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Entrevista
“Não tenho medo de investigações”, afirma deputado federal Felipe Maia
Deputado federal refuta citação em delações e diz que campanhas não tiveram irregularidades; ele acredita que políticos absolvidos sairão absolvidos do processo
José Aldenir / Agora Imagens
Felipe Maia, deputado federal do DEM-RN

O deputado federal Felipe Maia (DEM) acredita que alguns políticos implicados em investigações sairão “fortalecidos” ao término das apurações. Em entrevista ao Portal Agora RN/Agora Jornal, o parlamentar considera que a classe política enfrentará, sim, dificuldades nas próximas eleições, mas avalia que o esclarecimento de todas as irregularidades acabará absolvendo uma parcela significativa de envolvidos.

“Toda a classe política vai enfrentar uma turbulência. E os homens de bem e aqueles que não devem nada à Justiça sairão fortalecidos após todas as análises. O mínimo que a população espera do Ministério Público é todos os indícios de crimes ocorridos sejam investigados, e isso está acontecendo. Aqueles que não forem julgados e declarados culpados sairão mais fortalecidos”, afirma.

Felipe, que declara apoio às investigações de delitos ocorridos nas instâncias públicas – “desde que não haja exageros” –, foi um dos políticos potiguares citados em delações premiadas de executivos de empreiteiras envolvidas em esquemas de corrupção desmontados pela operação Lava Jato. Em depoimento, o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, afirmou que o parlamentar teria recebido verba ilícita da estatal durante suas campanhas.

O deputado federal nega as acusações. “Fui citado com coisas infundadas, não há nada comprovado. Existe a citação de um recebimento por parte de Sérgio Machado, mas sem nenhuma comprovação. Isso já era motivo para que a delação caísse, mas citar e investigar é legítimo. Ao final, e com certeza será o meu caso, sairão aqueles que não forem julgados culpados”, se defende.

Ao comentar o assunto, Felipe ressalta ainda que vê positivamente o curso das investigações contra ele. “Eu sei exatamente como foram feitas as minhas campanhas e como foram recebidas as minhas doações. Não tenho nenhum medo de investigações. Estou sendo investigado a fundo e acho bom que isso seja feito para que aqueles que me investigam entendam que, dentro do mesmo saco, existe o joio e o trigo”, frisa. “Precisamos separar o joio do trigo da política do Brasil e do Rio Grande do Norte. Nem todo mundo calça 40”, complementa.

Em relação à crise política nacional, o deputado potiguar conta que enxerga o momento atual como “muito preocupante”, sobretudo após a denúncia formulada pelo Ministério Público Federal contra o presidente Michel Temer (PMDB). De acordo com Felipe, sua maior preocupação em meio a tudo isso diz respeito aos reflexos na economia do país.

“A instabilidade política reflete imediatamente na instabilidade econômica, e nós estamos num país com 14 milhões de desempregados. As empresas estão fechando as portas e as pessoas precisam de uma melhora no ânimo da economia”, observa.

Para o parlamentar, que cumpre seu terceiro mandato na Câmara, “estamos diante de denúncias muito graves”, no caso que envolve Temer. O presidente é acusado pela Procuradoria Geral da República de corrupção passiva, com base nas delações de Joesley Batista, dono da JBS. “É um momento de análise política e também econômica para o país”, confirma.

Felipe é um dos cinco deputados potiguares que ainda não definiram seu posicionamento com relação à denúncia do MPF contra Temer. Para que a medida prossiga no Supremo Tribunal Federal, é preciso autorização de dois terços da Câmara Federal. O parlamentar do DEM conta que definirá seu voto após fazer uma análise minuciosa da acusação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e da defesa de Michel Temer.

“Terei que analisar a fundo a denúncia do procurador Janot e a defesa para fazer um juízo de valor no que se refere a ‘corrupção passiva’, que é do que se trata a denúncia”, pondera.

Além disso, o deputado afirma que outro fator deverá ser considerado no instante da votação no plenário da Casa, marcado para acontecer até o início de agosto: a governabilidade daqui para frente. Mesmo entendendo que Michel Temer tem um bom diálogo com os membros do Congresso – “por ter presidido a Casa por três mandatos, ele sabe como conversar” – Felipe é cauteloso.

“O presidente precisa reunir votos para que ela [a denúncia] seja arquivada. No entanto, mesmo que esse placar seja obtido, a classe política precisa ter a convicção de que o presidente reunirá condições mínimas de governabilidade com o Congresso. Precisamos analisar isso a fundo na votação no plenário. A base está dividida”, revela.

Segundo Felipe, a governabilidade – e consequentemente a melhoria do ânimo da economia –, independente de quem esteja no Governo é essencial. “Precisamos garantir o cumprimento do mandato do presidente ou de alguém que busque melhorias econômicas para o país”, assinala. Caso a denúncia contra o presidente seja acatada, Temer é afastado do cargo por até 180 dias. Se for condenado, ele perde o cargo definitivamente, e eleições indiretas são convocadas.

“Não há porque não considerar candidatura de Carlos Eduardo”

O deputado federal Felipe Maia acredita que “está muito cedo” para fazer qualquer avaliação sobre o cenário político de 2018, quando haverá eleições para deputados, senador, governador e presidente. “Temos pretensões, ‘possíveis’ candidatos. Muita água ainda vai passar por baixo dessa ponte. O cenário não está claro de quem serão os candidatos. O cenário não está claro, inclusive quanto às regras políticas. Está aí a reforma política e muitas regras vão mudar”, analisa.

Apesar disso, o parlamentar vê com bons olhos uma possível candidatura do prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PDT), ao Governo do Estado de 2018. “É um homem público com experiência, foi prefeito da capital por várias vezes. Não há porque não levar em consideração essa candidatura”, elogia.

No entanto, Felipe afirma que este assunto ainda não foi debatido nas conversas com o prefeito. “O DEM esteve no palanque do prefeito, ocupa uma secretaria, mas nunca falou sobre eleições com o prefeito”, conta.