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Meio Ambiente
Marinha mobiliza mais de 1.500 militares para combater manchas
Óleo ameaça diretamente a vida marinha, como tartarugas, aves e o peixe-boi marinho, o mamífero dos oceanos mais ameaçado de extinção do Brasil
O espalhamento de óleo pelas praias não atinge apenas banhistas e surfistas, ameaça diretamente a vida marinha

Desde o aparecimento das manchas no litoral do Nordeste, no último dia 2 de setembro, a Marinha já mobilizou 1.583 militares, cinco navios, uma aeronave, além de embarcações e viaturas pertencentes às diversas Capitanias dos Portos, Delegacias e Agências, sediadas ao longo do litoral.
O espalhamento de óleo pelas praias não atinge apenas banhistas e surfistas, ameaça diretamente a vida marinha, como tartarugas, aves e o peixe-boi marinho, o mamífero dos oceanos mais ameaçado de extinção do Brasil.

Segundo especialistas, o petróleo cru pode afetar a digestão dos animais e o desenvolvimento de algas, essenciais para a cadeia alimentar dessas espécies. Além disso, alertam, há possíveis riscos para a saúde humana.
“Sem dúvida é o maior desastre ambiental no litoral do Nordeste do Brasil”, afirma Flávio Lima, coordenador geral do Projeto Cetáceos da Costa Branca da Universidade Estadual de Rio Grande do Norte (UERN).
Ele e sua equipe estão envolvidos no atendimento de animais contaminados pelo óleo, cuja origem é atribuída à Venezuela, segundo análises feitas pela Petrobrás. Nesta quarta-feira, 9, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, declarou que a origem do vazamento seria um “navio estrangeiro”.

Até o momento, em todo o Nordeste, 16 tartarugas-marinhas, espécie ameaçada de extinção, foram contaminadas pela substância. Por isso, em Sergipe, o Projeto Tamar deixou de lançar 800 tartarugas no oceano.
“A morte das tartarugas é apenas a parte mais imediata das consequências do vazamento”, avalia Lima.

Só dois animais encontrados seguem com vida. Uma tartaruga-marinha que está no Centro de Descontaminação de Fauna Oleada da Uern, em Mossoró, único local no Nordeste que oferece estrutura completa para a recuperação dos animais resgatados com óleo. A outra aguarda estabilização do quadro para ser transferida para a unidade.

O material observado é denso, com odor forte característico e se espalha em borrões pelas praias e areias. O petróleo cru é perigoso e agressivo para a saúde humana e animal, por ser composto de uma mistura complexa de componentes orgânicos e 70% de hidrocarbonetos.

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