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Acusação
Deputada federal do PSL afirma que foi ameaçada por ministro do Turismo
Deputada federal Alê Silva (PSL-MG) acusou o Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, presidente da legenda em Minas Gerais, de tê-la ameaçado de morte e também de prometer acabar com sua carreira política
Najara Araujo/Câmara dos Deputados
Deputada federal Alê Silva (PSL-MG)

A deputada federal Alê Silva (PSL-MG) acusou neste sábado, 13, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, presidente da legenda em Minas Gerais, de tê-la ameaçado de morte e também de prometer acabar com sua carreira política. A parlamentar conta que soube, na última quarta-feira, 10, que ele teria afirmado a alguns parlamentares do PSL que “iria usar de toda a sua influência como ministro e dentro do próprio partido para acabar com ela”. O ministro nega as acusações (leia mais abaixo).

Ao Estado, ela não apresentou provas das possíveis ameaças e disse que foi informada também por interlocutores que Marcelo Álvaro estaria com “ódio mortal” dela após descobrir que foi a congressista que havia passado as informações sobre candidaturas laranjas ao Ministério Público, por meio de uma associação. “O ódio dele está tão evidente que ele não me chama pelo apelido – Alê –, mas sim pelo meu nome, Alessandra. Isso foi observado por um dos que participaram da reunião”, conta a deputada. Reportagem da Folha de S.Paulo revelou neste sábado, 13, que ela prestou depoimento espontâneo à Policia Federal na última semana, o que foi confirmado pelo Estado.

O Estado apurou com fontes da Polícia Federal que, no depoimento, a deputada falou sobre “ameaça a vida”, o que deixou dúbio sobre se o relato que ela diz ter ouvido era de ameaça a vida parlamentar ou a sua própria vida. Mas todas as acusações estão sendo investigadas. Não há previsão de a PF atuar na segurança de Alê Silva, que, por ser parlamentar, pode requerer proteção à Polícia Legislativa.

Fontes da PF também informam que a deputada não apresentou gravações para comprovar as ameaças. E ressaltam que ela não estava na reunião em que Álvaro Antônio teria feito as afirmações. Mas, embora a deputada não estivesse presente na conversa em que diz que o ministro a ameaçou, a PF entende que é preciso avaliar o contexto das acusações que cercam Álvaro Antônio. Se fosse um fato isolado o peso da acusação seria um, mas como o ministro está no foco de uma investigação o peso do depoimento dela é outro.

À reportagem, Alê Silva afirma que apresentou provas à PF e que não as divulgará por envolver pessoas que não podem ser expostas à mídia. A deputada não diz ter sido usada como laranja pelo atual ministro na última eleição, mas o caso dela foi enviado para o delegado que atua nessa investigação porque informações que ela prestou no depoimento podem ser complementares.

Candidatas do PSL em Minas acusam o ministro de tê-las usado como laranjas para desviar dinheiro do fundo eleitoral. Essas apurações, segundo apurou o Estado, estão bem adiantadas. Assim como o inquérito que apura o uso de laranjas pelo PSL de Pernambuco. O presidente Jair Bolsonaro já disse que aguarda a conclusão do inquérito para avaliar a demissão do ministro, o único do PSL no governo.

Ao Estado, a deputada contou que um primeiro aviso já lhe havia sido dado por outro interlocutor, que viajou mais de 200 km dentro do Estado para encontrá-la pessoalmente. “Pela gravidade que ele expôs e por ter percorrido mais de 200 km para falar comigo, essa foi uma ameaça à minha vida, sim”, diz Alê Silva. Ela conversou com a reportagem por meio de WhatsApp e não quis atender ao telefone dizendo não estar bem. “O dia de hoje está sendo o pior dia da minha vida. Eu não queria que nada disso estivesse acontecendo”, afirma.

Segundo a deputada, na reunião com os parlamentares do PSL, Álvaro Antônio teria dito que divulgaria “áudios difamatórios” sobre ela. Ela diz ainda que o ministro está divulgando no grupo do partido mensagens que ela queria encaminhar para seu assessor, mas acabou repassando a outra pessoa por engano. A primeira mensagem, de 14 de março de 2019, às 14h20, diz: “Falta só um empurrãozinho… só um… e eu acho que esse empurrãozinho eu é que vou dar…”. Em seguida, às 14h21, outra mensagem: “Um pequeno peteleco…”. A deputada diz que falava com seu assessor sobre dar um “empurrão” no computador, que estava com problemas no dia. Mas, segundo Alê Silva, o ministro está usando as mensagens para acusá-la de premeditação dos ataques e das acusações. “Se a minha intenção era de atacar, por que eu iria avisar?”, questiona.

Procurado pelo Estado, o ministro Marcelo Álvaro Antônio disse que não existe credibilidade na afirmação da deputada Alê Silva de que foi ameaçada de morte por ele. “O que ela diz é que ouviu dizer que eu fiz uma ameaça. Ouvi dizer é algo sem credibilidade. Quem me conhece sabe que eu não sou um cara violento e nunca fiz nada disso”, disse.

O ministro diz que a deputada do PSL age por motivação pessoal em uma disputa por espaço dentro do diretório do partido em Minas Gerais. “O meu primeiro suplente é da cidade que é a base política dela”, disse.

Investigado em Minas Gerais por suspeita de montar esquema de candidaturas laranjas nas eleições de 2018, ele afirma inocência e diz que já apresentou à Polícia Federal e ao Ministério Público o que chama de “evidências da armação”. “Alê Silva faz parte disso”, acrescentou.

Alê Silva recebeu apoio da deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP), que pediu neste sábado a demissão do ministro do Turismo. ‘Todo meu apoio à Deputada Federal Alê Silva. E agora, Presidente? O Ministro do Turismo fica?

Após acusações da deputada Alê Silva, o deputado Delegado Marcelo Freitas (PSL-MG) disse que ligou para a colega para se colocar à disposição, mas pediu cautela. “Francamente, não acredito em ameaças de morte ou coisa do gênero. Nos parece uma busca por espaços no partido, com consequências que extrapolam o razoável”, afirmou Freitas.

Relator da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça, na Câmara, Marcelo Freitas disse que ligou hoje para a deputada após a Folha de S.Paulo publicar uma entrevista em que a congressista faz as acusações e afirma ter pedido proteção policial. Alê Silva confirmou as acusações ao Estado. “Entrei em contato para compreender o que estava acontecendo, quando fomos surpreendidos com divulgações na imprensa”, contou o deputado. “Espero que reencontremos o caminho do diálogo, única via para construir melhores alternativas para Minas e para o Brasil”, afirmou Freitas.

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