Eleições 2018
Geraldo Alckmin se lança ao corpo a corpo de campanha em sua passagem por Natal
Provocado e chamado de Bolsonaro por alguns pacientes no Hospital da Liga, o candidato acaba aplaudido por voluntários da instituição e promete que, se for eleito, vai corrigir a tabela do SUS
José Aldenir/Agora Imagens
Alckmin em entrevista coletiva, após visita ao Hospital da Liga

Muito longe da imagem de “picolé de chuchu” criada para ele pelos adversários, o candidato à Presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin, encarou sua agenda em Natal, na manhã desta sexta-feira, 14, tanto na visita à Liga Norte-rio-grandense contra o Câncer quanto depois à fábrica da Riachuelo, em Extremoz, como mais um dia de corpo a corpo com eleitores.

Com meia hora de atraso, o candidato chegou ao primeiro compromisso fazendo questão de visitar quase todas as áreas da Liga, cumprimentando pacientes, funcionários e colaboradores do hospital, sem se esquecer de posar para selfies com todos que solicitavam durante a difícil caminhada pelos corredores da instituição.

Médico anestesia que disse se orgulhar de ter nascido na Santa Casa de Pindamonhangaba, município do Vale do Paraíba paulista, Alckmin parecia à vontade no ambiente hospitalar, mesmo depois de ser provocado por alguns pacientes na recepção que durante sua entrada insistiam em chamá-lo de Bolsonaro.

Mas, quando chegou ao auditório da Liga, foi efusivamente aplaudido ao se lembrar dos voluntários que ajudam a difícil missão da Liga em atender gratuitamente a quem precisa. Com um tom de voz constante, mas forte e grave, seu primeiro pronunciamento tratou especificamente dos grandes desafios brasileiros na saúde.

Lembrando uma famosa frase do escritor potiguar Câmara Cascudo – o “melhor produto do Brasil são os brasileiros” -, Alckmin tratou dos desafios brasileiros nessa área comparando-os a dois copos – um meio cheio e o outro meio vazio.

No meio cheio, estão as conquistas brasileiras do século passado, resumidas na conquista da água tratada e das vacinas.

Do lado do copo meio vazio, o candidato lembrou os imensos desafios da saúde pública, diante do envelhecimento da população e das doenças decorrentes disso e de muitas outras que vitimam as populações mais jovens, decorrentes das doenças do coração e da violência.

Acompanhado de nomes de expressão de seu partido presentes, como o presidente da Assembleia Ezequiel Ferreira; o candidato ao Senado Geraldo Melo; o deputado federal candidato a reeleição Rogério Marinho e a deputada estadual Márcia Maia, entre outros, Geraldo Alckmin disse durante coletiva aos jornalistas que não pretende alterar a lei do teto de gastos, mas encolher a gastança do governo.

Renovou sua posição que pretende iniciar um grande processo de privatizações e que, no setor financeiro, vai estimular a privatização a proliferação de bancos para incentivar a queda dos juros pela via da competição. “Enquanto no Brasil temos 400 instituições financeiras, nos EUA há pelo menos 4 mil”, lembrou. Mas ao responder uma pergunta, afirmou que não pretende privatizar a Caixa Econômica e o Banco do Brasil.

Outro compromisso assumido pelo candidato foi corrigir a tabela do SUS para os serviços médicos e se estabelecer como um parceiro na renovação tecnológica do setor hospitalar para renovar extensivamente o equipamento obsoleto espalhado pelo País.

Dentro desse compromisso, Alckmin prometeu, caso seja eleito, reabrir os 30 mil leitos fechados no Brasil por falta de custeio. “Será minha primeira tarefa como presidente”, insistiu.

Sobre a alta do dólar sobre o real, considerado recorde na vigência do Plano Real, Alckmin atribuiu o fato à “frouxidão” fiscal existente no País e à gastança sem qualidade por parte do Governo Federal, que produz a especulação no setor.

Para o candidato, todos os partidos políticos brasileiros sem exceção, inclusive o seu, estão fragilizados. “Trinca e cinco partidos, convenhamos, é uma coisa artificial, só no Brasil!”, ironizou. E, em seguida, usou essa frase para defender a urgente reforma política.

Sobre a recente crítica feita a ele nas redes sociais pelo presidente Temer em resposta a ataques sofridos pelo candidato, Alckmin foi direto: “Temer era vice no PT; portanto quem escolheu Temer foi o PT e não nós, do PSDB”.