Declaração
Para Meirelles, rebaixamento de nota foi técnico e não deve ser politizado
Para justificar sua confiança na recuperação do rating, Meirelles fez referência à votação da reforma da Previdência, o atraso no avanço das mudanças nas regras das aposentadorias
Dida Sampaio/Estadão
'Existe histórico de aprovação (no Congresso) de questões relevantes para o País', afirmou Henrique Meirelles

Um dia após a agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) rebaixar o rating do Brasil, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que a mudança para melhor da nota de crédito do País é uma “questão de tempo”. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira, 12, ele procurou minimizar o revés, apontando a decisão da agência como “uma questão pontual”. O ministro acredita que o novo rebaixamento é uma decisão técnica e não deve ser transformado em uma “grande questão política”. “Isso é uma questão pontual, não é um grande evento político no país.”

Para justificar sua confiança na recuperação do rating do País, Meirelles fez referência à votação da reforma da Previdência – o atraso no avanço das mudanças nas regras das aposentadorias foi um dos motivos apontados pela S&P para a decisão de alterar a nota de crédito brasileira. “Estamos seguros de que a reforma será aprovada. Como outras medidas já foram”. Ele pontuou também que, apesar do rebaixamento, a S&P melhorou a perspectiva da nota brasileira, de negativa para estável. “Significa que existe previsão de estabilidade por um período.”

Ele citou pontos abordados pela agência ao tratar da redução da nota do País, como a continuação do crescimento econômico, da inflação sob controle e a aprovação da reforma da Previdência, qualificada por Meirelles como “fundamental”, e de outros projetos de ajuste fiscal. “Continuamos afirmando que, em nossa avaliação, serão aprovados”, disse. “Já manifestamos isso aqui e no exterior.”

Meirelles listou ainda uma série de projetos que influenciam a área fiscal que já foram aprovados ou estarão em andamento. Entre eles, o ministro lembrou do projeto da mudança da tributação dos fundos de investimento, da reoneração das folhas de pagamento “já este ano” e do adiamento do aumento dos funcionários públicos, “que está sendo julgado no Judiciário”. “Tudo isso nos parece que será favorável”, afirmou.

O ministrou lembrou que o Congresso Nacional aprovou o teto de gastos, considerado fundamental para o País, além da reforma trabalhista, da lei de governança das estatais, da Taxa de Longo Prazo (TLP), do cadastro positivo (ainda em tramitação) e da duplicata eletrônica. “Existe histórico de aprovação (no Congresso) de questões relevantes para o País. (Isso) deve continuar ocorrendo”, afirmou.

“A agência normalmente vai de forma um pouco mais conservadora, o que é normal. Isso aconteceu também em 2017”, acrescentou Meirelles, em referência à S&P. “O Brasil está em processo de recuperação de forma sólida”, disse, citando a perspectiva de criação de 2 milhões de empregos este ano.

‘Quando mais, melhor’. Em um momento em que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) se articula para disputar a presidência da República, o ministro da Fazenda avaliou que “quanto mais candidatos, melhor”. A declaração foi dada ao ser questionado sobre a candidatura de Maia, que pode atrapalhar os planos do próprio Meirelles de concorrer com o apoio do governo.

“É absolutamente legítimo, normal e saudável que líderes relevantes do País possam considerar a possibilidade de postular à Presidência da República. É uma parte importante da democracia e, quanto mais postulantes e candidatos, melhor para que a população tenha condições de escolher”, afirmou.

Meirelles voltou a dizer que não tem pensado na candidatura à Presidência e que decidirá sobre o assunto em abril. “Sou ministro da Fazenda em período integral, continuo sendo”, afirmou, dizendo que vários fatores podem pesar nessa decisão, entre os quais sua disposição pessoal.

Ele tem sido criticado por parlamentares por se movimentar para concorrer à presidência enquanto atua como ministro da Fazenda.