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Hotel Reis Magos
Álvaro Dias contrariou Carlos Eduardo ao defender demolição
Nesta terça-feira, o presidente do presidente da Instituto do Amigos do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural de Natal acusou o prefeito de estar cedendo a pressões da construção civil ao defender a demolição do prédio
José Aldenir / Agora RN
Decisão do prefeito Álvaro Dias foi de defender oficialmente a demolição do hotel, na Praia do Meio

A decisão do prefeito Álvaro Dias de defender oficialmente a demolição do hotel dos Reis Magos, na Praia do Meio, não o contrapôs apenas a entidades como o Instituto do Amigos do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural de Natal e a Procuradoria Geral do Estado.

Também contrariou uma posição do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves, de quem Dias herdou a prefeitura após a renúncia do titular para concorrer ao Governo do Estado.

“Vamos perseguir um projeto que alie a preservação completa desse patrimônio imaterial de Natal com a utilização funcional e econômica do antigo Hotel dos Reis Magos”, declarou Carlos Eduardo em fevereiro de 2014.

Nesta segunda-feira, 9, o prefeito Álvaro Dias se opôs diametralmente a essa posição ao afirmar que só espera o aval da governadora Fátima Bezerra para que a Semurb autorize a demolição do hotel, abandonado há décadas. “Espero que o Estado tenha a sensatez de autorizar a demolição”, afirmou.

Ouvido pelo Agora RN sobre esse debate, o professor José Clewton do Nascimento, do Departamento de Arquitetura da UFRN e um dos membros integrantes do coletivo [R]existe Reis Magos, não quis comentar a posição do prefeito.

“Sinceramente, estou cansado de falar a respeito. Minha posição sobre o assunto já foi devidamente tornada pública”, afirmou.

Já o presidente do presidente da Instituto do Amigos do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural de Natal, Ricardo Tersuliano, acusou o prefeito de estar cedendo a pressões da construção civil ao defender a demolição do prédio.

Afirmou que o Conselho de Cultura da Cidade conseguiu a “proeza” de recusar o tombamento depois de analisar num único dia, sem distribuir a seus sete conselheiros, as 1.100 páginas do relatório sobre o valor arquitetônico do prédio. “Inclusive, passaram por cima de um estudo anterior e do parecer de especialistas locais e nacionais”, acrescentou.

Há uma semana, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) indeferiu o pedido de tombamento do Reis Magos, em Natal, decisão publicada pelo Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização (Depam/Iphan) do último dia 3. A avaliação da autarquia é que o hotel não apresenta “elementos significativos” com valor patrimonial em âmbito federal, embora seja um “elemento importante” para a compreensão da evolução urbana da capital potiguar.

Quando era prefeito, Carlos Eduardo não se restringiu a impedir a demolição do hotel Reis Magos. Mandou embargar o hotel da extinta companhia BRA por conta de um andar a mais na construção e conter aumento dos gabaritos na Zona Norte de Natal, alegando que não autorizaria nada ali sem que o bairro adquirisse mais infraestrutura urbana.

Na última segunda-feira, durante um seminário promovido pela Federação do Comércio, o prefeito Álvaro Dias criticou duramente o atual Plano Diretor do município, dizendo que por causa dele Natal teria perdido 350 mil habitantes, que se mudaram para municípios da região metropolitana.

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