Eleições 2018
João Hélio Cavalcanti se licencia do Sebrae para participar da campanha
Admitindo que já descartou completamente as possibilidades de concorrer a deputado estadual ou federal nas eleições de outubro
Reprodução Facebook
João Hélio com Fátima Bezerra

Aos 60 anos recém-completos em abril, o diretor técnico do Sebrae do RN desde 2005, João Hélio Cavalcanti Jr, é um petista histórico dos primórdios do Partido dos Trabalhadores no início dos anos 80.

Nascido em Natal, ainda criança mudou-se para São Paulo onde fez um pouco de tudo: trabalhou do chão de fábricas ao setor de atacado e distribuição.

Ex-funcionário do segmento de vidros da gigante Saint-Gobain, companhia francesa fundada em 1665, trabalhou nas campanhas dos ex-presidentes Lula e Dilma.

Foi coordenador da Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania, braço empresarial da campanha de Lula à presidência, e chegou a se candidatar para deputado estadual pelo RN em 2002. Perdeu, mas superou os 2.500 votos.

Desde então, João mergulhou nos afazeres de diretor técnico no Sebrae do RN, função para a qual foi eleito em 2004 e assumiu em 2005.

Sua discrição na liturgia do cargo durou até a última quarta-feira, 6, poucas horas antes do encerramento legal para licenciamentos em caso de candidaturas.

João Hélio explicou ao Agora RN que integrará oficialmente a frente de apoio à candidatura da senadora Fátima Bezerra ao governo do Estado como um dos nomes a ser considerado ao cargo de vice-governador.

“Não há nada certo, apenas coloquei meu nome para a discussão dentro da frente e, se não for escolhido, trabalharei pelo nome da senadora que eu entendo ser o melhor para o Rio Grande do Norte”, diz João Hélio com simplicidade.

Admitindo que já descartou completamente as possibilidades de concorrer a deputado estadual ou federal nas eleições de outubro, João Hélio diz que sua decisão não só se parece como é a mais coerente.

“Sou um homem de partido, com experiência para buscar o apoio empresarial em favor da campanha da senadora Fátima Bezerra. E é o que eu vou fazer, sendo escolhido para ser o vice ou não”, resume.

Autodefinido como um socialista, ele entende que chegou a hora de se posicionar. E cita as candidaturas de Guilherme Afif Domingos, que deixou a presidência do Sebrae nacional para se candidatar à presidência da República e do presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae RN, José Vieira, que seguiu a mesma direção para se candidatar ao Senado.

“Sou apenas mais um no Sebrae que segue esse caminho”, justifica.

Sobre temas relevantes como a crise dos combustíveis e a necessidade de ajuste nas contas públicas do estado, João Hélio não se esquiva.

Para ele, reduzir tributos como o ICMS não é a solução para baratear o preço dos combustíveis, pois isso oneraria outros setores da sociedade.

“Precisamos injetar R$ 2 bilhões na economia potiguar no curto prazo e não é penalizando o conjunto dos trabalhadores, inclusive do serviço público, que vamos chegar lá”, opina.

Sobre ajuste fiscal, João Hélio diz que é preciso debater o problema com seriedade, mesmo que isso esbarre de alguns direitos adquiridos “legais”, mas não “morais”. E acrescenta: “É preciso olhar o conjunto da sociedade, sempre”.

Sobre o Rio Grande do Norte, afirma que é preciso jogar pela janela a ideia de que se trata de um estado pobre. “Não somos pobres!”, proclama.

E explica:

“Um estado líder em energia renováveis, produtor de petróleo, líder na produção de frutas, retornando com força para a exportação de camarão, com o nosso potencial turístico e um aeroporto considerado modelo, a produção mineral precisando ser organizada, mas importante e nossa posição na produção salineira, não é pobre”.