Perspectiva
Estimulação Magnética Transcraniana é usada no tratamento da depressão
Estimulação magnética transcraniana destaca-se como terapêutica adjuvante, viável e com grandes potencialidades, para pacientes que padecem de episódios depressivos
Ilustração
O tratamento é realizado com o paciente sentado em uma poltrona reclinável, recebendo os pulsos magnéticos

A depressão é classificada como transtorno do humor e considerada, segundo a Organização Mundial de Saúde, uma das dez doenças mais incapacitantes do mundo. De acordo com a Classificação Internacional de Doenças, o transtorno caracteriza-se, essencialmente,  por sintomas de tristeza profunda, que se prologam por um período de, pelo menos, duas semanas, durante o qual há humor deprimido ou perda de interesse ou prazer em quase todas as atividades do paciente.

O transtorno pode afetar pessoas de todas as idades, embora seja mais prevalente a partir da terceira década de vida, sendo duas a três vezes mais frequente no sexo feminino e, comumente, encontra-se associado a outras desordens, tais como: síndromes ansiosas, abuso e dependência de substâncias psicoativas.

A depressão pode levar ao suicídio, mas é tratável, através de psicoterapias, de medicamentos antidepressivos ou da combinação de ambos. No entanto, um terço dos pacientes, que apresenta quadro depressivo,  não responde, de forma positiva, ao tratamento medicamentoso. Neste caso, a técnica da estimulação magnética transcraniana coloca-se como uma perspectiva terapêutica eficiente.

Com a criação do primeiro estimulador magnético, por Barker e colaboradores, em 1985,  este passou a ser utilizado no tratamento de patologias neuropsiquiátricas e  inúmeras pesquisas, que confirmam a validação do mesmo, vêm sendo realizadas ao redor do mundo. No Brasil, a técnica terapêutica tornou-se reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, desde 2012, graças à sua comprovação científica de eficácia.

De acordo com o médico psiquiatra, Bruno Moura Lacerda, membro efetivo da Associação Brasileira de Psiquiatria e especialista em Medicina do Sono pela Associação Brasileira de Medicina do Sono, a técnica de maneira simples, não-invasiva  e indolor, consiste na utilização de um aparelho capaz de transformar energia eletrica em energia magnética, na forma de pulsos. Estes, quando aplicados em áreas específicas e próximos à cabeça do paciente, permitem a criação de um campo eletromagnético e produzem a ativação em cadeias neuronais que se encontravam, funcionalmente, alteradas.

Foto: Arquivo pessoal

O tratamento é realizado com o paciente sentado em uma poltrona reclinável, recebendo os pulsos magnéticos durante, aproximadamente, 20 minutos, mantendo-se acordado e sem necessidade do uso de medicações.

Para o tratamento de quadros depressivos, são necessárias entre 12 e 20 sessões, sequenciadas.  Eventualmente, ao término dessas sessões, algumas pessoas necessitarão dar continuidade ao tratamento, para a estabilização de sua saúde mental.

Em síntese, a estimulação magnética transcraniana destaca-se como terapêutica adjuvante, viável e com grandes potencialidades, para  pacientes que padecem de episódios depressivos e não apresentam remissão completa dos sintomas, apesar do uso de fármacos antidepressivos.