quinta, 30 de março de 2017
Diagnóstico
Especialista ensina como identificar e tratar a diabetes em cães
Os cães que apresentam maior risco a esse tipo de doença são os cães acima de cinco anos de idade, que tiveram quadros de obesidade, doenças imunomediadas.
Caes dia
Reprodução/Internet
Apesar da doença não ter cura, pode se manter controlada a partir de seu tratamento

A Diabetes Mellitus é uma doença endócrina cada vez mais presente nas rotinas clínicas e acomete tanto seres humanos quanto animais de estimação. Ela ocorre devido à deficiência na produção do hormônio insulina ou em caso de dificuldade das células na utilização do hormônio produzido.

Os cães que apresentam maior risco a esse tipo de doença são os cães acima de cinco anos de idade, que tiveram quadros de obesidade, doenças imunomediadas, quadros de infecção ou cães fêmeas que tiveram contato com injeções anticoncepcionais ou que passaram pelo ‘cio’.

Segundo Paula Nassar De Marchi, médica veterinária especializada em endocrinologia, os sinais clínicos envolvem o emagrecimento progressivo do animal, o aumento da ingestão de água e do volume urinário, assim como, em alguns casos, cegueira de início rápido. Já o diagnóstico é feito por meio de coleta de sangue e exame de urina, onde a coleta deve ser feita em jejum e pode ser realizada em um teste rápido, por meio de um glicômetro portátil, que dá o resultado em poucos segundos, ou um exame de glicose laboratorial.

Paula explica a necessidade da realização dos exames na chegada do animal. “Quando o responsável me procura apontando os sintomas de perda de peso e um notável aumento no volume urinário, sugiro a realização de uma bateria de exames, como o hemograma, função hepática, função renal e até a realização de um ultrassom abdominal para entender o quadro clínico do animal e descartar outras doenças que apresentam os mesmos sintomas”.

O cãozinho Fofuxo, um dos pacientes de Paula, diagnosticado com a Diabetes Mellitus há cerca de dois anos, passou por algumas complicações resultantes da doença, mas, graças ao acompanhamento intenso da manicure Tatiana Cavalheiro, dona do animal, hoje leva uma vida muito mais tranquila.

“Tudo começou quando eu me mudei de apartamento. No primeiro mês, o fofuxo ficou meio depressivo, não tinha ânimo pra nada, só queria dormir, mas pensei que ele estava agindo estranho por causa da adaptação com o novo lar”, conta Tatiana.

Foi quando o animal começou a ingerir muita água e urinar em uma quantidade fora do normal que a dona resolveu levá-lo para uma consulta veterinária. “Primeiro levei em uma clínica onde foi realizado um exame de sangue, que não deu resultado. Não satisfeita, comentei com a doutora Paula, que logo me disse que pareciam sintomas da diabetes e que ela indicava alguns exames. Na hora, eu achei estranho, não conhecia a diabetes em cães, mas, um dia após a nossa conversa, o Fofuxo amanheceu com uma mancha nos olhos e decidi começar os exames”, explica Tatiana.

Catarata

Fofuxo contraiu a catarata, uma das reações causadas pela Diabetes Melittus, que prejudicou a visão do animal, levando rapidamente à cegueira.

Após iniciar o tratamento da diabetes, Tatiana começou a pesquisar a solução para Fofuxo voltar a enxergar.

“No começo, ele sofreu muito, porque, além das aplicações diárias de insulina e da alimentação controlada, ele ficou totalmente dependente, sem enxergar. Fomos ao oftamologista e, depois de exames, descobri que havia a opção de uma cirurgia com 90% de chance de sucesso”, comenta Tatiana, emocionada.

Fofuxo voltou a enxergar e hoje, após dois anos do diagnóstico, se encontra em uma situação mais tranquila, comparecendo apenas aos exames de rotina.

Apesar da doença não ter cura, pode se manter controlada a partir de seu tratamento. Tatiana, que passou por todos os momentos com Fofuxo, hoje se sente feliz. “Estamos muito felizes por ele ter voltado a enxergar, dá pra ver na cara dele que está agradecido”, conta.

Com informações do G1