Crise
Professores veem cenário de incertezas para pesquisa e extensão na UFRN em 2019
Para o líder da Adurn, a UFRN é tão importante também pelo orçamento – que este ano foi de R$ 1,1 bilhão – porque corresponde a 10% de tudo o que o Estado arrecada
José Aldenir / Agora RN
Presidente do Adurn-Sindicato, Wellington Duarte

O que já estava ruim por conta da diminuição de recursos causada pela Emenda nº 95, que congelou verbas para educação, saúde e segurança pelos próximos 20 anos, pode ficar pior com os rumores das primeiras medidas do governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). Uma delas está relacionada à retirada do ensino superior do Ministério da Educação e transferi-lo para o Ministério de Ciência e Tecnologia, que tem ainda menos recursos.

Outro dado preocupante para o presidente do Sindicato dos Professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Adurn), Wellington Duarte, está relacionado aos recursos destinados à pesquisa e extensão – cujas garantias vão até dezembro deste ano. “A partir daí o cenário é misterioso, sombrio, repleto de incertezas. Não porque sejamos pessimistas, mas é tudo tendo como base o que vem sendo anunciado pelo novo governo”, disse Duarte.

Uma prova da preocupação da Adurn está nas obras pela UFRN. No caso, o que estava orçado e empenhado continuam, mas o que já era projeto foi ignorado e paralisado. O último acordo coletivo que os professores conseguiram foi em 2015 – bem antes do impeachment de Dilma Rousseff. “Tivemos uma reposição de perdas e uns ajustes no plano de carreira. A maior preocupação dos professores está relacionada às pesquisas: 95% são feitas pelas universidades públicas”, destacou Wellington Duarte.

Para o líder da Adurn, a UFRN é tão importante também pelo orçamento – que este ano foi de R$ 1,1 bilhão – porque corresponde a 10% de tudo o que o Estado arrecada, sem as transferências federais. Quando questionado se há risco de o ensino superior ser privatizado, a resposta de Wellington Duarte é direta: “se isso acontecer será o fim do ensino superior no Brasil. Isso sem contar na geração de pesquisadores que será perdida. Hoje, na educação brasileira, nada é planejado. Cria-se a demanda e o Ministério da Educação vê se atende ou não”.

Na avaliação de Wellington Duarte, o ensino médio tem que ser revisto porque hoje ele só prepara para o vestibular. Além disso, o ensino fundamental tem deixado a desejar e a situação deve ficar mais difícil se a Emenda nº 95 for mantida. Para ele, todas as forças democráticas devem se unir enquanto há tempo, porque o grupo político eleito não está disposto a dialogar, e sim de impor. “Essa emenda 95 é uma trava constitucional. É necessário que a elite financeira conheça as universidades e vejam seu pluralismo. A UFRN está entre as 10 melhores da América Latina em pesquisas e é a terceira do Brasil”, disse Duarte.

A Adurn surgiu em 1979 como Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio Grande Norte. Em 2011, tornou-se sindicato dos professores, mas manteve a sigla, que também tornou-se uma marca registrada. Ao todo, o sindicato tem 2.570 filiados, dos quais 1.450 estão na ativa. De acordo com Wellington Duarte, 58% dos professores são sindicalizados e a entidade não cobra o imposto sindical.