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Protagonista
UFRN forma seu primeiro aluno em Letras Libras/Língua Portuguesa
Seus objetivos a partir de agora são o de seguir a carreira como docente em nível superior, aguardando futuros concursos
Divulgação
O que motivou Oliveira a buscar esta formação precoce foi o fato de ter passado num concurso para professor do Estado

No fim de 2012 a imprensa local noticiava com certo contentamento que a UFRN, através do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) e do departamento de letras (DLET), ofertava o curso de graduação em letras com habilitação em língua portuguesa e língua brasileira de sinais (LIBRAS).

O curso em questão era proposto na modalidade presencial, com o objetivo de formar professores para atuarem no ensino da língua portuguesa como segunda língua e da língua brasileira de sinais (LIBRAS) como primeira e segunda língua no ensino fundamental – 6º ao 9º ano e no ensino médio.

Passados todos estes anos eis que a imprensa tem nova informação neste setor. O primeiro aluno que obteve sua graduação individual no último dia 16, sendo portanto protagonista nesta formação, chama-se Délio Henrique Delfino de Oliveira, que precisou ultrapassar barreiras e realizar verdadeiras maratonas para conseguir o diploma bem antes do restante da sua turma, a primeira a ingressar no curso de libras da UFRN.

O que motivou Oliveira a buscar esta formação precoce foi o fato de ter passado num concurso para professor do Estado, havendo necessidade do diploma para poder ser nomeado. Neste momento ele cursava o sexto dos nove períodos necessários.

Na correria – toda dentro das regras e normas legais, adiantou disciplinas restantes e fez os estágios obrigatórios, cumprindo todo o processo de adiantamento através de processos diversos, recursos e ultrapassou o que precisava alcançando seu objetivo.

Délio já vem neste ritmo frenético de estudos há bastante tempo, sendo graduado em psicologia na UnP, tem duas especializações na UFRN (libras e psicologia) e um mestrado em psicologia na UFRN.

Em todos os seus estudos sempre buscou estabelecer o link entre libras e psicologia, mesmo não tendo parentes e nem ninguém da família como portador de deficiência auditiva grave.

Segundo Oliveira, “foi por uma questão da psicologia que eu fui ao encontro da Libras, fui me interessando pela área clínica, pelo trabalho desenvolvido com campo da fala e escuta em psicoterapia e, com isso, ficando incomodado ao pensar no como uma pessoa surda não recebia o devido  acompanhamento psicológico em sua língua natural”.

Ele é pioneiro também no atendimento de psicoterapia em libras, por ter realizado o primeiro atendimento psicoterápico em libras na UnP,  momento esse que ampliou seu interesse depois de prestar atendimento a um adolescente surdo que procurou o serviço.

A partir desse momento abraçou a causa da libras, considerando a importância dessa língua para sua formação pessoal enquanto profissional e cidadão, bem como para a psicologia.

Hoje no Brasil, segundo o censo de 2010, existem cerca de dois milhões de pessoas com deficiência auditiva profunda ou grave. No Rio Grande do Norte, o número atinge cerca de 40 mil pessoas, ou seja, quase 2% da população do Estado de 3.168,133 neste mesmo censo.

Délio avançou firme em seu propósito de concluir o curso e com a documentação recebida fica habilitado para atuar como professor de libras, objetivo maior de seu curso de licenciatura que é de formar professores para o ensino da língua brasileira de sinais.

Seus objetivos a partir de agora são o de  seguir a carreira como docente em nível superior, aguardando futuros concursos na área e também ser efetivamente contratado pelo Estado como professor do ensino fundamental e médio da libras.

Atualmente ele segue atuando como psicólogo atendendo pessoas ouvintes, surdas usuárias da libras e surdas em outras condições linguísticas, em seu consultório particular localizado no Portugal Center – Av. Senador Salgado Filho, sala 224 –  Lagoa Nova. Esse profissional sempre participa de congressos e eventos nacionais/internacionais na área de libras e psicologia, apresentando estudos sempre fazendo o link entre essas duas áreas.

Délio defende a importância da psicologia abraçar a comunidade surda, reconhecer o uso da língua oficial do cidadão surdo brasileiro durante o atendimento psicológico, assim como tomar conhecimento acerca das questões linguísticas, jurídicas, históricas e educacionais dessa população.

Ele também informa que existe demanda para esse tipo de atendimento, mas não há profissionais aptos para o atendimento em libras sendo que atualmente apenas ele e mais dois profissionais estão disponíveis neste segmento.

Sobre o curso de letras libras/língua portuguesa que acaba de concluir de maneira pioneira na UFRN, diz, “o curso é de extrema relevância social e vem dar conta das propostas da educação bilíngue defendida pela comunidade surda. Como todo curso novo encontra dificuldades e está passando por modificações, mudanças, ainda tem muito a crescer.

No último ano o curso avançou bastante, com professores efetivos da área, surdos e ouvintes, e uma nova coordenação própria desse curso, que conhece e sabe o que é preciso ser feito para alcançar com eficiência e eficácia os objetivos do ensino da língua de sinais e do português escrito como segunda língua para o aluno surdo”.