segunda, 23 de janeiro de 2017
Futebol
Delegações fecham acordo para expansão da Copa do Mundo para 48 seleções
Expansão da Copa vai exigir 'continente' para receber novo formato; atualmente, torneio recebe 32 seleções a cada quatro anos
Foto: Geoff Caddick / AFP
Geoff Caddick / AFP
Infantino, presidente da FIFA

Uma reunião entre os dirigentes de cada continente do mundo fechou neste domingo, informalmente, um acordo para a maior expansão da Copa do Mundo em sua história. A partir de 2026, serão 48 seleções, e não 32 como no modelo atual. A decisão vai ser confirmada na terça-feira, em Zurique, abrindo o caminho para uma explosão na renda da Fifa. Nos próximos meses, porém, uma disputa acirrada será estabelecida para determinar quem ficará com as vagas.

Na terça, em Zurique, a Fifa votará a maior expansão do torneio em seus quase cem anos. Ninguém esconde que a motivação seja financeira. Com novas seleções, a entidade teria uma renda elevada a um recorde de R$ 21 bilhões (US$ 6,5 bilhões). Em comparação ao Mundial da Rússia, o aumento seria de US$ 1 bilhão e 35% acima do que obteve na Copa de 2014 no Brasil.

A própria entidade admite que a qualidade do futebol vai sofrer e vem recebendo críticas da atual campeã do mundo, a Alemanha.

VAGAS

Com o número de 48 definido, a briga agora será por vagas. A Conmebol insiste que quer sete para a América do Sul, o que é alvo de críticas de outras regiões, que alertam que o continente tem apenas dez times.

Para convencer os europeus, a Fifa acena com uma expansão de 13 para 16 vagas, enquanto a África passa de 5 para 9. Outra proposta indica 6,5 para a Concacaf, 8 para asiáticos e uma para a Oceania. O modelo, porém, não está fechado. Só em renda com as TVs e direitos vendidos, o salto seria de meio bilhão de dólares.

Durante o encontro deste domingo, a África chegou a propor que, em um primeiro momento, a Copa fosse expandida para 40 e só depois para 48. Mas foi voto vencido.

ESTRUTURA

No total, 80 jogos seriam disputados. Mas a Fifa promete que pode realizar o torneio no mesmo período que o atual modelo, com 32 dias. Aos clubes, a entidade também promete não aumentar o número de dias com atletas cedidos às seleções e que, no total, um time que chegue à final disputaria apenas sete partidas. Esse é o mesmo número do atual modelo de Copa.

Questionado pelo Estado se haveria já um acordo, Gianni Infantino, presidente da Fifa, desconversou. “Vocês ouviram a nova proposta?”, disse. “Uma Copa com 64 times”, brincou. O suíço também tem sua credibilidade colocada em risco. Se o projeto passar, ele demonstrará que tem legitimidade e que sua promessa de campanha tinha apoio. Mas se fosse derrotado, poderia ter sua posição seriamente enfraquecida em uma entidade que ainda não se reergueu.