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Alerta
Gasolina mais cara no Brasil faz Petrobras perder mercado com queda de consumo
Fontes próximas à diretoria da companhia informaram que estatal estuda baixar o preço da gasolina para garantir paridade com o valor do mercado internacional
Fábio Motta / Estadão Conteúdo
Importação do combustível aumentou mais de 500% em um ano

RIO E NOVA YORK – A perda de espaço no mercado interno está preocupando a Petrobras e pode ser um empurrão para a estatal reduzir o preço do combustível. Fontes próximas à diretoria da companhia informaram que a estatal estuda baixar, até o fim deste ano, o preço da gasolina para garantir paridade com o valor praticado no mercado internacional. O preço desse combustível no país não cai há mais de sete anos.

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em agosto foram importados 1,87 milhão de barris de gasolina A (sem etanol), contra 294,9 mil em igual mês do ano passado, uma alta de 533%. Sentindo os efeitos da queda do consumo no Brasil provocada pela recessão, e com os preços da Petrobras acima das cotações internacionais, várias distribuidoras e agentes do mercado vêm importando gasolina e diesel.

A venda de gasolina cresceu 2% em julho, num total de 21,6 milhões de barris, enquanto as do combustível da Petrobras ficaram estagnadas no primeiro semestre. O comércio de diesel caiu 8,8% no país em julho, queda menor que a da estatal, que caiu 12% no semestre.

De acordo com dados do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), na semana passada, a Petrobras estava vendendo a gasolina em suas refinarias cerca de 20,9% mais cara do que no mercado externo, enquanto o preço do diesel estava 39,5% mais alto aqui. Nos seis primeiros meses do ano, a estatal teve um ganho de R$ 12,8 bilhões com essa diferença de preços.

NOVA POLÍTICA DE PREÇOS

O presidente da petroleira, Pedro Parente, disse ontem que nada foi decidido sobre redução no preço da gasolina e do diesel. O executivo afirmou que qualquer mudança de valores só será feita após a definição de uma nova política de preços.

— Não há decisão tomada. Estamos definindo como será a nossa política, mas é importante registrar que essa política tem, sim, como base a paridade internacional. Toda empresa tem que ter a sua margem. Este é um mercado de risco. Temos que levar isso em conta também. Tem muita volatilidade nesse mercado. Quando essa política estiver aprovada, tanto pode ter reduções quanto aumentos. Essa é a informação relevante. Não é só numa direção que isso pode funcionar — explicou Parente.

Segundo o presidente da estatal, é preciso considerar também a receita da empresa:

— Há outros fatores importante ainda, como a margem e o market share (participação de mercado). A combinação desses fatores é que forma um processo de decisão. Nós não temos prazo para tomar essa decisão.

Desde que os preços dos combustíveis foram liberados nas refinarias, a partir de 2002, o governo autorizou a redução de preços de gasolina e diesel cinco vezes. A última vez que esses combustíveis ficaram mais baratos foi em em junho de 2009, com uma redução de 4,5% nos preços da gasolina e de 15% para o diesel.

Em Nova York, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que não vai dar opiniões no debate sobre o preço da gasolina, que acha “normal e correto”:

— No momento em que eu der opinião sobre o que a Petrobras deve fazer, eu começo, de uma certa maneira, a interferir na companhia. Eu acredito que a Petrobras é autônoma, e confiamos na administração, que é capaz para fazer este julgamento.

IMPACTO NA INFLAÇÃO

A gasolina pesa 3,91% no orçamento das famílias que ganham até 40 salários mínimos. Se o corte no preço chegar a 10% nas bombas, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) cairia 0,4 ponto percentual. O economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) André Braz explica que, como o repasse para as bombas geralmente é metade do anunciado pela Petrobras, o litro da gasolina poderia ficar até 10% mais barato para o consumidor se a Petrobras resolver igualar seu preço à cotação internacional e reduzir o valor do litro nas refinarias em 20%.

Segundo Braz, o corte no preço mexeria com as expectativas para o resultado do IPCA este ano, que poderiam ficar mais próximas de 7%. Atualmente, na média, a previsão do mercado é que a inflação ficará em 7,34% este ano.

— Qualquer modificação no preço da gasolina mexe com as previsões para o índice fechado do ano. Mas as expectativas só vão mudar quando houver um anúncio oficial sobre o tamanho do corte — explicou Braz.

Este ano até agosto, a inflação da gasolina está em 0,40%. Mas o preço depende de outros fatores, como o preço do álcool anidro, que representa 20% de sua composição e que varia muito de cidade para cidade, por causa dos diferentes períodos de safra da cana-de-açúcar no Sudeste e Nordeste.

— Como este ano o preço do álcool já acumula deflação de 5,48% (até agosto), há ainda mais chances, em caso de redução do preço da gasolina, que a queda nas bombas seja ainda maior — disse o economista da FGV.

No Rio, de acordo com a ANP, o preço do litro da gasolina varia de R$ 3,55 a R$ 4,29 (média de R$ 3,861. Se a redução nas bombas chegar a 10%, isso significaria Queda de R$ 0,355 por litro nos postos que praticam o menor preço e de R$ 0,429 por litro onde é cobrado o maior valor. No caso de um carro 1.0, a economia para encher o tanque de 50 litros seria de R$ 18 ao abastecer no posto mais barato e de R$ 21,45 no mais caro.

Reprodução das informações de O Globo

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