Atentado no MPRN
Novo laudo psiquiátrico diz que acusado de tentar matar promotores é “semi-imputável”
Documento pode provocar uma reviravolta no caso, pois a análise diz que o atirador “não tinha plena capacidade de entendimento e determinação” no momento do crime
Reprodução
Guilherme Wanderley Lopes, ex-servidor do Ministério Público do Estado, é acusado de tentar matar a tiros, em março de 2017, três promotores de Justiça

O Diário Oficial do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte da sexta-feira, 10, traz a homologação de um novo laudo de insanidade mental de Guilherme Wanderley Lopes, ex-servidor do Ministério Público Estadual, acusado de tentar matar a tiros, em março de 2017, três promotores de Justiça. O documento pode provocar uma reviravolta no caso, pois a análise diz que o atirador “não tinha plena capacidade de entendimento e determinação” no momento do crime.

O laudo é assinado pelo psiquiatra forense João Batista de Souza, do Instituto Técnico de Polícia Científica do Rio Grande do Norte (ITEP). O documento argumenta que Guilherme Wanderley Lopes apresenta a condição clínica de semi-imputabilidade, quando o não se tem plena capacidade de entender o caráter ilícito do ato praticado.

O resultado da perícia, entregue à justiça no dia 05, pode configurar numa mudança no processo de Guilherme Wanderley. A partir de agora, a defesa do ex-servidor tem uma nova ‘arma’ processual, pois o laudo aponta que o acusado não tinha domínio de si quando tentou matar o procurador Rinaldo Reis e os promotores Wendell Bethoveen e Jovino Pereira.

“Concluo que à época dos fatos, o periciando apresentava transtorno mental tipo reação à experiência estressante, com desenvolvimento de ideação prevalente homicida e culminando com uma crise catatímida, acarretando grave distorção para o seu psiquismo como um todo, configurando uma perturbação de saúde mental no sentido da lei, fazendo com que não tivesse a plena capacidade de entendimento e determinação”, escreveu o psiquiatra João Batista de Souza.

Homologado, o documento se encontra na Segunda Vara Criminal de Natal. O caso está com o juiz José Armando Ponte Dias Júnior. “As conclusões serão devidamente apreciadas por este Juízo no momento oportuno da prolação da decisão que encerra a primeira fase do rito dos crimes da competência do Tribunal do Júri, quando formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida”, anotou o magistrado.