Agência de Segurança Nacional
Câmara dos EUA renova lei que permite monitoramento sem mandado da NSA
Votação superou objeções de defensores de privacidade e a confusão gerada por tuítes nesta manhã do Trump, que inicialmente questionou a ferramenta de espionagem
Carlos Barria/Reuters
Para diversos grupos, rejeição a Trump pode superar até os protestos europeus realizados há mais de uma década contra Bush

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira,11, um projeto de lei para renovar o programa de vigilância na internet sem autorização judicial da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês). A votação superou objeções de defensores de privacidade e a confusão gerada por tuítes nesta manhã do presidente Donald Trump, que inicialmente questionou a ferramenta de espionagem.

A legislação, que foi aprovada por 256 votos a 164 e dividiu linhas partidárias, é o ponto mais alto de um debate de anos no Congresso sobre o escopo adequado da coleta de dados de inteligência dos EUA –impulsionado pelas divulgações em 2013 de segredos restritos da vigilância por Edward Snowden, um ex-terceirizado da NSA.

Democratas seniores na Câmara dos Deputados dos EUA haviam pedido o cancelamento da votação após Trump parecer levantar dúvida sobre os méritos do programa, mas os republicanos seguiram em frente. Trump disse inicialmente no Twitter que o programa de vigilância –criado primeiro em segredo após os ataques de 11 de setembro de 2011, e depois autorizado legalmente pela Seção 702 do Ato de Vigilância de Inteligência Estrangeira– havia sido usado contra ele, mas posteriormente disse que isso foi necessário.

Alguns republicanos conservadores e de inclinação libertária e democratas liberais tentaram persuadir colegas a incluírem mais proteções de privacidade. Eles fracassaram nesta quinta-feira em aprovar uma emenda para incluir uma exigência de mandado antes da NSA ou outra agência da inteligência poder examinar comunicações pertencentes a norte-americanos cujos dados sejam incidentalmente coletados.

A votação desta quinta-feira foi um duro golpe aos defensores de privacidade e de liberdades civis, que somente há dois anos celebraram a aprovação de uma lei efetivamente acabando com a grande coleta de registros telefônicos dos EUA pela NSA, outro programa ultrassecreto exposto por Snowden.

O projeto de lei como aprovado pela Câmara irá estender o programa de vigilância da NSA por seis anos com alterações mínimas. Alguns grupos defensores da privacidade dizem que ele irá na verdade expandir os poderes de vigilância da NSA. A maioria dos parlamentares acredita que o projeto se tornará lei, embora ainda seja necessário a aprovação do Senado e sanção de Trump.