Educação
“Temos ilhas de excelência no ensino público ”, diz secretária de Educação
Com a parceria de instituições privadas a atual gestão da Secretaria de Estado da Educação e da Cultura quer aumentar a autoestima de toda a rede composta por 610 escolas no RN
ASSECOM
Professora Cláudia Santa Rosa

Em educação pública, se há resultados concretos a comemorar, é porque eles começaram a ser plantados com, pelo menos, uma ou duas décadas de antecedência. Se não há resultados, é porque pouco ou nada foi plantado.

Com um orçamento estimado em R$ 1,3 bilhão por ano e uma rede de 610 escolas, a Secretaria de Educação do Rio Grande do Norte resolveu colocar em prática um plantio que já deveria ter sido iniciado anos atrás.

Com a parceria de instituições privadas, que há décadas investem em educação no Brasil, a atual gestão da Secretaria de Estado da Educação e da Cultura, comandada pela professora Cláudia Santa Rosa, que assumiu o cargo em maio de 2016, abriu uma série de programas, entre eles, um circuito de gestão para acompanhar os resultados de aprendizagem das escolas.

O trabalho, que já alcançou 80% das escolas e estará concluído nos próximos meses deste ano, tomou como base o fato de que há, sim, ilhas de excelência dentro da rede pública do Estado cuja experiência e o grau de resultados podem e devem ser estendidos para todas as demais escolas, num trabalho de governança educacional sem precedentes na história do ensino público no Rio Grande do Norte.

O maior exemplo de que esta qualidade existe e não é uma mistificação de gestor público, está na modesta lista de escolas da rede cujas vagas ofertadas se esgotaram, em poucas horas.

Enquanto isso, existe um contingente considerável de outros estabelecimentos onde sobram essas vagas e, em muitas delas, deve continua assim até o dia 9 de fevereiro, quando se encerram as matrículas, mesmo que novos alunos sejam sempre bem vindos depois disso.

“Engana-se quem acha que a família humilde, com baixo grau de escolaridade, já não identificou quais são as melhores e a piores escolas. Elas desejam matricular seus filhos nas melhores”, diz a secretária Cláudia Santa Rosa.

Ela se refere àquelas unidades onde as rotinas funcionam, onde se sente que há planejamento, assiduidade, onde os pais são atendidos por alguém sentado numa mesa e não andando pelo pátio.

“E o resultado final acaba sempre se revertendo para o aluno, que se distingue na corrida pela melhor educação nas avaliações para o ensino superior”, responde a secretária.

Com perfil mais técnico do que político, Cláudia passou os últimos 26 anos dentro de uma escola pública. Foi seu primeiro e único concurso público depois de concluir todas as fases do ensino formal.

Ao ser convidada para assumir o cargo no lugar do professor Francisco das Chagas Fernandes, ex-secretário de Educação Básica e secretário executivo-adjunto do Ministério da Educação, Cláudia recebeu apenas dois pedidos do governador Robinson Faria: dar prosseguimento ao Plano Estadual de Educação e ser atenciosa com todos que buscam a pasta para diálogo.

E é o que ela tem feito. Nesta entrevista ao jornal Agora RN, Cláudia Santa Rosa fala dos planos e das dificuldades que existem ao comandar uma Secretaria da importância estratégica de futuro que é a pasta estadual da Educação.

Jornal Agora RN: Qual o tamanho hoje da rede estadual de ensino no RN?

Cláudia Santa Rosa: Nós temos 610 escolas, 29 delas em tempo integral de ensino médio e outras 20 integral de ensino fundamental. Escolas em tempo integral não existiam antes do governador Robinson Faria, em janeiro de 2015. De lá para cá, consolidamos a rede de educação profissional. Serão 63 escolas em todo o estado nas 16 diretorias regionais até o final do ano.

JARN: Não existiam escolas de educação profissional antes desta gestão?

CSR : Existia apenas uma, o Centro Estadual de Educação Profissional Senador Jessé Pinto Freire, localizado em Natal. Nesta gestão colocamos para funcionar sete centros de educação profissional. Desses centros, só havia os prédios, mas não existiam alunos matriculados. Hoje, funcionam com educação profissional em tempo integral. Mais três centros estão sendo erguidos.

JARN: Sabe-se que há uma infinidade de programas instituídos pela senhora, mas há um em especial que mobilize toda a estrutura da Secretaria neste momento?

CSR : Todos os programas têm importância. Mas há uma aposta em especial, o Circuito de Gestão para Aprendizagem. Com ele, acompanhamos e assessoramos pedagogicamente todas as escolas. Já avançamos 80% dentro dessa proposta e com certeza fecharemos o circuito nos próximos meses.

JARN: Existe a preocupação de eliminar diferenças dentro da rede?

CSR: Nos últimos dois anos nossa luta enquanto gestão tem sito unir as pessoas, mobilizá-las ao redor de metas, de objetivos a serem alcançados. Não é mais possível conviver com nossos indicadores educacionais, com 400 mil analfabetos de um contingente em que 30% desses são pessoas produtivas abaixo dos 60 anos.

JARN: Esse desnivelamento é muito grande na rede?

CSR: Não basta mais oferecer uma escola pública que tenha a estrutura básica e não tenha um foco voltado ao aluno e seus necessidades de aprendizado. As famílias, por mais humildes que sejam, já enxergam as escolas da rede que valem e não valem matricular seus filhos.

JARN: Então esse desnível existe?

CSR: Temos escolas que oferecem 100 matrículas e elas são preenchidas em cinco horas, deixando 400 de fora outras que queriam estudar, enquanto outras escolas entrarão o ano letivo com carteiras vazias. Temos ilhas de excelência em nosso ensino público e queremos todos nesse barco.

JARN: O que essas famílias buscam?

CSR: Buscam escolas que não parem toda a hora por conta de reivindicações de professores; não querem demonstrações de desorganização ou pouco caso com seus filhos; querem saber que seus filhos estão aprendendo e sendo motivamos para o aprendizado. A gente sabe que, no mundo de hoje, estudo, aprendizagem não se limita só a escola, ele nunca termina.

JARN: Qual a estratégia do Circuito de Gestão para mudar essa realidade?

CSR: O circuito tem como objetivo acompanhar e monitorar as escolas, contando com o trabalho dos assessores pedagógicos, permitindo definir metas por escolas que garantam a melhoria dos indicadores de aprendizagem. Dessa forma, vamos envolver a comunidade escolar num ambiente de troca de informações e envolvimento de metas que as façam orgulhosas de contar os seus avanços. O plano é fazer de cada uma das escolas da rede um objeto de desejo dos alunos e de suas famílias.

JARN: A secretaria tem contado com ajuda externa em seus programas?

CSR: Sim e eles são fundamentais para o sucesso dos projetos. No caso do Circuito de Gestão com Foco na Aprendizagem temos o apoio do Instituto Unibanco, que há 35 anos investe em educação no Brasil. Ele nos apoia em 143 escolas públicas do ensino médio e outros 100 em grupos de controle e observação.

JARN: Há outras instituições?

CRS: A Fundação Lemann nos apoia em 135 escolas do Fundamental; o Instituto de Corresponsabilidade pela Educação (ICE) e o Instituto Sonho Grande e Instituto Natural, que contribuem na implantação e implementação do ensino integral; o Instituto Telefônica Vivo é parceiro na formação de professores e desenvolvimento de projetos de vida com estudantes. Todo esse apoio é tremendamente importante quando se pensa em mudar a realidade da educação no País.