Eleições 2018
Ação de Carlos e Andréa em favor de Nina prejudicou filho de Álvaro
Andréa teria mobilizado cargos comissionados para votar em Nina, a despeito de Adjuto Dias também ser candidato
José Aldenir / Agora RN
Prefeito de Natal, Álvaro Dias (MDB), Carlos Eduardo e a mulher, Andréa

A eleição para deputado estadual no Rio Grande do Norte gerou um desentendimento entre o atual prefeito de Natal, Álvaro Dias (MDB), e o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves, candidato do PDT ao Governo do Estado. No centro da desavença, o insucesso eleitoral do filho de Álvaro, Adjuto Dias (MDB), para a Assembleia Legislativa.

Fontes ligadas ao Palácio Felipe Camarão, sede da Prefeitura do Natal, afirmam que Carlos Eduardo e sua esposa, a secretária municipal da Mulher, Andréa Ramalho, atuaram intensamente nos bastidores para favorecer a vereadora Nina Souza (PDT) na disputa para deputada estadual, o que prejudicou Adjuto, que não conseguiu votação suficiente para se eleger.

As informações dão conta de que Andréa Ramalho, enquanto porta-voz do marido (Carlos Eduardo), teria mobilizado cargos comissionados das secretarias da Mulher, da Saúde e da Assistência Social para votar e pedir votos para Nina Souza, mesmo com o filho do prefeito sendo candidato ao mesmo cargo.

Adjuto Dias teve 28.697 votos no Rio Grande do Norte, dos quais apenas 7.939 foram em Natal. A votação foi praticamente idêntica à de Nina Souza, que conseguiu 7.379 votos na capital – ela recebeu pouco mais de 21 mil em todo o Estado.

A expectativa de Adjuto e do seu pai, o prefeito Álvaro Dias, era que a estrutura de cargos da Prefeitura garantisse maior votação a Adjuto na capital. Como isso não aconteceu, o candidato ficou de fora da Assembleia. Na mesma coligação de Adjuto, para se ter uma ideia do prejuízo que foi a baixa votação em Natal, Getúlio Rêgo (DEM) foi eleito com 33.477 votos, 10 mil a mais que o filho de Álvaro Dias.

As mesmas fontes próximas ao prefeito contam que Álvaro Dias entendeu o apoio velado de Carlos Eduardo e sua mulher a Nina Souza como quebra de um acordo. Prefeito desde abril – quando Carlos Eduardo renunciou para disputar o Governo –, Álvaro manteve toda a estrutura de secretários e cargos deixada pelo ex-prefeito, como cumprimento a um acerto feito com o aliado.