Eleições 2018
Pré-candidato Carlos Alberto, do PSOL, quer cortar “privilégios” na gestão
Professor Carlos Alberto afirma que adversários na disputa pelo Governo do RN são 'mais do mesmo' e afirma que foram negligentes com a educação estadual
Carlos Alberto, pré-candidato do PSOL ao Governo do Estado na eleição deste ano
Reprodução / Facebook
Carlos Alberto, pré-candidato do PSOL ao Governo do Estado na eleição deste ano

Pré-candidato pelo PSOL ao Governo do Estado, o professor universitário Carlos Alberto está ciente: o Rio Grande do Norte precisa cortar gastos. Contudo, diferente do que apontam alguns economistas e gestores, ele acredita que isso pode ser feito sem atingir as camadas mais baixas do funcionalismo público. Nesta entrevista exclusiva ao Agora RN, o professor vê os concorrentes como “mais do mesmo” e afirma que seu partido representa “a nova esquerda” que a população espera.

Agora Jornal: Como surgiu a decisão de ser candidato ao Governo?

Carlos Alberto: A decisão de ser candidato a governador não é tomada de uma hora para outra, é uma decisão que se toma ao longo do tempo. Sempre senti essa inclinação, me preparei ao longo da vida estudando gestão, fiz graduação em administração, mestrado em gestão de recursos humanos e doutorado em administração. Sou professor da UFRN há mais de 20 anos. Sempre me indignei com a situação do RN, onde não existe uma política de estado, apenas programas eleitoreiros que prometem o que as pesquisas qualitativas apontam. Nossa política tem que ser a da educação, a segurança e o desenvolvimento vêm logo em seguida, são consequências naturais disso.

AJ: Como avalia o Governo do RN e a situação financeira do Estado?

CA: A situação financeira do estado é de insolvência, o pior cenário que poderia ser previsto está acontecendo. Falta material médico e medicamentos nos hospitais estaduais, situação extremamente preocupante num estado onde 84% das pessoas são atendidas pelo SUS. Faltam creches e escolas em tempo integral. A sensação de insegurança está amedrontando a todos. Há mais de 300 mil pessoas vivendo na extrema pobreza no Estado. A solução para a crise financeira do Rio Grande do Norte só pode ser resolvida com uma mudança na legislação previdenciária. Em 2018, a Lei de Diretrizes Orçamentárias prevê uma receita previdenciária de R$ 736 milhões e uma despesa de R$ 2,174 bilhões, gerando esse déficit anual de R$ 1,4 bi. Os estados brasileiros são obrigados a depositar esses recursos em fundos previdenciários. Como um estado pobre como o RN pode se dar ao luxo de ter mais de R$ 1,2 bilhão depositado num fundo previdenciário, como ocorreu em 2014? É como se um pai de família deixasse de pagar a mensalidade do colégio de seus filhos para depositar dinheiro na poupança.

AJ: E como resolver essa situação?

CA: Os recursos para o investimento público só existirão com mudanças na legislação previdenciária que está penalizando os estados pequenos. O aporte de recursos no fundo previdenciário através de imóveis pertencentes ao estado pode ser uma saída, mesmo assim não é suficiente, temos que mudar a legislação. Os governadores e as bancadas federais terão que ser conscientes de seus papeis e pressionar o Governo Federal, principalmente com o trancamento da aprovação do Orçamento Federal no Congresso. Um novo pacto federativo e a reforma tributária são imprescindíveis.

AJ: Como avalia as demais candidaturas ao Governo?

CA: A grande maioria das candidaturas postas são mais do mesmo, tiveram a chance de fazer e não fizeram, não tiveram a capacidade de enxergar que o Rio Grande do Norte precisava investir seriamente na educação, todos foram extremamente negligentes com a educação e com os professores, sempre remuneraram mal e não deram infraestrutura para o ensino, cabe ao eleitor fazer essa avaliação. Além de valorizar e investir prioritariamente na educação, nossa disposição é fazer um governo com extrema valorização da gestão pública, empoderando o servidor público do estado. Temos que extinguir o nepotismo e o loteamento de cargos nas secretarias e demais órgãos do governo. Doa a quem doer!

AJ: Algumas pessoas são mais céticas com candidaturas de esquerdas porque acreditam que elas não têm a “coragem” para cortar recursos. Como o senhor avalia isso?

CA: A primeira ideia para cortar recursos não pode ser a de reduzir o salário do servidor público do estado, pois a grande maioria recebe baixos salários e trabalha por abnegação. A coragem que as pessoas esperam é a de cortar privilégios. Vamos discutir os super-salários, quais as categorias que recebem salários exorbitantes? Vamos discutir a renúncia fiscal, quais estão sendo vantajosas para a sociedade? Para 2019 estão previstos na LDO quase R$ 500 milhões em renúncia fiscal no Rio Grande do Norte, quanto de emprego e riqueza foi gerada no território potiguar que justifique tamanha renúncia fiscal? Todas essas informações têm que ser discutidas abertamente com a sociedade de maneira transparente.