sábado,
Confiante
Robinson Faria afirma que reverterá a crise, mesmo arriscando sua imagem
Em pronunciamento gravado, governador explica didaticamente crise do RN, assumindo responsabilidade, mas lembrando história marcada por equívocos que não são só do seu governo
Robinson Faria, governador do RN, durante discurso na Governadoria
José Aldenir/ Agora Imagens
Governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria

Num pronunciamento de 11 minutos divulgado pelo canal oficial do Governo do Rio Grande do Norte no YouTube, o governador Robinson Faria (PSD) culpou a crise nacional pelo desequilíbrio fiscal do Estado, apontou anos de erros cometidos pelos governos anteriores, mas não se eximiu de parte da responsabilidade, fazendo uma ressalva: “Mesmo que tivéssemos tomado essas medidas (fiscais) lá atrás, precisaríamos fazer (agora) tudo outra vez”.

Afirmando que agora é hora de olhar para frente, mandou um recado para a Assembleia Legislativa, que começa a apreciar nesta quinta-feira 11 o pacote fiscal enviado pelo governo: “Espero espírito público dos poderes”, afirmou.
Mas, logo em seguida, mostrou-se conciliador ao lembrar que em 2016 e 2017 esses mesmos poderes se mostraram parceiros do Estado, se colocando abaixo do aumento do teto e permitindo descontar alguns repasses do Executivo, diminuindo, assim, o impacto sobre as contas públicas.

Dirigindo-se especificamente ao funcionalismo estadual, o governador afirmou que o desequilíbrio financeiro não vem de hoje, mas de décadas e atribuiu aos últimos três anos de crise do País a queda das receitas do Estado que deixou o governo sem caixa para cumprir seus compromissos.

Num outro trecho, Robinson afirmou que a história do RN “é marcada pelo ingresso de servidores vindos de fundações e pela aprovação de planos de cargos que não se sustentam”.

Fazendo uma comparação a estados com orçamentos semelhantes ao RN, ele completou que é partir dessa comparação “que se vê o tamanho do rombo financeiro”. Sem pausa dramática, mas obedecendo o ritmo preciso do texto, completou “Essa conta chegou”.

Num trecho bastante pessoal do pronunciamento, o governador, que não se exime de culpa pela crise fiscal do estado, assegurou que colocará sua biografia para reverter a situação, “mesmo que tenha que sacrificar a imagem que construiu” na vida pública.

Depois de discorrer sobre todos os problemas que afligem o Estado, o governador disse que não é hora de olhar para trás e aproveitou para fazer um desabafo: “A gente não paga porque não quer, mas porque não temos dinheiro”, referindo-se ao ponto crucial da crise, que é o atraso nos salários dos servidores. Nesse momento, o governador afirmou que resolver esse problema é prioridade absoluta.

Por fim, ele não se recusou a abordar um comentário peculiar sobre a atual situação: “O RN não está falido, mas chegou perto”. Encerrou seu pronunciamento acompanhado da reprodução escrita de cada frase – demonstrando preocupação didática da peça de divulgação – pedindo a união de todos e reiterando que não é hora para mostrar as obras de sua administração, mas manter a “humildade” diante da situação.

Veja abaixo o pronunciamento na íntegra: