terça, 30 de maio de 2017
Denúncia
Funcionário relata ‘tabela de preços’ para entrada de armas em presídio
De acordo com o homem, tanto a empresa quanto o governo não fiscalizam o serviço dos funcionários da terceirizada
Edmar Barros / Estadão
Veículo da Polícia Civil no Amazonas

Presos da Casa de Prisão Provisória de Palmas chegam a oferecer R$ 6 mil para os funcionários da unidade facilitarem a entrada de objetos no local. A informação é de um dos empregados da empresa Umanizzare, que administra a CPP de Palmas e o presídio Barra da Grota, em Araguaína, ao Jornal Nacional. Segundo o homem, que pediu para não ser identificado, existe uma ‘tabela de preços’ oferecida pelos presos para a entrada de celulares e armas.

“Todo dia tem os presos que oferecem. Os presos oferecem em torno de R$ 2 mil a R$ 3 mil para colocar um celular para dentro do sistema. Inclusive, arma de fogo para eles se prepararem para uma futura briga entre facções. Arma de fogo eles oferecem em torno de R$ 5 mil e R$ 6 mil. E sempre acaba entrando”, afirmou.

De acordo com o homem, tanto a empresa quanto o governo não fiscalizam o serviço dos funcionários da terceirizada. Em dezembro, uma arma calibre 22 foi encontrada dentro da CPP de Palmas, enterrada em um buraco, dentro de várias camadas de sacos e preservativos. O objeto estaria com uma facção criminosa.

“Esse tipo de esquema sempre teve, né? Dentro da empresa sempre teve. Sempre tem aquele que se vende por R$ 2, R$ 3, R$ 4 mil para colocar um celular ou droga dentro do sistema penitenciário”, relatou o funcionário.

Durante vistorias nesta segunda-feira (9) foram encontradas armas, drogas e cachaça artesanal nos presídios do Tocantins, além do estatuto de uma facção criminosa. Cinco presos ficaram feridos após serem atingidos por balas de borracha.

O diretor do sistema penitenciário disse que a fiscalização é diária. “Vamos abrir uma investigação juntamente com a Secretaria de Segurança Pública para que se possa apurar esses fatos, identificar essa pessoa que está contaminando a unidade prisional e tomar as medidas judiciais de imediato. Se algum servidor que for identificado passando algum objeto ilícito, ele vai ser automaticamente afastado, encaminhado à corregedoria de polícia e responderá criminalmente pelos seus atos”, disse Darlan Rodrigues.