Nas redes sociais
Especialista faz alerta para pré-candidatos: “público quer projeto, não só a agenda”
Segundo consultor de marketing Bruno Oliveira, não adianta apenas o pré-candidato dizer onde está. É preciso criar um conceito para a comunicação pelas redes sociais
Professor Bruno Oliveira é cientista político e consultor em marketing

Para o consultor de marketing e cientista político Bruno Oliveira, apesar de ter elevado número de seguidores, os pré-candidatos ainda precisam “pensar” melhor suas redes sociais para que elas sejam mais atrativas para os internautas. Segundo ele, inclusive, Instagram, Facebook e Twitter vão ter considerável peso na definição da imagem dos postulantes a cargos eletivos, sobretudo, pelo perfil “horizontal” de sua comunicação.

Levantamento do Agora RN mostrou que o governador Robinson Faria (PSD) é o mais seguido das redes sociais entre os atuais pré-candidatos ao Governo do RN no pleito deste ano. Fátima Bezerra, do PT, é a segunda.

Agora RN: Qual a importância das redes sociais para a campanha que está chegando?

Bruno Oliveira: As redes estão cada vez influenciando mais. A gente percebe a cada eleição. Claro que o programa eleitoral e, principalmente, as inserções vão ter muito peso, mas as redes sociais têm uma dinâmica que a TV não consegue ter, porque é possível fazer uso de forma mais horizontal, de maneira mais direta com o eleitor, o público.

Agora RN: Qual a rede social tem mais impacto no eleitor?

Bruno Oliveira: É difícil isso porque são públicos um pouco diferentes de um para outro e o meio em si tem características diferentes. O Twitter, por exemplo, tem um peso muito maior de texto, maior que vídeo e foto. Instagram, a dinâmica da imagem é muito mais forte. Youtube também não pode ser desconsiderado. Então, é difícil dizer: vá para essa rede que vai dar certo. Em geral, os políticos gostam do Twitter, apesar de ser uma rede que andou um pouco estagnada durante certo tempo, e é bastante consumida por formadores de opinião.

Agora RN: O candidato, então, não pode priorizar uma em detrimento da outra…

Bruno Oliveira: Consultor, eu digo: não. A gente precisa montar um plano para estar presente em todas e de forma eficiente e entendendo como explorar melhor cada uma delas. Não é só replicar o conteúdo de uma nas outras, porque cada uma tem a sua característica.

Agora RN: O candidato que não der atenção para as redes, pode ficar para trás?

Bruno Oliveira: A presença nas redes sociais não é mais uma coisa opcional. O candidato precisa estar presente, porque é onde o eleitor está, a população está. A campanha diminuiu de tempo. O período de pré-campanha é complicado para que não tem estrutura. Então, se ausentar também das redes sociais é um erro. Minimamente, mesmo que seja de forma mais amadora, mas tem que estar presente, independentemente de para qual cargo ele for candidato. Hoje, já é dificil reunir pessoas, 100 ou 200 por exemplo num evento. Aí nas redes sociais é possível reunir muito mais gente de uma só vez.

Agora RN: Na sua opinião, os pré-candidatos já estão fazendo um bom uso das redes sociais ou ainda é preciso melhorar em alguns aspectos?

Bruno Oliveira: Precisa dar uma melhorada em todos eles. Precisam ter mais estratégia do ponto de vista conceitual. Todos tem usado para dizer “estou fazendo isso, estou fazendo aquilo”, mas o marketing em geral precisa criar um conceito em torno do candidato e isso ser melhor explorado nas redes sociais. A mensagem ela precisa, a partir de agora, ser mais pensada, dentro de um conceito. A rede social tem uma característica, que é o internauta só consumir aquilo que for relevante para ele. Então: será que a cobertura da agenda do candidato é relevante para mim, que estou lá no interior, por exemplo? Será que saber que o candidato participou de um evento é importante? Não estou dizendo que não seja. Estou dizendo que é pouco. Preciso ser alimentado por algo que seja mais elevante para mim. Não só do ponto de vista prepositivo, mas também de pessoal. Saber como a pessoa pensa, por exemplo.