Renúncia em jogo
Mensagem de Carlos Eduardo à Câmara de Natal é cercada de expectativa
Embora prefeito Carlos Eduardo tenha afirmado que só vai se decidir sobre o assunto [renúncia] perto do prazo final, uma declaração do gestor sobre suas pretensões é esperada
Audiência sobre o Desenvolvimento do Bairro do Alecrim (118)
José Aldenir / Agora Imagens
Carlos Eduardo durante discurso na Câmara Municipal no ano passado

A leitura da mensagem do prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT) à Câmara Municipal de Natal, no próximo dia 15, é aguardada com expectativa. Isso porque pode ser a última vez neste mandato que o chefe do Executivo cumprirá o protocolo, que abre oficialmente os trabalhos legislativos no ano.

Nesta quinta-feira, 8, em entrevista a uma rádio local, o prefeito disse que avalia ser candidato a governador nas próximas eleições e que, por isso, considera a possibilidade de renunciar ao cargo até 7 de abril, prazo de descompatibilização estipulado pela Justiça Eleitoral.

Embora o prefeito tenha afirmado que só vai se decidir sobre o assunto [renúncia] perto do prazo final, uma declaração do gestor sobre suas pretensões é esperada, tendo em vista que a leitura da mensagem anual é tradicionalmente o momento escolhido pelos administradores para, além de prestar contas do ano anterior, detalhar o planejamento do período que se inicia.

Caso decida renunciar em abril, Carlos Eduardo será substituído na Prefeitura de Natal pelo atual vice-prefeito, Álvaro Dias (PMDB), que ficaria no cargo até 2020.

ESCOLHA DE SOFIA

Conforme o Agora RN mostrou ao longo desta semana, Carlos Eduardo tem hesitado em decidir se será candidato a governador nas próximas eleições. O prefeito de Natal tem aparecido em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto e é estimulado pelos senadores Garibaldi Alves Filho (PMDB) e José Agripino Maia (DEM) a concorrer.

Entre os fatores que têm impedido a tomada de decisão, estão os “riscos” da renúncia. Enquanto seus potenciais adversários terão um período maior para articular as pretensões políticas (o registro de candidaturas vai até o dia 15 de agosto e, no caso dos demais pré-candidatos, não é preciso renunciar a outros cargos), Carlos Eduardo precisará agir precocemente, quando o cenário político ainda estará pouco definido. Aliados ponderam que renunciar em abril pode representar um “tiro no escuro”.

Outro fator que tem influenciado na decisão do prefeito é o grau de risco da renúncia. Se deixar a gestão municipal para concorrer ao Governo do Estado e perder, Carlos Eduardo pode ficar quatro anos sem mandato eletivo, uma vez que ele só teria chance de retomar o poder em 2022. Em 2020, a menos que ele queira ser candidato a vereador, o pedetista não poderia mais uma vez concorrer a prefeito.

Por fim, a situação nacional – ainda indefinida – também é um fator complicador. O partido do prefeito, o PDT, tem como pré-candidato à Presidência o ex-ministro Ciro Gomes, a quem Carlos Eduardo já manifestou apoio. Acontece que Ciro poderá receber o apoio do PT a nível federal, caso Luiz Inácio Lula da Silva seja impedido de concorrer.