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Polêmica
Líder do PSL no RN diz que suposto caixa 2 de Bolsonaro é “choro de perdedores”
Coronel Hélio afirma que saída do PSL será uma decisão pessoal de Bolsonaro, e que tendência é que apoiadores o sigam
Reprodução/Facebook
coronel-aviador Hélio Oliveira

O presidente do diretório do PSL no Rio Grande do Norte, coronel-aviador Hélio Oliveira, disse que as denúncias sobre um suposto caixa dois na campanha do presidente Jair Bolsonaro não passam de “choro de perdedores”.

Segundo o dirigente partidário, as recentes revelações a respeito da movimentação financeira do PSL durante a campanha de 2018 são “especulações” – que partem, segundo ele, de adversários que buscariam um “terceiro turno” presidencial. “Cabe ao Ministério Público oferecer denúncia (no caso). Até agora, nada comprovado”, disse o coronel, em contato com a reportagem do Agora RN nesta terça-feira, 8.

Segundo o presidente estadual do PSL, os rumores sobre a saída de Bolsonaro do partido também são “mera especulação” por enquanto. Coronel Hélio afirma que esta será uma decisão pessoal do presidente da República e que, se isso vier realmente a acontecer, a tendência é que os apoiadores do presidente o sigam em qualquer outra legenda.

Apesar disso, coronel Hélio defende que algumas “ações relevantes” sejam levadas em consideração neste momento em que a saída de Bolsonaro do PSL é cogitada. Ele lembra que, após a chegada do presidente, o PSL se tornou uma marca robusta no Rio Grande do Norte, com 40 comissões municipais inauguradas, abrangendo 70% do eleitorado potiguar.

Entenda

A relação do presidente Jair Bolsonaro com o PSL, partido pelo qual ele foi eleito em 2018, piorou nas últimas semanas. Isso acontece no momento em que a legenda está no centro de revelações sobre a existência de um suposto esquema de candidaturas laranjas em Minas Gerais durante a campanha do ano passado.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, um ex-assessor do ministro Marcelo Álvaro Antônio (Turismo), Haissander Souza de Paula, afirmou em depoimento à Polícia Federal que o dinheiro do suposto esquema de candidatas laranjas do PSL foi desviado para abastecer, por meio de caixa dois, as campanhas de Bolsonaro e do ministro, à época coordenador da campanha presidencial e candidato a deputado federal.

Em fevereiro, a Folha revelou a existência de um esquema de desvio de verbas públicas de campanha do PSL em 2018, que destinou para fins diversos recursos que, por lei, deveriam ser aplicados em candidaturas femininas do partido. Álvaro Antônio, deputado federal mais votado em Minas Gerais, foi coordenador no estado da campanha presidencial de Bolsonaro.

O ministro foi indiciado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais na última sexta-feira, 4, sob acusação dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa —com pena de cinco, seis e três anos de cadeia, respectivamente. Ele nega irregularidades.

Nesta quarta-feira, 9, o presidente nacional do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), disse considerar que o presidente Jair Bolsonaro já decidiu pela saída do partido. “Quando ele diz a um estranho para esquecer o PSL, mostra que ele mesmo já esqueceu. Mostra que ele não tem mais nenhuma relação com o PSL”, afirmou o dirigente partidário, ao jornal O Estado de S. Paulo.

Na terça, Bolsonaro disse a um apoiador que se identificou como pré-candidato pela legenda no Recife (PE) para que ele esquecesse o partido e afirmou que Bivar “está queimado para caramba”.

Bivar disse não entender o que motivou o presidente a dar tais declarações. “Ontem (terça) mesmo eu recebi um convite para ir a uma cerimônia no Palácio do Planalto e tinha um jantar marcado com o ministro da Justiça, Sérgio Moro. Então, não vi indicativos nenhum”, disse.

Para ele, a intenção do presidente ao atacar o PSL é mostrar que não tem envolvimento com denúncias sobre irregularidades envolvendo a candidaturas de mulheres que teriam sido usadas como “laranjas” para obter recursos públicos. “Acho que ele quis sair porque tem preocupação com as denúncias de laranjas. Ele quer ficar isento dessas coisas”, afirmou Bivar.

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