Decisão
Em sessão de mais de 20 horas, deputados argentinos aprovam legalização do aborto
Projeto de lei descriminaliza qualquer aborto realizado até a 14ª semana de gestação - e não apenas em caso de estupro ou de risco para a vida da mulher
A Argentina foi pioneira na América Latina na aprovação do casamento igualitário, mas a questão do aborto nunca havia sido discutida no Parlamento Foto: Câmara de Deputados de Argentina / EFE
Câmara de Deputados de Argentina / EFE
Argentina foi pioneira na América Latina na aprovação do casamento igualitário, mas a questão do aborto nunca havia sido discutida

Após mais de 20 horas de debate na Câmara dos Deputados, o projeto de lei que descriminaliza o aborto na Argentina foi aprovado nesta quinta-feira, 14. A iniciativa teve 131 votos a favor, 123 contra e uma abstenção. Agora, o projeto que permite a realização do procedimento até a 14.ª semana de gestação seguirá para o Senado. Milhares de manifestantes pró e contra a medida acompanharam a votação nas avenidas próximas ao Congresso.

A sessão começou às 1h30 (10h30 em Brasília) e se estendeu durante toda a madrugada. O projeto de lei descriminaliza qualquer aborto realizado até a 14ª semana de gestação – e não apenas em caso de estupro ou de risco para a vida da mulher – e ainda estabelece que se a gestante for menor de 16 anos, ele deverá ser feito com o seu consentimento.

O país do papa Francisco, fortemente influenciado pela Igreja Católica, foi pioneiro na América Latina com relação à aprovação do casamento igualitário. Contudo, a questão do aborto nunca havia sido discutida no Parlamento. Apesar de ter se declarado “em favor da vida”, o presidente Mauricio Macri incentivou o debate, após o fracasso nos governos anteriores. / AFP, AP e EFE