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Maceió
Apontado como líder do PCC, foragido que levava vida de luxo é morto pela PF
Erik da Silva Ferraz foi encontrado na mansão onde morava, em um condomínio de luxo em Maceió. Segundo a PF, ele foi morto após ter resistido ao cumprimento do mandado de prisão
Polícia Federal
Erik da Silva Ferraz, 39, apontado por investigadores como um dos líderes do PCC

Uma operação da PF (Polícia Federal) e PM (Polícia Militar), na manhã desta quinta-feira (7), em Maceió, resultou na morte do foragido do sistema prisional de São Paulo Erik da Silva Ferraz, 39, apontado por investigadores como um dos líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital) na região de São José dos Campos (SP).

O suspeito foi encontrado na mansão onde morava, em um condomínio de luxo em Maceió. Segundo a PF, ele foi morto após ter resistido ao cumprimento do mandado de prisão. Na casa de um dos laranjas dele, a PF diz ter encontrado US$ 500 mil (R$ 1,64 milhão).

Baleado, Ferraz chegou a ser socorrido e levado para o Hospital Geral do Estado, em Maceió, onde não resistiu aos ferimentos.

A operação Duas Faces foi coordenada pela PF. A corporação afirmou que Ferraz era um líder do comando nacional do PCC e conhecido como “Erik do Vale”, uma referência ao Vale do Paraíba, região onde fica São José dos Campos.

Segundo a PF, Ferraz estava Maceió para ter uma vida de luxo e praticar crime de lavagem de dinheiro obtido no crime.

Uma fonte envolvida diretamente nas investigações do PCC em São Paulo informou ao UOL que Ferraz manteve cargo de chefia na facção criminosa. “É possível afirmar que ele se manteve na alta cúpula do PCC nos últimos anos. No entanto, atualmente, ele estaria afastado de suas funções”, disse. A PF, porém, não confirmou essa informação.

Identidade alterada

Em Maceió, Ferraz usava identidade falsa e vivia como um empresário bem-sucedido e repleto de negócios, segundo a polícia.

Ele era responsável por empreendimentos conhecidos da capital alagoana, como uma boate em bairro de classe alta, uma pizzaria e uma academia –todas foram alvo da operação nesta quinta.

Além dos empreendimentos usados para lavar dinheiro obtido em assaltos e prática de homicídios, Ferraz tinha carros de luxo e levava uma vida de ostentação em Maceió, onde adotou o nome de Bruno Augusto. A PF encontrou também joias na casa dele.

Ao todo foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, cinco de prisão e três de condução coercitiva. Os nomes dos demais envolvidos não foram revelados.

Sobre o dinheiro encontrado, a PF informou que “pela forma de acondicionamento indica ter origem no exterior, talvez em contas existentes em paraíso fiscal. A PF deverá rastrear a origem do numerário.”

Conhecido da polícia

Ferraz é nome conhecido do crime em São Paulo, especialmente em São José dos Campos. Em 2001, ele foi apontado pela polícia como o chefe de uma quadrilha que praticou o sequestro de uma mulher chamada Alzira Bicudo .

Erik da Silva Ferraz – Divulgação Polícia Federal

À época, Ferraz também foi apontado como um dos líderes de grandes assaltos, com ao avião da TAM no aeroporto de São José dos Campos, em 1996. O dinheiro –R$ 6 milhões– teria sido utilizado para financiar a criação do PCC.

No final de 2014, ele foi incluso pela polícia paulista na lista de foragidos mais perigosos da região metropolitana de São José dos Campos — era condenado por homicídio e era foragido do sistema prisional. O UOL não conseguiu saber a data da fuga, nem o presídio em que ele estava.

Ferraz era filho de João Aparecido Ferraz Neto, conhecido como “João Cabeludo”, condenado a 500 anos de prisão e que estava foragido e foi preso na Bolívia e extraditado em julho. Cabeludo era um dos líderes da distribuição de drogas pelo PCC na região de São José dos Campos.