Saúde
Prática de exercícios físicos ajuda a reduzir riscos de disfunção muscular
Pesquisa aponta que a falta de estímulos físicos pode resultar em acúmulo de proteínas tóxicas e mal processadas dentro das células e causar graves prejuízos
Marcelo Camargo/ EBC
Estudo da USP mostra que a disfunção muscular decorre da falta de exercícios

Os benefícios que a atividade física traz para a saúde são bem conhecidos, mas os processos celulares responsáveis por esses ganhos só começaram a ficar mais claros há pouco tempo. Um deles é a relação entre a prática de exercício físico e a prevenção da disfunção muscular.
O tipo de disfunção mais comum ocorre quando as células do músculo esquelético – que compõe a maior parte do corpo humano – param de receber estímulos.

Um estudo publicado na Scientific Reports por pesquisadores da USP, em parceria com colegas dos Estados Unidos e da Noruega, mostra que a falta de estímulo ao músculo, nesse caso induzida por uma lesão no nervo isquiático em ratos, resulta no acúmulo de proteínas mal processadas dentro das células musculares e consequente prejuízo na função do órgão.

Os pesquisadores observaram que esse acúmulo decorre do prejuízo na maquinaria celular responsável por identificar e remover tais “lixos” celulares, conhecido como sistema autofágico.

A pesquisa demonstra que o exercício físico é capaz de manter o sistema autofágico em alerta, facilitando sua ação quando necessária, como na disfunção muscular induzida por falta de estímulo.

Os processos degenerativos decorrentes da falta de estímulo muscular são retardados em ratos previamente exercitados. “A atividade física diária sensibiliza o sistema autofágico. A remoção desses componentes mal funcionais é muito importante, pois quando acumulados tornam-se tóxicos e contribuem para a disfunção ou mesmo a morte da célula muscular.”, disse Júlio Cesar Batista Ferreira, professor do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB-USP) e coordenador do estudo.

Para explicar a autofagia no músculo, Ferreira faz uma analogia. “Imagine o músculo trabalhando de modo semelhante a uma geladeira, que precisa receber eletricidade para funcionar. Quando esse sinal é cessado, ao retirar a geladeira da tomada ou bloquear o neurônio que inerva o músculo, rapidamente observamos que a comida (na geladeira) e a proteína (no músculo) começam a estragar em diferentes tempos, de acordo com sua composição”, disse.

Segundo o especialista, o estudo facilitará o desenvolvimento de novas intervenções farmacológicas e não farmacológicas capazes de minimizar ou reverter esse grande problema da nossa sociedade: a disfunção muscular decorrente da falta de movimento, principalmente na população idosa.