Eleições 2018
Carlos Eduardo diz que “perde o sono” só de pensar em renunciar à Prefeitura
Se quiser ser candidato a governador, Carlos Eduardo precisa renunciar à Prefeitura de Natal até o dia 7 de abril, prazo de descompatibilização estipulado pela Justiça Eleitoral
Câmara Cidadã -ZN (404)
José Aldenir/Agora Imagens
Prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PDT)

O prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PDT), afirmou nesta quinta-feira, 8, que pode renunciar ao cargo em abril para disputar o Governo do Estado nas próximas eleições, mas que tem “perdido o sono” pensando no assunto. “Eu não gosto muito de pensar nisso [renúncia] porque de noite eu perco o sono. Estou preocupado”, disse, em entrevista à 96 FM.

Se quiser ser candidato a governador, Carlos Eduardo precisa renunciar à Prefeitura de Natal até o dia 7 de abril, prazo de descompatibilização estipulado pela Justiça Eleitoral para prefeitos que queiram disputar outro cargo executivo. Caso o prefeito decida disputar o Governo, o vice, Álvaro Dias (PMDB), assume o comando do Município até 2020.

O pedetista não assumiu a pré-candidatura, mas não descartou a hipótese de concorrer à sucessão do governador Robinson Faria (PSD). “Não sou candidato, mas posso vir a ser, admito a possibilidade. Tenho recebido muitos convites, muitos acenos e convocação, mas é preciso ter serenidade e paciência. Eu penso [em ser candidato] porque todo homem público tem o sonho de governar o seu estado”, acrescentou.

Carlos Eduardo destacou que tem dialogado com lideranças políticas como os senadores Garibaldi Alves Filho (PMDB) e José Agripino Maia (DEM), mas que as alianças ainda não estão definidas. “No momento, nós estamos apenas conversando. Eles [senadores] têm dito, pela experiência e vivência que eles têm, que eu sou o melhor candidato ao Governo do Estado.

Matéria publicada pelo Agora RN nesta quarta-feira, 7, mostrou que Carlos Eduardo tem hesitado em decidir se será candidato a governador por causa dos “riscos” da renúncia.

Isso porque, enquanto seus potenciais adversários terão um período maior para articular as pretensões políticas (o registro de candidaturas vai até o dia 15 de agosto e, no caso dos demais pré-candidatos, não é preciso renunciar a outros cargos), o pedetista precisará agir precocemente, quando o cenário político ainda estará pouco definido. Aliados ponderam que renunciar em abril pode representar um “tiro no escuro”.

Outro fator que tem influenciado na decisão do prefeito é o grau de risco da renúncia. Se deixar a gestão municipal para concorrer ao Governo do Estado e perder, Carlos Eduardo pode ficar quatro anos sem mandato eletivo, uma vez que ele só teria chance de retomar o poder em 2022. Em 2020, a menos que ele queira ser candidato a vereador, o pedetista não poderia mais uma vez concorrer a prefeito.

Por fim, a situação nacional – ainda indefinida – também é um fator complicador. O partido do prefeito, o PDT, tem como pré-candidato à Presidência o ex-ministro Ciro Gomes, a quem Carlos Eduardo já manifestou apoio. Acontece que Ciro poderá receber o apoio do PT a nível federal, caso Luiz Inácio Lula da Silva seja impedido de concorrer.

“GOVERNO FALIDO”

Na entrevista, o prefeito também fez críticas à atual administração. Na avaliação dele, a crise que a gestão estadual enfrenta atualmente é a mais grave de todos os tempos. “O Estado nunca atravessou uma situação tão difícil e precária como estamos enfrentando nessa gestão. É um governo falido, sem perspectiva, que chegou ao ocaso”, finalizou.