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Repercussão
Diálogo de Moro com Dallagnol é “escandaloso”, diz Natália Bonavides
Em alguns dos trechos, o então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, hoje ministro da Justiça e Segurança Pública, orienta a acusação contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do tríplex
Gabriel Paiva / PT
Deputada federal Natália Bonavides (PT)

A deputada federal potiguar Natália Bonavides (PT) condenou o teor das conversas entre o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador da República Deltan Dallagnol reveladas neste domingo, 9, pelo The Intercept Brasil. Pelas redes sociais, a parlamentar disse se tratar de algo “escandaloso, ultrajante, afrontoso, criminoso”.

Os diálogos, obtidos segundo o site a partir de uma fonte anônima, mostram diálogos entre Moro e Dallagnol, no aplicativo de mensagens Telegram, sobre ações da Operação Lava Jato. Em alguns dos trechos, o então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, hoje ministro da Justiça e Segurança Pública, orienta a acusação contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do tríplex.

“Enquanto contra Lula não há provas, as provas de que o Partido da Lava Jato agiu para perseguir por interesses políticos eleitorais se avolumam a cada dia”, escreveu Natália, no microblog Twitter. “Quando Dallagnol se referia a Moro no grupo da Lava Jato, chamava o juiz de ‘o Russo’. Levou para outro nível a expressão ‘faltou combinar com os russos’. Sendo que ele combinava”, acrescentou.

De acordo com o The Intercept Brasil, há conversas escritas e gravadas nas quais Moro sugeriu mudança da ordem de fases da Lava Jato, além de dar conselhos, fornecer pistas e antecipar uma decisão a Dallagnol.

Em outras conversas privadas divulgadas pelo site, procuradores da Lava Jato tramam uma estratégia para impedir Lula de conceder entrevista à imprensa antes do encerramento das eleições presidenciais de 2018 e também demonstram preocupação com a opinião pública e conversam sobre como a Operação Lava Jato poderia influenciar o processo político no País.

“Se as conversas entre Moro e Dallagnol fossem de um advogado de defesa de Lula com o juiz? Imagine”, refletiu Natália Bonavides em outro post no Twitter.

Em nota, Sergio Moro afirmou que, nas mensagens em que é citado, “não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado”. O ministro da Justiça e Segurança Pública disse lamentar “a falta de indicação de fonte de pessoa responsável pela invasão criminosa de celulares de procuradores” e o “sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato”.

O Ministério Público Federal disse, também em nota, que procuradores da República foram alvo de uma invasão hacker que vazou comunicações privadas dos envolvidos. A força-tarefa declarou que o objetivo do vazamento é atacar a Operação Lava Jato e que há “nítida orientação ideológica” no site, que teria publicado conteúdo “tendencioso”.

Em outra mensagem, os procuradores disseram ter “tranquilidade” de que as mensagens “refletem atividade desenvolvida com pleno respeito à legalidade e de forma técnica e imparcial” e que não irão “se dobrar à invasão imoral e ilegal, à extorsão ou à tentativa de expor e deturpar suas vidas pessoais e profissionais”.

A defesa do ex-presidente Lula – condenado por Moro a 9 anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex – argumentou que o conteúdo das mensagens reveladas pelo The Intercept Brasil sugere falta de isenção dos procuradores.

Os advogados de Lula afirmam que as conversas divulgadas demonstram “uma atuação combinada entre os procuradores e o ex-juiz Sérgio Moro com o objetivo pré-estabelecido e com clara motivação política, de processar, condenar e retirar a liberdade do ex-presidente”.

“Ninguém pode ter dúvida de que os processos contra o ex-presidente Lula estão corrompidos pelo que há de mais grave em termos de violações a garantias fundamentais e à negativa de direitos”, declararam os advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Martins, que pedem, de forma “urgente”, o restabelecimento da liberdade do petista.

Eles afirmam, ainda, que Lula “não praticou qualquer crime e que é vítima de “lawfare”, que é a manipulação das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política”.

O The Intercept Brasil negou ter envolvimento no ataque hacker aos telefones dos procuradores e do ex-juiz Sérgio Moro e afirmou que recebeu o material de uma fonte anônima. O site completou que vai resguardar o sigilo da fonte.

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