Conflito
Palestina enterra mortos de confronto em meio à tensão de novas manifestações
Comércios, universidades e instituições públicas também fazem greve nesta contra data que Israel celebra nascimento do país; protestos estão previstos em Gaza e Cisjordânia
Mahmud Hams/ AFP PHOTO
Conflito terminou com 60 mortos e milhares de feridos

Palestinos se reuniram nesta terça-feira, 15, para os funerais das dezenas de vítimas dos confrontos dessa segunda-feira, 14, na fronteira com Israel. O conflito terminou com 60 mortos e milhares de feridos, segundo as autoridades palestinas. A população também realiza uma greve geral nesta terça-feira e prevê mais protestos contra o que chamam de “Nakba”, data na qual Israel celebra o nascimento do país e os palestinos marcam como o dia em que foram exilados.

Lojas e comércios em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém amanheceram com os comércios fechados. As escolas e universidades palestinas também não abriram hoje, e todas as instituições públicas estão em greve devido à celebração israelense.

O clima em Gaza permanece tenso devido às previsões de novos protestos nesta terça-feira, considerado o último dia de manifestações da “Marcha do Retorno”, realizadas há seis semanas na fronteira de Israel. As autoridades israelenses deslocaram soldados para a proteção da fronteira na Faixa de Gaza e na Cisjordânia e alertaram que “toda atividade terrorista terá resposta”.

Nesta segunda-feira, uma série de confrontos em Gaza contra a abertura da nova embaixada americana em Jerusalém deixaram 60 mortos e milhares de feridos. Um dos mortos foi um bebê de nove meses, cuja família diz que foi vítima de gás lacrimogêneo lançado pelas forças israelenses. Um médico que atendeu a criança, no entanto, afirma que ela tinha uma condição médica pré-existente e questionou as alegações dos familiares. O grupo de direitos humanos de Gaza, Al Mezan, investigará as circunstâncias da morte da criança.

De acordo com a Oficina de Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) da ONU, pelo menos seis crianças morreram durante os protestos na fronteira. O porta-voz da organização, Rupert Colville, afirmou que o órgão condena a “terrível violência mortal” promovida pelas forças israelenses em Gaza e afirmou que acompanha “extremamente preocupado” com o que pode ocorrer nesta terça-feira.

Colville afirmou, durante conferência de imprensa em Genebra, na Suíça, que Israel tem o direito de proteger suas fronteiras de acordo com as leis internacionais, mas o uso de força letal deve ser reservado apenas como último recurso. //ASSOCIATED PRESS, REUTERS E EFE