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Protesto
“Não aceitaremos estupradores”, diz torcedoras após condenação de Robinho
Mulheres questionam omissão do Atlético Mineiro, que se recusa a comentar caso de violência sexual envolvendo a maior estrela de seu elenco
Reprodução/ El País
Faixa de protesto em frente à sede do Atlético, em Belo Horizonte

Na madrugada desta terça-feira, funcionários do Atlético Mineiro retiraram faixas de protesto penduradas em frente à sede do clube, em Belo Horizonte, por um grupo de torcedoras indignadas com o fato de dirigentes atleticanos não terem se manifestado sobre a condenação de Robinho por participação em estupro coletivo na Itália.

O atacante foi sentenciado em novembro a nove anos de prisão pela Justiça italiana. Ele é um dos seis réus no processo em que uma jovem albanesa o acusa de violência sexual, que teria sido cometida em 2013, mas recorre da sentença em liberdade, já que, pela Constituição brasileira, cidadãos nascidos no país não podem ser extraditados.

As faixas estendidas pelo grupo, que se identifica como “Feministas do Galo”, critica a postura do clube, que, desde o anúncio da condenação, afirma que não vai se pronunciar sobre o caso, por se tratar de “um assunto pessoal do atleta”. Duas mensagens endereçadas à diretoria atleticana foram expostas em frente à sede: “Um condenado por estupro jogando no Galo é uma violência contra todas as mulheres” e “Galo, seu silêncio é violento! Não aceitaremos estupradores!”.

De acordo com uma das integrantes do grupo, “a omissão do clube é inadmissível, já que o atleta foi condenado em primeira instância e, em vez de se preocupar com o fato, a diretoria cogita a hipótese de que ele permaneça”. O contrato de Robinho com o Atlético vence em dezembro. Ele tem um dos maiores salários do clube – cerca de 800.000 reais – e negocia a extensão do acordo por mais um ano com redução dos vencimentos. Por outro lado, o Santos, seu ex-clube, se mantém interessado em contratá-lo mesmo depois da repercussão da sentença na Itália.

Não é a primeira vez que uma suspeita de violência sexual ronda o atacante. No início de 2009, quando jogava pelo Manchester City, ele já havia sido acusado de estupro por uma mulher que conhecera em uma casa noturna de Leeds. Chegou a viajar para o Brasil sem a autorização do clube, por medo de ser detido pelas autoridades europeias.

Ao retornar à Inglaterra, teve de se apresentar à delegacia de West Yorkshire, onde pagou fiança e foi liberado. O processo acabou arquivado três meses depois. Também não é a primeira vez que mulheres se unem para protestar contra o Atlético. Em 2016, torcedoras reclamaram do tom machista do desfile de lançamento do uniforme para a temporada.

Na ocasião, o clube utilizou modelos de biquíni ao apresentar a nova camisa. Nas instruções de lavagem do material, produzido pela DryWorld, havia também uma mensagem desrespeitosa: “Dê a sua mulher”. Nesta terça-feira, a assessoria de imprensa do Atlético reiterou que, a despeito do protesto na sede, a diretoria do clube não se manifestará sobre a condenação de Robinho.