Presidente do Corecon sugere fusão de secretarias para equilibrar finanças do RN

Ricardo Valério, presidente do Corecon-RN

Na manhã desta sexta-feira, 6, o presidente do Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Norte (CORECON-RN), Ricardo Valério, concedeu entrevista exclusiva na redação do Portal Agora RN / Agora Jornal ao repórter Tiago Rebolo. Confira abaixo os principais pontos da entrevista e, se preferir, assista!

Recentemente, uma pesquisa colocou Natal como a quinta maior capital do país em número de pessoas endividadas. Como você avalia isso?

Este é um dado de dezembro de 2016, mas realmente de lá pra cá não deve ter mudado muita coisa. Acredito nisso porque de lá para cá houveram muitos casos de atrasos salariais no poder público, começando no Governo do Estado e atingindo até a Prefeitura do Natal recentemente. De todo modo, é uma pesquisa preocupante não só porque estamos em quinto lugar, mas também porque, quando fazemos o detalhamento dela, se torna possível observar que Natal também está entre as quatro capitais que mais tem índices de comprometimento de renda. Segundo a pesquisa, a média de comprometimento de renda nacional está em torno de 30%, mas hoje o natalense compromete algo em torno de 37%. Além disso, outro dado preocupante é que nós alcançamos a liderança no valor das dívidas. O volume médio das dívidas do natalense está na ordem de R$ 1.816, enquanto que a média a média nacional é de R$ 1.777. Se a gente for fazer comparativo com João Pessoa, que é uma cidade vizinha, lá eles têm valor médio de dívida em R$ 816.  Talvez pelo fato de não haver atraso de salários eles tenham esse índice bem menor do que o nosso.

De que modo o Conselho tem buscado auxiliar o Estado? Os salários atrasados realmente são o principal problema?

A gente tem tido oportunidade de conversar com os responsáveis pela área de finanças para poder dar sugestões de tentar equilibrar a situação dos salários, que acreditamos ter sido herdada de governos passados. No entanto, vemos que Robinson perdeu uma oportunidade muito grande de fazer um enxugamento quando assumiu. Ele poderia ter feito fusões de secretarias até mesmo para que o estado estivesse em tamanho mais adequado. Porém, outra preocupação que nós temos é o desequilíbrio que existe em relação a receita dos demais poderes, onde o Judiciário e o Legislativo leva um percentual superior à média nacional. Isso acaba gerando uma defasagem muito grande na contabilidade do governo.

Apesar de tudo, nas conversas que estamos tendo com os representantes da área de finanças, eles têm nos colocado que o empréstimo de R$ 698 milhões que o governo está viabilizando vai dar um reforço de caixa para o órgão, o que vai terminar gerando uma boa folga nos investimentos. Acredito que esse empréstimo deverá sair até novembro e a partir daí o estado passará a ter sua folha de pessoal em dia, muito embora os valores que estão sendo emprestados não sejam exatamente para esta finalidade.

As medidas que o senhor listou poderiam ser incrementadas no cenário atual?

O Conselho entregou para Robinson na época da campanha um documento onde fazíamos algumas sinalizações para possíveis enxugamentos de gastos. Como exemplo podemos citar as secretárias do setor primário. Hoje existem três secretarias, mas elas poderiam, tranquilamente, estarem fundidas numa só. Atualmente temos pasta de Agricultura, de Recursos Hídricos a de Reforma Agrária. Na minha avaliação, se as três fossem uma só, elas funcionariam com muito mais eficiência. Só seria necessário colocar um subsecretário para cada área. Hoje cada secretaria tem direito a 15 cargos distintos, que funcionam normalmente com 3 servidores, sendo 1 efetivo e o resto terceirizado. Na medida que você funde essas secretarias, você deixa funcionando apenas em um caso, o que, consequentemente, gera redução de gastos. Isso também vale para outras áreas, inclusive.

Do ponto de vista conjuntural, como o senhor avalia o cenário econômico atual? É de retomada?

A nível de RN sim. O empréstimo talvez dê uma sobrevida no Rio Grande do Norte neste momento. E falando em cenário nacional, obviamente que nós entramos em situação de retomada, mas isso demanda muito tempo.

A política e a economia historicamente são atreladas. Sempre que há novidade no campo político, a economia também sofre impactos. O que acha disso?

De fato, tudo que acontece na área política tem reflexo na área econômica, e não tenha dúvidas que parte da crise na economia foi provocada por situações da política. No entanto, as coisas se banalizaram desde o início da Operação Lava Jato e eu percebo que a população e a classe empresarial começaram a separar mais estes dois vieses. Hoje temos um setor econômico blindado. Nesse cenário, caso aconteça alguma coisa na política, pode ser que a economia não seja mais tão afetada quanto já foi em outras ocasiões.

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