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Lava Jato
Procurador potiguar critica investigação aberta contra Deltan Dallagnol
Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) abriu investigação relacionada com as conversas entre o procurador Deltan Dallagnol e o ministro e ex-juiz, Sergio Moro, publicadas pelo site “The Intercept Brasil”
José Aldenir / Agora RN
Procurador federal Fernando Rocha

O procurador federal Fernando Rocha, que atua no 7º Ofício da Procuradoria da República no Rio Grande do Norte, criticou o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) pela abertura, nesta segunda-feira, 10, de investigação relacionada com as conversas entre o procurador Deltan Dallagnol e o ministro e ex-juiz, Sergio Moro, publicadas pelo site “The Intercept Brasil”.

O procurador potiguar também recriminou o “vazamento” das conversas entre o colega dele de profissão e o ex-juiz federal Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça. A troca de mensagens revelou que o então magistrado da 13ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba (PR), tinha ciência das investigações dos procuradores federais e até auxiliava, com informações e dicas, o trabalho dos integrantes da força-tarefa da Lava Jato.

“Vão abrir investigação contra colega do MPF com base em prova obtida ilicitamente por hacker? ”, questionou Fernando Rocha, por meio da conta pessoal no Twitter. Segundo o memorando 18/2019 do CNMP, publicado nesta segunda-feira, 10, a investigação vai apurar se se houve eventual falta funcional, particularmente no tocante à violação dos princípios do juiz e do promotor natural.

“Intimidades de autoridades públicas, obtidas criminosamente por hackers, amplamente divulgadas pelos mesmos que defendem o estado democrático de direito”, disse Fernando Rocha, ao comentar o uso das conversas ente Deltan Dallagnol e o Sérgio Moro. E continuou: “Vamos estimular a prática de hacker? É isso mesmo que se quer ter como prática comum?”.

Segundo o site “The Intercept”, as mensagens trocadas entre Dallagnol e Moro – feitas por meio de um aplicativo de conversas por celular – foram entregues por uma fonte que pediu sigilo. Nos últimos dias, os dois denunciaram que tiveram seus celulares hackeados ilegalmente.

Em nota oficial, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) condenou os vazamentos das conversas de Deltan Dallagnol e os demais integrantes da força-tarefa da Lava Jato.

“A ANPR reitera a confiança no trabalho que vem sendo desenvolvido pelos membros do Ministério Público Federal que atuam na Operação Lava Jato, seus associados, bem como a importância da continuação dos esforços que vêm sendo desenvolvidos, no Brasil, na prevenção e repressão às práticas de corrupção, que trazem consequências absolutamente negativas ao país”, disse a entidade.

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