Sem vantagens
Estudo aponta que ser sócio torcedor não vale tanto a pena em 54% dos casos
Um dos principais pontos do trabalho foi mostrar em quantos jogos um 'contribuinte' deve ir ao estádio para que plano se torne vantajoso em comparação com compra avulsa
América 1 X 1 Juazeirense - BA (129) - Torcida do América
José Aldenir / Agora Imagens
Torcida apreensiva em jogo entre América de Natal e Juazeirense/BA na Arena das Dunas em agosto de 2017

O fã de futebol cuidadoso com as próprias finanças deve começar a analisar as despesas com o time do coração com o mesmo zelo que tem com as contas de casa. Afinal, mais da metade dos planos de sócio-torcedor dos principais clubes brasileiros não apresentam vantagens significativas para quem tem como prioridade pagar menos para ver os jogos da equipe em seu próprio estádio.

O alerta de que o investimento no programa de sócio-torcedor pode não ser vantajoso foi mostrado em um estudo desenvolvido pelo Itaú BBA, antecipado com exclusividade pelo jornal O Estado de São Paulo. O material analisou 41 planos diferentes de sócio dos principais clubes brasileiros. Apenas 19 deles (46%) apresentam clara vantagem em comparação à compra avulsa.

O trabalho mostra que o benefício de pagar uma mensalidade fixa para poder gastar com um ingresso valor inferior ao desembolsado por quem prefere a velha prática de ir diretamente à bilheteria não é tão grande quanto pode parecer. Na maioria dos casos (54%), quem tem o programa paga apenas 20% menos do que quem não é sócio. Em 17% dos planos, os preços são até mais altos do que a venda avulsa.

O estudo tenta entender a efetividade dos programas oferecidos pelos clubes exclusivamente para a compra de ingressos. Não leva em conta possíveis vantagens adicionais, como bônus em produtos e serviços, preferência na compra de bilhetes e poder votar em eleições.

A análise teve como base os borderôs dos jogos da última temporada. Relacionou o investimento anual do torcedor feito nos programas com o valor do ingresso avulso e o preço médio das entradas ao longo do ano.

O cruzamento de informações concluiu que, para a maioria dos planos valerem a pena, o contribuinte precisa ser bastante assíduo aos jogos do time no estádio. “Nem sempre o plano mais vantajoso é o mais caro ou mais barato. Os que dão mais retorno são aqueles que oferecem acesso ilimitado aos jogos sem pagamento adicional”, disse o responsável pelo estudo, Cesar Grafietti.

Um dos principais pontos do trabalho foi mostrar em quantos jogos um “contribuinte” deve ir ao estádio para que o plano pago se torne vantajoso em comparação com quem compra as entradas separadamente. Nesse quesito, o Corinthians está na frente, pois com 12 partidas no ano um torcedor já desfruta dessa regalia.

Por outro lado, o levantamento também mostrou distorções. Quem aderiu a alguns planos de times como São Paulo, Atlético-MG e Palmeiras, por exemplo, precisaria ir ao estádio cerca de 50 vezes no ano, quantidade de jogos que nenhum time brasileiro fez em casa na temporada de 2017.

Segundo Grafietti, os planos de sócio-torcedor sofrem alterações principalmente de variáveis como as campanhas do time e a capacidade do estádio. Equipes com casas menores tendem a se valorizar, pois os ingressos são mais disputados, sobretudo em jogos decisivos.

Comum no Brasil, a meia-entrada é um obstáculo para os programas de sócio-torcedor aumentarem a abrangência. Essa categoria representa até 23% do público nas partidas dos clubes analisados. Já os sócios-torcedores somam 47%.

No Brasil são 73 clubes com programas. Ao todo são mais de 1,3 milhões de registrados nesses planos, de acordo o Movimento Por um Futebol Melhor. O Grêmio é quem mais tem contribuintes fixos mensais, com 136,3 mil torcedores.