Tendência?
Pernambucanas questionam padrão de beleza e aderem a não-depilação
A depilação é uma prática ‘natural’ para a sociedade. Contudo, cada vez mais mulheres estão decidindo se libertar desse hábito
Ashlley Melo/JC Imagem
Não foi fácil para Joana assumir publicamente a sua escolha

Pinturas e cortes de cabelo, piercings, tatuagens. Todas as formas de modificação do corpo são um afastamento do estado natural, assim como a depilação. A prática de se depilar é um dentre vários padrões sociais que estabelecem o ‘conceito’ de mulher. Mesmo sem ser uma tendência da maioria, a não depilação remete uma mudança de comportamento que muitas das vezes está ligado a ideologias feministas.

Desde os seus 14 anos, a artista plástica Joana Liberal, de 27, deixou lâmina e cera de lado e aderiu à não depilação. “Esta é a época quando todo mundo estava começando a ter pelos. Todas as minhas amigas estavam se depilando, eu também me depilava e já sabia que eu não ia fazer isso todo mês, sabe? Que ia demorar um pouquinho mais, porque não era muito prazeroso para mim”, conta a artista.

Não foi fácil para Joana assumir publicamente a sua escolha. “Minha família toda se depila, então rolava uma crítica sempre direta. Minha mãe sempre foi ‘de boa’, meu pai cava ‘que negócio feio’, ‘está parecendo um homem’, ‘vá se depilar’ e aí a gente sempre teve atrito.. E minhas irmãs também meio que cavam paranoicas. Minha irmã depila os pelos dos dedos, sabe? Me libertei disso”.

Não foi só a recepção por parte da família da artista plástica que não foi das melhores. Amigos e estranhos seguiram na mesma direção: o preconceito. As cobranças sobre quando chegaria o momento de se depilar só cresciam. E mesmo a escolha sendo da artista plástica, os olhares de reprovação causavam angústia. “Aprendi a ignorar os olhares. Tem pessoas que comentam na hora, tem gente que faz cara feia. Antes magoava, mas agora não. Quando você se blinda, passa a não ligar mais para os olhares”, explicou.

 

 

Fonte: Jornal do Commercio