aulas e 99 mil casas foram destruídas. Segundo ele, os dados aumentam diariamente, pois as chuvas não cessaram e as condições de buscas estão prejudicadas.

O ciclone Idai atingiu Moçambique, Zimbábue e Malauí. Foram ventos de mais de 200 quilômetros por hora.

As informações são do governo de Moçambique.