Prefeitura de Natal
Natalenses reprovam possível renúncia do prefeito Carlos Eduardo em abril
Pedetista já admite a possibilidade de renunciar ao cargo para disputar a sucessão do governador Robinson Faria (PSD), contrariando o compromisso firmado com o eleitorado durante a eleição
Prefeito Carlos Eduardo - Câmara Cidadã -ZN (62)
José Aldenir/Agora Imagens
Prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PDT)

Pressionado pelos adversários a esclarecer se tinha ou não a pretensão, caso fosse reeleito para a Prefeitura de Natal em 2016, de renunciar ao mandato dois anos depois para concorrer ao Governo do Estado, Carlos Eduardo Alves (PDT) prometeu, durante a campanha, governar até 2020.

Já reeleito, o prefeito reafirmou a promessa. Em entrevista concedida à rádio 96 FM no dia seguinte à vitória nas urnas (4 de outubro de 2016), por exemplo, o pedetista sentenciou: “Sou candidato a ter foco administrativo nos próximos quatro anos”.

Menos de dois anos depois daquela entrevista, Carlos Eduardo parece ignorar a promessa. Na semana passada, em entrevista à mesma rádio, o prefeito mudou o discurso. Agora, o pedetista já admite a possibilidade de renunciar ao cargo para disputar a sucessão do governador Robinson Faria (PSD), contrariando o compromisso firmado com o eleitorado durante a eleição.

A maioria dos populares ouvidos pelo Agora RN critica a mudança de postura do prefeito. A administradora Mirna Costa, 43 anos, não aprova uma eventual renúncia do atual gestor. “Se ele disse durante a campanha de reeleição que não iria renunciar, então tem que cumprir a palavra. Não pode querer o governo agora”, diz. “Promessa é promessa. Tem que ser cumprida”, concorda o educador físico João Muniz, 41.

A possibilidade de Carlos Eduardo deixar a Prefeitura para se aventurar em um pleito para o Governo desperta insatisfação até mesmo em natalenses que não costumam acompanhar a vida política da cidade. É o caso do segurança Paulo Sérgio, de 44 anos. “Particularmente, eu não costumo votar nas eleições, sempre aperto branco. Mas num caso como esse, eu acho errado”, opina.

Há quem considere válido o caminho que o prefeito quer percorrer, mas a aprovação não é necessariamente pelos méritos do atual gestor, e sim pela ansiedade da alternância de poder. “Quero que ele saia do poder e dê espaço a outro. Tentando o Governo do Estado, ele pode disputar e perder, ou seja, ficaria sem mandato. Precisamos de rotatividade”, afirma o auxiliar administrativo Anderson Lira, de 36 anos.

VICE

Por causa da possibilidade de renúncia, a escolha do candidato a vice-prefeito na chapa de Carlos Eduardo em 2016 foi motivo de ampla discussão na base de sustentação ao prefeito. O debate girava em torno exatamente da possibilidade de o companheiro de chapa ter de assumir o mandato posteriormente.

Na época, diversos nomes foram cogitados para o cargo, mas o escolhido acabou sendo o então deputado estadual Álvaro Dias (PMDB), indicado pelo grupo político liderado pelo ex-deputado federal Henrique Eduardo Alves.

Caso Carlos Eduardo renuncie até 7 de abril (prazo máximo estipulado pela Justiça Eleitoral para prefeitos que desejem ser candidatos a governador), Álvaro assume o mandato até 2020.

“ESCOLHA DE SOFIA”

O Agora RN tem mostrado que Carlos Eduardo tem hesitado em decidir se será candidato a governador nas próximas eleições. O prefeito de Natal tem aparecido em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto e é estimulado pelos senadores Garibaldi Alves Filho (PMDB) e José Agripino Maia (DEM) a concorrer.

Entre os fatores que têm impedido a tomada de decisão, estão os “riscos” da renúncia. Enquanto seus potenciais adversários terão um período maior para articular as pretensões políticas (o registro de candidaturas vai até o dia 15 de agosto e, no caso dos demais pré-candidatos, não é preciso renunciar a outros cargos), Carlos Eduardo precisará agir precocemente, quando o cenário político ainda estará pouco definido. Aliados ponderam que renunciar em abril pode representar um “tiro no escuro”.

Outro fator que tem influenciado na decisão do prefeito é o grau de risco da renúncia. Se deixar a gestão municipal para concorrer ao Governo do Estado e perder, Carlos Eduardo pode ficar quatro anos sem mandato eletivo, uma vez que ele só teria chance de retomar o poder em 2022. Em 2020, a menos que ele queira ser candidato a vereador, o pedetista não poderia mais uma vez concorrer a prefeito.

Por fim, a situação nacional – ainda indefinida – também é um fator complicador. O partido do prefeito, o PDT, tem como pré-candidato à Presidência o ex-ministro Ciro Gomes, a quem Carlos Eduardo já manifestou apoio. Acontece que Ciro poderá receber o apoio do PT a nível federal, caso Luiz Inácio Lula da Silva seja impedido de concorrer.